Teatro Guaíra (1884) | APP-Sindicato

Teatro Guaíra (1884)


Originalmente batizado de Theatro São Teodoro, o Teatro Guaíra foi fundado em 24 de setembro de 1884. Passou a se chamar Theatro Guayrá em 1900 e funcionou até 1933 na Rua Dr Muricy.  

A nova sede do teatro foi projetada por  Rubens Meister e trouxe um viés mais moderno, usando linhas retas, volumes definidos e concreto armado. Tem na fachada um mural feito por Poty Lazzarotto intitulado O Teatro no Mundo. A construção começou em 1952 e, em 1954, é inaugurado o Guairinha, primeiro dos três auditórios. Em 1974 inaugurou-se o Guairão e no ano seguinte, o último dos três auditórios.

Com 16,9 mil m2 e capacidade para 2,8 mil pessoas, o complexo está dividido abriga além dos  três auditórios: Bento Munhoz da Rocha Netto, Salvador de Ferrante e Glauco Flores de Sá Brito, toda a parte administrativa e espaço para seus quatro corpos artísticos: a Orquestra Sinfônica do Paraná, o Balé Teatro Guaíra, o G2 Cia de Dança e a 

Escola de Dança. 

Endereços: 

O Centro Cultural Teatro Guaíra possui três entradas para o público:

Rua Conselheiro Laurindo, 175 (Guairão e bilheteria)

Rua XV de Novembro, 971 (Guairinha e administração)

Rua Amintas de Barros, 70 (Miniauditório e portaria)

Curitiba – PR 

Contatos:

(41) 3304-7900 / 3304-7999

Funcionamento: Visitas guiadas somente com agendamento prévio pelo (41) 3304-7907, em horário comercial.

Espetáculos

1980Auto da Compadecida, adaptação da obra de Ariano Suassuna.

1970 e 1980O Pagador de Promessas, clássico de Dias Gomes.

1980 –  Montagens de Macunaíma, de Mário de Andrade.

1990 – Participação no Festival de Teatro de Curitiba.

2000 – Espetáculos do Ballet Bolshoi.

1970 e 1980 – Peças de Nelson Rodrigues.

2000 – Musicais e espetáculos contemporâneos variados.

Trecho da peça:

(CHICÓ) João! João! Morreu! Ai meu Deus, morreu pobre de João Grilo! Tão amarelo, tão safado e morrer assim! Que é que eu faço no mundo sem João? João! João! Não tem mais jeito, João Grilo morreu. Acabou-se o Grilo mais inteligente do mundo. Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. Que posso fazer agora? Somente seu enterro e rezar por sua alma. 

(Entra na igreja, limpando as lágrimas e aqui pode-se novamente interromper o espetáculo. Se se montar a peça com dois cenários, organiza-se então a cena para o julgamento que se segue. Mas pode-se continuá-lo com o mesmo cenário, usando-se somente pequenas modificações, já sugeridas no início e que o próprio texto a seguir esclarece.)

(p.133.134)

Dicas para sala de aula

Área de Linguagens

(Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Artes e Educação Física)

Literatura, teatro e a identidade paranaense

O Teatro Guaíra, epicentro da cultura sulista, é o cenário perfeito para discutir movimentos como o Simbolismo e o Modernismo no Sul, mas também a força das artes cênicas e do audiovisual. Na literatura, nomes fundamentais marcam o estado como Emiliano Perneta, coroado o “Príncipe dos Poetas” do Simbolismo, e Helena Kolody, cuja poesia intimista inovou com os haicais. 

Na prosa, Dalton Trevisan, o “Vampiro de Curitiba”, retratou a sociedade urbana local com ironia cirúrgica.

Nos palcos e nas telas, a força curitibana se destaca em atrizes como Guta Stresser. Nascida em Curitiba, Guta iniciou sua trajetória artística nos teatros locais antes de conquistar o país como a icônica Bebel de “A Grande Família”. Conhecida por sua forte ligação com as pautas sociais e a educação pública, a atriz já visitou a sede da APP-Sindicato, reforçando o papel do artista engajado na luta popular.

Nas artes visuais, Poty Lazzarotto elevou a identidade local ao concreto da fachada do teatro, unindo o expressionismo às raízes paranaenses.

Saiba mais:

Atriz Guta Stresser e APP firmam parceria para fortalecer vínculos entre educação e cultura

Helena Kolody

Dalton Trevisan

Poty Lazzarotto

Arte, música e instrumentos

A resistência cultural no Guaíra consolidou-se através da criação do Balé Teatro Guaíra durante a ditadura militar. Preservar o acervo de figurinos e coreografias históricas é um ato de memória política e mostra que a dança paranaense resistiu à censura e eternizou as angústias da sociedade em movimentos técnicos e contemporâneos.

Saiba mais:

História do Balé Teatro Guaíra

Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP)

A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) nos seus 41 anos de história e formação de plateias, fundada em 28 de maio de 1985, pelo maestro Alceo Bocchino e pelo compositor Osvaldo Lacerda, é a primeira orquestra pública do estado. Tendo o Guairão como sua casa oficial, o corpo artístico é reconhecido internacionalmente por sua precisão técnica e versatilidade, transitando com maestria entre os grandes concertos clássicos, óperas e montagens históricas em parceria com o Balé Teatro Guaíra.

A OSP cumpre um papel pedagógico essencial no estado através do projeto Guaíra para Todos, que leva concertos didáticos gratuitos para escolas públicas e municípios do interior, democratizando o acesso à música erudita. 

Saiba mais:

Orquestra Sinfônica do Paraná (Teatro Guaíra)

Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

(Filosofia, Geografia, História e Sociologia)

Ecossistema da Araucária, o pinhão e o Paraná Moderno

A Araucaria angustifolia (Pinheiro-do-Paraná) é o símbolo máximo da paisagem do Paraná. Cientificamente associada à Floresta Ombrófila Mista, essa árvore majestosa cobria grande parte do território planáltico paranaense. O pinhão, sua semente, não é apenas a base da alimentação da fauna local (como a gralha-azul, ave símbolo do estado), mas foi também o esteio de subsistência de povos indígenas e, mais tarde, um pilar da culinária tradicional paranaense. Discutir a araucária em sala de aula é abordar a geografia física, o clima subtropical úmido e, crucialmente, a urgência da preservação ambiental.

Essa mesma riqueza natural conecta-se diretamente à história urbana: o Teatro Guaíra surgiu como o grande símbolo do projeto “Paraná Moderno”, impulsionado economicamente justamente pelos ciclos do café e da exploração da madeira (como as próprias araucárias). Planejado para ser inaugurado no Centenário da Emancipação Política do Paraná (1953), o monumento materializou o desejo da elite política da época de vender Curitiba como uma “capital modelo”, higienizada e europeizada, revelando as tensões entre o avanço econômico e a identidade local.

Saiba mais:

Florestas de Araucária e o Pinhão (Embrapa)

História do Teatro Guaíra e do Paraná Moderno (SEEC-PR)

Ciclos econômicos da história paranaense

Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

(Biologia, Física e Química)

Sinfonia da natureza

A biologia do Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia) é fascinante para o estudo da botânica (Gimnospermas) e das interações ecológicas. O pinhão não possui fruto, pois a semente é “nua”, e sua dispersão depende diretamente de relações de mutualismo, ou seja, a interação em que ambas as espécies se beneficiam.

Nesse cenário, a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) – ave símbolo do Paraná – e pequenos roedores nativos, como a cutia, desempenham o papel de verdadeiros “jardineiros da floresta” nos ecossistemas do nosso estado. Nas matas que cercam Curitiba e cobrem os planaltos paranaenses, esses animais têm o hábito de enterrar os pinhões no solo para garantir um estoque alimentar durante os meses de inverno. Como muitas dessas sementes acabam esquecidas, elas encontram as condições ideais para germinar, perpetuando o ciclo de nascimento do Pinheiro-do-Paraná e garantindo a sobrevivência da nossa floresta nativa.

Saiba mais:

Pinheiro-do-Paraná

Araucária: a história do pinheiro brasileiro

Gralha-azul

Área de Matemática e suas Tecnologias

Matemática e suas formas e acústica

Sob o comando do arquiteto Rubens Meister, o Teatro Guaíra foi erguido utilizando os princípios da geometria modernista e do cálculo estrutural de grandes vãos em concreto armado. A curvatura parabólica do teto do Guairão e o cálculo trigonométrico das fileiras da plateia (curva de visibilidade) garantem que a dispersão das ondas sonoras ocorra de forma uniforme até a última galeria, minimizando zonas de sombra acústica.

Saiba mais:

Quem foi Rubens Meister, arquiteto que projetou o Teatro Guaíra?

Teatro Guaíra – Construção

O sistema de transporte de Curitiba

Para além dos palcos, a matemática desenhou a própria dinâmica urbana da capital.  Essa história começa na década de 1940 com o Plano Agache, que propôs as grandes avenidas e anéis perimetrais que estruturaram o crescimento da cidade.

Nos anos 1970, essa base geométrica foi revolucionada e, em vez de focar no automóvel, Curitiba adotou o desenvolvimento linear. O sistema de canaletas exclusivas e os eixos estruturais funcionam como uma grande equação de otimização de fluxo de massas.

Mais tarde, a introdução das icônicas estações-tubo e dos ônibus biarticulados envolveu cálculos complexos de matriz origem-destino, intervalos de tempo e modelagem geométrica para o embarque em nível – transformando o urbanismo em uma ciência exata aplicada à mobilidade do trabalhador.

Saiba mais:

O modelo de transporte público de Curitiba na contramão das ideias estrangeiras adotadas no Brasil

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