Vamos juntos gritar, girar o mundo: Chega de violência e de extermínio da juventude negra!

Vamos juntos gritar, girar o mundo: Chega de violência e de extermínio da juventude negra!


Foto: Midia Ninja

No próximo dia 20 de novembro, celebramos mais um dia da Consciência Negra. Instituído pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, a data é uma referência à morte de Zumbi dos Palmares.

Zumbi, foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, localizado no atual estado de Alagoas, durante o período colonial. Filho de africanos escravizados e nascido nesse quilombo, Zumbi foi educado por um sacerdote e depois retornou ao seu local de nascimento. Ali, lutou para que o quilombo não fosse destruído pelos colonizadores que consideravam um perigo aquela reunião de negros libertos.

Em 1695, com 40 anos, Zumbi foi assassinado pelo capitão Furtado de Mendonça, a mando de Domingos Jorge Velho. Foi decapitado e sua cabeça levada para Recife onde ficou exposta em praça pública.

A morte de homens e mulheres negras, infelizmente, ainda faz parte do nosso cotidiano. Os dados oficiais demonstram que vivemos um verdadeiro extermínio da população negra no nosso país. Segundo o Atlas da Violência, em 2019, os negros representaram 77% das vítimas de homicídios. Comparativamente, entre os não negros a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que significa que a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes superior àquela de uma pessoa não negra. Em outras palavras, no último ano, a taxa de morte de pessoas negras foi 162% maior que entre não negras. As mulheres negras representaram 66,0% do total de mulheres assassinadas no Brasil, com uma taxa de mortalidade por 100 mil habitantes de 4,1, em comparação a taxa de 2,5 para mulheres não negras.

No Brasil, de cada 10 mortos pela polícia 8 são negros e a maioria jovens. É preciso dar um basta!

Além da discriminação no mercado de trabalho, onde as pessoas negras recebem salários infinitamente menores que os não negros, o racismo ganha requintes de crueldade quando jovens são perseguidos e assassinados por conta da cor da pele.

O discurso racista está implícito nas rodas de conversa, nas notícias da TV e do Jornal, nos grupos de whatsapp. Mas pergunte-se por um instante quantos médicos negros você conhece? Quantos advogados negros você vê dando entrevista num jornal? Quantos juízes, empresários, engenheiros negros vemos? Nos cargos públicos quantos negros são eleitos?

As cotas nas universidades e nos concursos públicos vieram para tentar amenizar essa disparidade entre a representação populacional da comunidade negra e sua presença em espaços importantes da nossa sociedade. Cada um e cada uma é responsável pela construção, ainda que utópica, de uma sociedade mais igualitária, justa e humana para todos e todas, independente de raça, credo, opção sexual, gênero. Amar uns aos outros ainda uma máxima que atravessa os tempos mas que, mesmo assim, ainda está em desuso por muitos, inclusive que se dizem cristãos. Bora construir um mundo diferente?

Luiz Fernando Rodrigues – Negro, funcionário público estadual, profissional de Marketing, especialista em gestão escolar. É secretário de comunicação da APP-Sindicato.


:: Leia mais: 

:: Enegrecer a política: entrevista com a vereadora Carol Dartora
:: Pandemia de racismo: Covid-19 agravou disparidades raciais da saúde à educação
:: A luta da população LGBTi+ negra pela sobrevivência
:: Reforma do Ensino Médio e escolas cívico-militares ameaçam educação e autoestima de estudantes negros(as)
:: Debatendo o racismo com um bocado de cultura
:: Não basta não ser racista, é preciso ser Antirracista!