TCE aponta ventilação inadequada, falta de funcionários(as) e internet precária na rede estadual

TCE aponta ventilação inadequada, falta de funcionários(as) e internet precária na rede estadual

Em 79,5% dos colégios, os serviços de conexão à internet oferecidos pelo Estado são precários ou totalmente ineficazes, aponta auditoria

Janelas que não abrem para ventilar as salas de aula, falta de funcionários e de produtos para a higienização e escassez de equipamentos para transmissão de aulas online são alguns dos problemas nas escolas da rede pública estadual apontados em relatório do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE), divulgado nessa quarta-feira (22).

Em 79,5% dos colégios, os serviços de conexão à internet oferecidos pelo Estado são precários ou totalmente ineficazes.

A auditoria identificou também que 34% das escolas não estão equipadas de maneira adequada para transmitir as aulas para os alunos que continuam no ensino remoto, principalmente pela falta de projetores, computadores, microfones e câmeras.

A fiscalização foi realizada em julho e agosto deste ano, para avaliar as condições da volta às aulas presenciais, iniciada em maio pelo governo Ratinho Jr. Foi constatado que em 14,3% das escolas as janelas não abrem de forma satisfatória para arejar as salas de aula e demais ambientes escolares.

“A boa ventilação dos locais, via abertura de portas e janelas, é uma das principais medidas preconizadas pela Resolução nº 735/2021 da SESA-PR, norma que atualizou, recentemente, as medidas de prevenção, monitoramento e controle da Covid-19 nas instituições de ensino públicas e privadas do Paraná”, registra o relatório.

A falta de trabalhadores para higienizar as escolas é outra carência grave apontada pelo TCE. Em 13,5% das escolas não há profissionais para limpar adequadamente os banheiros – 6,3% delas não dispõem de produtos de limpeza em quantidade suficiente.

O relatório aponta que boa parte das escolas não está preparada sequer para enfrentar o racionamento de água e garantir a higiene de alunos(as) e educadores(as) – em 17,2% delas as caixas d’água não são suficientes para atender à demanda da escola em caso de interrupção no fornecimento.

Esse percentual sobe para 32% entre as escolas estaduais localizadas na Região Metropolitana de Curitiba, onde há racionamento de água desde o ano passado.

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Metodologia

A auditoria foi realizada por meio da aplicação de questionários aos(às) gestores(as) das escolas estaduais sobre a prevenção da Covid no contexto da retomada das aulas presenciais. Os formulários foram respondidos por 1.950 dos 2.116 estabelecimentos que compõem a rede estadual de ensino (92,16% do total), situados em 395 dos 399 municípios do Paraná.

Posteriormente, as respostas foram validadas pela equipe de fiscalização do TCE com visitas técnicas em 82 escolas selecionadas por amostragem.

As instituições de ensino fiscalizadas in loco estão situadas em 22 municípios: Antonina, Araucária, Cambará, Cambé, Campo Largo, Cascavel, Colombo, Curitiba, Guarapuava, Guaratuba, Ibiporã, Jacarezinho, Londrina, Matinhos, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná, Prudentópolis, Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina, São José dos Pinhais e Toledo.

Foto de capa: Caco Argemi / CPERS