Sobrecarga e assédio atingem mais de 30% dos professores(as) do ensino fundamental, revelam pesquisas APP-Sindicato

Sobrecarga e assédio atingem mais de 30% dos professores(as) do ensino fundamental, revelam pesquisas

Estudo identificou docentes responsáveis por quantidade absurda de 525 estudantes; no Paraná, educadores(as) denunciam pressão e adoecimento

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Dados para Um Debate Democrático na Educação (D3e), com a Fundação Carlos Chagas (FCC) e o Itaú Social, aponta que 30% dos(as) professores(as) que trabalham nos anos finais do ensino fundamental (do sexto ao nono ano) sofrem com a sobrecarga de trabalho.

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Veiculada no jornal Valor Econômico, a pesquisa avaliou a rotina de professores(as) brasileiros(as) de escolas públicas e privadas. O documento aponta que os(as) educadores(as) atendem em média 300 estudantes por ano, número elevado e muito acima do recomendado por especialistas.

Para entender esse número alto, é preciso lembrar que muitos educadores(as) trabalham em mais de uma unidade escolar. O Censo da Educação Básica de 2019 aponta que 45% professores(as) dos anos finais do ensino fundamental atuam em mais de uma escola e 30% em mais de uma rede de ensino, ou seja, trabalham em escolas públicas ou privadas ou mesmo intercalam aulas em escolas estaduais e municipais.

Vale ressaltar que na avaliação houve uma discrepância nos dados já que, em alguns casos, professores(as) trabalhavam com 11 alunos(as), outros(as) amargavam com a responsabilidade de 525 estudantes.

Ao contrário da realidade brasileira, os(as) especialistas entendem que o número ideal de alunos(as) por professor seria em torno de  210, o que representa aproximadamente sete turmas de 30 alunos(as).

Os dados demonstram a distância que o Brasil vive em relação à educação de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão e França, nos quais os(as) docentes lecionam em apenas uma escola e a quantidade máxima de estudantes por professor(a) é de 280.

Ainda de acordo com o estudo, sete políticas públicas podem garantir um número menor de alunos(as) por professor(a). Entre essas políticas estão: jornada de trabalho em período integral; limitar a carga horária para 40 horas semanais; um terço da jornada para trabalho extraclasse; remuneração equivalente à média de outras ocupações com mesmo nível de formação; concentrar a atuação em apenas uma escola; repensar a organização das matrizes curriculares e ter turmas nos anos finais do ensino fundamental com no máximo 30 alunos(as).

E no Paraná?

Para avaliar a situação dos educadores(as) no Paraná, a APP também realizou uma pesquisa com 3,8 mil educadores(as), questionando sobre as condições de trabalho nas escolas estaduais.

A pesquisa foi realizada em maio de 2022 e foi lançada como forma de contraponto à avaliação “Professor Diamante”, questionário da Secretaria da Educação (Seed) para que alunos(as) avaliassem professores(as).

Além das questões quantitativas, cerca de 1,8 mil educadores(as) responderam a uma pergunta opcional e aberta:  “Quais as maiores dificuldades enfrentadas na sua escola?”. Os resultados produziram uma amostragem valiosa dos anseios e preocupações da categoria.

Denúncias de pressão, assédio, sobrecarga e cobranças excessivas compõem a segunda categoria mais citada, presente em 41,5% das respostas. Já o adoecimento e a desmotivação aparecem em 16,6% das respostas.

Outro dado relevante captado pela pesquisa é a grande proporção de profissionais que trabalham em mais de uma escola estadual: 44,6%, com cerca de 16% do total completando a sua carga horária em mais de duas escolas. Além disso, 13,2% dos(as) educadores(as) enfrentam salas lotadas e 9,17% relatam a falta de professores(as) em suas unidades escolares.

A informação desvela mais um fator de precarização do trabalho e da qualidade da educação pública, uma vez que a sobrecarga dos(as) educadores(as) e a necessidade de trabalhar em múltiplas escolas prejudicam o bom desenvolvimento do processo pedagógico.

:: Confira a pesquisa da APP na íntegra aqui


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