Tragédia Rana Plaza

De Bangladesh ao Brasil a lógica de exploração das mulheres

Foto: eldiario.es

Esta semana relembramos o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, que causou comoção internacional. Localizado em Daca, capital de Bangladesh, o Rana Plaza abrigava fábricas independentes, com cerca de 5.000 trabalhadores(as), em sua maioria mulheres, que produziam para marcas como Zara, H&M, Primark, Benneton, Walmart, Carrefour, The Children’s Place e outras.

As funcionárias viviam em péssimas condições, tinham horas de trabalho contínuo e salários baixíssimos. O edifício desabou em 24 de abril de 2013. As buscas foram concluídas em 13 de maio e o balanço final totalizou 1127 mortos. O incidente já é apontado como uma das maiores tragédias deste século.

O desastre no Rana Plaza nos lembra da lógica ainda existente de desvalorização e exploração do trabalho e da vida das mulheres, a terceirização das trabalhadoras é um processo que mascara o trabalho análogo a escravo e está sendo mundialmente denunciado. Trata-se da ganância dos patrões que exploram para extrair lucro sobre trabalho de uma única vida e, em geral, são as vidas das mulheres que estão submetidas a isso em o todo mundo.

No Brasil, as mulheres enfrentam o aprofundamento das desigualdades no mundo do trabalho com a recente reforma trabalhista e, além disso, a proposta de Reforma da Previdência.

De acordo com a proposta de emenda constitucional (PEC), serão igualados os critérios de idade e tempo de contribuição. Assim, mulheres, professores e trabalhadores rurais perderão os dois requisitos que atualmente os diferenciam para efeito de aposentadoria, idade e tempo de contribuição.

Essa equiparação desconsidera todas as desigualdades do mercado de trabalho. O diferencial entre homens e mulheres na previdência social é o único mecanismo para reconhecer a divisão sexual do trabalho, que destina às mulheres piores salários, maiores dificuldade em ascensão de carreira, piores condições de trabalho e maiores responsabilidades em trabalho não remunerado.

Desvincular a realidade do mercado de trabalho da previdência social vai acabar com o único mecanismo de reparação para as mulheres, sem ter solucionado as desigualdades no mundo do trabalho.

A menor participação econômica das mulheres e conseqüente menor capacidade contributiva para a previdência social relacionam-se diretamente aos diferentes papéis sociais que homens e mulheres desempenham no trabalho.

Mulheres têm os salários mais baixos; mulheres sofrem mais conciliando serviço doméstico e trabalho formal; mulheres negras e rurais são ainda mais vulneráveis.

O desastre em Rana Plaza nos chama a dizer não à continuidade da lógica gananciosa que explora nossas vidas e nossos corpos. Os bancos que lucram com a reforma. “PRIVILEGIADOS SÃO OS BANCOS!”

SECRETARIA DA MULHER TRABALHADORA E DOS DIREITOS LGBTI
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