Unesco destaca papel dos(as) educadores(as) no combate ao discurso de ódio na internet APP-Sindicato

Unesco destaca papel dos(as) educadores(as) no combate ao discurso de ódio na internet

Agência faz alerta sobre aumento alarmante de casos de discriminação, racismo e xenofobia nas redes sociais e defende a educação como estratégia crucial para enfrentar o problema

Foto: Luiz Damasceno / APP-Sindicato

O papel da educação e dos(as) educadores(as) no enfrentamento da escalada de discursos de ódio na internet é o destaque da mensagem divulgada pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (Unesco), por ocasião do Dia Internacional da Educação, celebrado no último dia 24.

Para a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, a educação é a melhor defesa contra a onda de intolerância responsável pelo aumento alarmante de casos de discriminação, racismo e xenofobia e que tem ameaçado a segurança de comunidades em várias regiões do mundo.

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“Para ter sucesso, precisamos formar e apoiar melhor os professores que estão na linha da frente na superação deste fenômeno”, afirma. A dirigente alerta também sobre a responsabilidade coletiva de capacitar os(as) estudantes para desconstruir o discurso de ódio e promover valores democráticos, respeito aos direitos humanos e a construção de sociedades inclusivas.

De acordo com a pesquisa da Unesco, “Eleições e redes sociais: a batalha contra a desinformação e as questões de confiança”, divulgada em 2023, 67% dos usuários de internet relataram ter encontrado discurso de ódio nas redes. A maioria (58%) afirmou que o problema é mais recorrente no Facebook.

O estudo foi aplicado em 16 países e constatou um forte apoio à ideia de que os governos aprovem instrumentos de regulação das plataformas de redes sociais. Segundo a pesquisa, a medida é defendida por cerca de 9 em cada 10 pessoas ouvidas.

Escola Segura

No Brasil, além de ameaçar processos eleitorais e a democracia, a intolerância disseminada pela internet também leva medo e terror para as escolas. De 2002 até outubro do ano passado houve o registro de 29 ataques contra estabelecimentos de ensino. 

Nesse período, 38 pessoas, entre estudantes, professores(as) e funcionários(as) de escola foram mortas pelos autores dos atentados. Desse total, 23 são mulheres e 15 são homens. Na maioria dos casos, os criminosos organizaram os ataques pela internet.

Uma das ações para conter essa violência foi a Operação Escola Segura, deflagrada após o ataque que deixou quatro crianças mortas e cinco feridas em uma creche de Blumenau (SC). 

A iniciativa é focada na orientação da comunidade escolar para identificar conteúdos de ódio e desinformação e como agir nesses casos, além do monitoramento constante de todas as redes e na apuração de denúncias. O objetivo é identificar discursos de ódio e prevenir a ocorrência de novos ataques.

Números obtidos com exclusividade pela APP-Sindicato revelam a quantidade surpreendente de denúncias registradas nos seis primeiros meses de atividade da operação. Os trabalhos envolvem profissionais do setor de inteligência do Ministério e das Polícias Civis e Polícia Militar, especialistas das delegacias de investigação de crimes cibernéticos e técnicos.

De acordo com as informações, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) recebeu 30.330 notificações de ameaças de ataques contra o ambiente escolar, entre abril e outubro de 2023. Os números equivalem a uma média de 165 denúncias por dia, 7 por hora. 

>> Saiba mais: Governo federal cria canal de denúncias online sobre ameaças de ataque às escolas

As denúncias podem ser feitas pelo serviço Disque 100, pelo WhatsApp, pelo número (61) 99611-0100, e também pelo canal criado na internet pelo MJSP em parceria com a SaferNet Brasil. As informações são mantidas sob sigilo e não há identificação do denunciante.

O governo também lançou uma cartilha com recomendações para proteção e segurança no ambiente escolar. A publicação sugere que as escolas criem um plano de ação para situações de violência, que implementem espaços de acolhimento e promovam campanhas de informação.

>> Clique aqui para ler a cartilha

A cartilha é parte das medidas que incluem a disponibilização de R$ 3,1 bilhões para melhorar a infraestrutura das escolas.

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