Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas nasceu para atender os desejos da elite de Manaus que vivia seu apogeu durante o ciclo da borracha. Sua construção pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa começou em 1884 e trouxe para a cidade tanto materiais (mármore de Carrara, lustres de Murano, telhas francesas) quanto profissionais (pintores, escultores, decoradores, arquitetos) europeus.
Com capacidade para 701 pessoas, a sala de espetáculos está dividida em platéia, frisas e três pavimentos.
De estilo renascentista, o prédio tem uma cúpula única composta por 36 mil escamas de cerâmica esmaltadas vindas da Alsácia, o que o tornou um dos monumentos mais conhecidos do país, pois traz as cores verde e amarela da bandeira. As escadas, colunas e estátuas, em estilo clássico, vieram da Itália e no teto côncavo há telas que representam a música, a dança, a tragédia e a ópera. O pano de boca, confeccionado em 1894, descreve o encontro dos rios Negro e Solimões.
Em 1971, foi criado o Museu do Teatro com um acervo de peças raras e equipamentos usados em seus primórdios.
Por seu palco passaram artistas como José Carreras, Roger Waters, Heitor Villa- Lobos, Bibi Ferreira, Ana Botafogo, Milton Nascimento entre outros.
Endereço: Largo de São Sebastião – Centro, Manaus – AM.
CEP 69067-080
Contato: (92) 3131-2450
Funcionamento: Visitas guiadas de terça a sábado, das 9h às 17h, e domingos e feriados, das 9h às 13h.
Espetáculos
1966 – Vento nos Ramos de Sassafrás, por Mario Brasini.
1991 – Bibi in Concert.
2010 – Bibi Canta e Conta Piaf
acompanhada pela Orquestra Amazonas Filarmônica.
2025 – Auto da Compadecida, apresentação da produtora Artemax.
Trecho da peça:
(DEMÔNIO, saindo da sombra, severo.)
Calem-se todos. Chegou a hora da verdade.
(SEVERINO) Da verdade?
(BISPO) Da verdade?
(PADRE) Da verdade?
(DEMÔNIO) Da verdade, sim.
(JOÃO GRILO) Então já sei que estou desgraçado, porque comigo era na mentira.
(p.139)
Dicas para sala de aula
Área de Linguagens
(Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Artes e Educação Física)
A imponência do Teatro Amazonas reflete a riqueza cultural da “Paris dos Trópicos”. Na literatura, o estado moldou intelectuais como Milton Hatoum, cuja obra-prima “Dois Irmãos” atua como um retrato fiel da identidade urbana e das heranças migratórias de Manaus. Na poesia, Thiago de Mello imortalizou a sensibilidade da floresta no icônico estatuto “Os Estatutos do Homem”, unindo arte e direitos humanos.
Essa mesma força criativa ecoa na voz marcante de Eliana Printes e no pop amazônico do antológico duo Carrapicho. No teatro e na dança, as cortinas do palco retratam o “Pano de Boca” original de 1894, que ilustra o Encontro dos Rios.
Em Educação Física e Artes, o festival folclórico e o ritmo do Boi-Bumbá (Garantido e Caprichoso), apresenta coreografias com a expressão corporal dos povos originários do Amazonas.
Saiba mais:
Teatro Amazonas
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
(Filosofia, Geografia, História e Sociologia)
A fundação do Teatro Amazonas, em 1896, materializa o apogeu econômico do ciclo da borracha, que gerou uma drástica transformação urbana impulsionada pela riqueza dos barões do látex.
Em História e Sociologia, a opulência da elite manauara – que importava mármore de Carrara e telhas da Alsácia – contrasta com a realidade de exploração enfrentada pelos seringueiros e populações tradicionais no interior da floresta.
Em Geografia, as linhas do “Pano de Boca” do teatro ganham vida ao estudar a hidrografia amazônica e o encontro dos Rios Negro e Solimões (Encontro das águas), compreendendo as bacias fluviais como as grandes autoestradas logísticas para o comércio global da época.
Sob a perspectiva da Filosofia, a imposição da arquitetura renascentista europeia no coração do hemisfério norte brasileiro abre um debate essencial sobre o Eurocentrismo e a resistência da sabedoria ancestral dos povos originários.
Saiba mais:
Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias
(Biologia, Física e Química)
Manaus é o lugar onde a engenharia humana encontra a força bruta e a delicadeza da natureza de forma única. Esse cenário de contrastes que se estende desde a opulência histórica da Belle Époque no Teatro Amazonas até a sabedoria das comunidades tradicionais que vivem à beira dos rios, é o que torna a cidade um laboratório.
Biologia: Nas florestas de terra firme, a vida se renova através do mutualismo. A reprodução da Castanheira-do-Pará (Bertholletia excelsa) depende de polinizadores nativos e da cutia – roedor que atua como o “jardineiro da floresta” ao quebrar os ouriços e espalhar as sementes.
Física e Química: Preservar o Teatro Amazonas no clima equatorial exige superar desafios do estudo da acústica do teto côncavo e da ciência dos materiais, analisando os tratamentos químicos necessários para proteger madeiras e metais seculares contra a altíssima umidade e pragas tropicais.
Saiba mais:
Castanheira-do-Pará
Preservação do Teatro Amazonas – tombado pelo Iphan em 1966
Área de Matemática e suas Tecnologias
O projeto arquitetônico do Teatro Amazonas exigiu o domínio de simetrias bilaterais rígidas e proporções áureas para erguer os grandes vãos livres do estilo renascentista clássico. O maior destaque está na cúpula externa: um estudo prático de geometria espacial e trigonometria esférica, onde os engenheiros calcularam a disposição concêntrica de 36 mil escamas de cerâmica vitrificada para cobrir perfeitamente a estrutura curva, garantindo a harmonia visual do monumento.
Para além dos palcos históricos, a matemática desenha o futuro da automação e da dinâmica urbana da capital. Essa trajetória ganha força nas comunidades ribeirinhas com os Clubes de Robótica da rede municipal, que utilizam equações de álgebra linear, lógica matricial e geometria analítica para programar sensores e motores, transformando o aprendizado em uma ciência exata aplicada ao desenvolvimento social.
Essa mesma base analítica sustenta a engenharia de alta tecnologia e a Indústria 4.0 no Polo Industrial de Manaus. Os hubs de inovação e os sistemas de automação industrial da Zona Franca funcionam como uma grande equação de otimização de fluxos.
Saiba mais:
Estrutura do Teatro Amazonas




















