Para atender as demandas da sociedade da época, Belém, considerada a Capital da Borracha, necessitava de um teatro à sua altura já que a cidade vivia uma ampla ascensão econômica. Assim, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, o Theatro da Paz. Idealizado pelo engenheiro militar José Tibúrcio Guimarães, que se inspirou no projeto arquitetônico do Teatro Scala de Milão (Itália), o espaço conta hoje com 900 lugares divididos entre plateia e camarotes, conservando suas cadeiras em madeira e palha, mais adequadas ao calor da época.
Com características grandiosas, o teatro tem uma acústica perfeita, dezenas de obras de arte, madeiras nobres para os pisos de mosaico e afrescos tanto nas paredes quanto no teto, revestidos em folhas de ouro.
Sua fachada, desafia o estilo neoclássico e no alto encontram-se os medalhões das musas que representam as artes cênicas: comédia, poesia, música,dança e tragédia.
Endereço: Avenida da Paz, Praça da República, S/N – Campina, Belém – PA.
CEP 66017-060.
Contato: (91) 3252-8602
Funcionamento: Visitas guiadas de hora em hora. De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Sábados e domingos, das 9h às 12h.
Espetáculos
1882 – Ópera O Guarani, de Carlos Gomes.
1918 – Apresentação de A Morte do Cisne com Anna Pavlova.
1996 – Criação da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.
2023 – Ópera O Auto da Compadecida.
2025 – Encerramento do 52º Encontro de Artes de Belém, com concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.
Trecho da peça:
(CHICÓ) Ah, eu estava morto.
(SEVERINO) Morto?
(CHICÓ) Completamente morto. Vi Nossa Senhora e Padre Cícero no céu.
(SEVERINO) Mas em tão pouco tempo? Como foi isso?
(CHICÓ) Não sei, só sei que foi assim.
(SEVERINO) E que foi que Padre Cícero lhe disse?
(CHICÓ) Disse: “Essa é a gaitinha que eu abençoei antes de morrer. Vocês devem dá-la a Severino, que precisa dela mais do que vocês”.
(p.125)
Dicas para sala de aula
Área de Linguagens
(Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Artes e Educação Física)
O Theatro da Paz, ícone da cultura paraense, é o cenário ideal para discutir a transição entre o Romantismo, o Realismo e o Modernismo no Norte. Mas como a literatura da região dialogava com essa Belém que pretendia ser europeia?
Nomes fundamentais ajudam a responder essa pergunta: Inglês de Sousa, autor de O Missionário e precursor do Naturalismo no Brasil, retratou a sociedade local com precisão cirúrgica. Já Dalcídio Jurandir, mestre do romance regionalista, focou sua obra no “Extremo Norte” e na vida pulsante do povo ribeirinho. Na música, Waldemar Henrique elevou as lendas amazônicas (como Uirapuru) ao ambiente erudito do piano, unindo o folclore à sofisticação técnica.
Somando-se a essa linhagem, a cantora Fafá de Belém, uma das vozes mais potentes do Pará no cenário nacional, iniciou sua trajetória na capital e mantém uma conexão viva com o palco do Theatro em apresentações históricas.
Saiba mais:
Inglês de Sousa
Dalcídio Jurandir
Waldemar Henrique
Fafá de Belém
A resistência cultural no Theatro da Paz surge no esforço de artistas como Theodoro Braga em integrar a identidade regional ao luxo europeu. Preservar a marcenaria em acapu e pau-amarelo é um ato de memória: honra o saber do trabalhador paraense que, mesmo sob a sombra da elite da borracha, eternizou a alma do Pará em cada detalhe do monumento.
Saiba mais:
Sócrates, o “Doutor”, nascido em Belém, foi um gênio dentro de campo e um líder fora dele. Formado em medicina, Sócrates foi o rosto da Democracia Corintiana, movimento que lutou pelo fim da ditadura militar no Brasil durante a década de 1980. Sua elegância no toque de calcanhar era tão famosa quanto seu engajamento político. Já Raí, embora tenha nascido em solo paulista, carrega o DNA do talento paraense. Foi o capitão do São Paulo no bicampeonato mundial e um dos maiores ídolos da história do Paris Saint-Germain (PSG). Raí seguiu os passos do irmão no compromisso social, fundando a organização Gol de Letra.
Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
(Filosofia, Geografia, História e Sociologia)
O Theatro da Paz não é apenas um monumento arquitetônico, é um documento vivo das tensões e sonhos do Pará no século XIX. Para entender sua importância, precisamos olhar além do mármore e mergulhar na história e na geografia da região.
O teatro é o maior símbolo da Belle Époque amazônica. Financiado pela riqueza do Ciclo da Borracha, ele materializou o desejo da elite de transformar Belém em uma metrópole europeia. Sob a gestão do intendente Antônio Lemos, a capital ganhou ares parisienses, com bulevares e bondes elétricos. No entanto, essa modernização evidenciou o abismo social entre o luxo do látex e a realidade da população local que sustentava a economia.
Embora inspirado no Teatro Scala de Milão, a identidade paraense pulsa em cada detalhe do monumento. O contraste entre esse palácio luxuoso e a vida cotidiana na Amazônia é o que define nossa formação social. Como bem observaram intelectuais como Inglês de Sousa e Dalcídio Jurandir, o teatro não é apenas pedra e cal; é o ponto de encontro onde a cultura erudita europeia foi confrontada pelas raízes profundas do Pará.
Saiba mais:
‘Ouro branco da Amazônia’: como o látex transformou Belém na ‘Paris n’América’ e explorou os trabalhadores da borracha (Reportagem G1)
Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias
(Biologia, Física e Química)
O Theatro da Paz funciona como um verdadeiro laboratório histórico. Sua estrutura foi planejada para desafiar o clima úmido da Amazônia e garantir que a acústica e o conforto térmico fossem perfeitos, décadas antes da tecnologia moderna.
Biologia e Botânica: O motor econômico que ergueu o teatro foi a borracha, extraída do látex da seringueira (Hevea brasiliensis). No interior, o uso de madeiras nobres como o acapu e o pau-amarelo não foi apenas uma escolha estética; elas foram selecionadas por sua alta resistência natural a fungos e cupins. O botânico Adolpho Ducke é o nome de destaque aqui, por ter catalogado a flora amazônica e as propriedades fundamentais dessas árvores.
Conservação Preventiva: Diferente de uma reforma comum, a conservação em Belém exige uma luta constante contra a umidade e o calor. Esse trabalho envolve desde a manutenção química das delicadas folhas de ouro até o tratamento especializado das madeiras seculares para evitar infestações, preservando a integridade do edifício para as futuras gerações.
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Área de Matemática e suas Tecnologias
Sob o comando do engenheiro José Tibúrcio Guimarães, o Theatro da Paz foi erguido no estilo neoclássico, priorizando a precisão técnica. O formato em “ferradura” da plateia e a escolha de materiais porosos garantiram uma acústica impecável e a circulação de ar necessária para o clima de Belém, favorecendo o resfriamento passivo do ambiente. No teto, a arte de Domenico de Angelis coroa essa engenharia de prestígio.
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