Semana de luto e luta: é 30 de agosto outra vez!

Semana de luto e luta: é 30 de agosto outra vez!


testeMobilização em Curitiba relembrará atos de violência contra educadores(as)

“Abaixo à repressão!” era com essas palavras de ordem que os educadores e educadoras pediam por paz no dia 30 de agosto de 1988.  Reunidos(as) na Praça Nossa Senhora da Salete, mais de 3 mil professores(as) e funcionários(as) presenciaram o horror de um massacre que marcou a história da educação pública no Paraná.

No fatídico dia, a categoria foi recebida por bombas e pela cavalaria do então governador Álvaro Dias em um ataque violento e covarde. “Eu me lembro bem sobre como foi injusto e covarde. Estávamos em uma passeata organizada pela APP e havia um sentimento de lutar por justiça muito forte e muito pacífico. Não tínhamos piso, não tínhamos nada comparado aos direitos que temos hoje e assim fomos com nossos filhos para manifestar contra essas péssimas condições de trabalho”, relembra a professora Maria Adelaide Mazza, uma das feridas durante o confronto.

“Foi chocante. Quando eu vi um policial vindo com o cavalo para cima do nosso grupo eu não consegui correr, foi uma surpresa tão grande que eu fiquei parada, minhas pernas não obedeceram e a bomba que ele lançou acertou tão perto que tive queimaduras em todo o corpo. Durante vários anos depois desse dia eu tinha medo quando via um policial”, se emociona a professora.

A então presidente da APP-Sindicato na época, professora Isolde Andreatta explica que em 88 a categoria vivia uma greve para buscar que os(as) professores(as) tivessem um piso salarial. Dentro de um contexto de início de democracia e de hiperinflações, lutar por um piso era fundamental para não ter o salário corroído pela economia instável.  “Estávamos em greve há 15 dias e havia um grupo acampado dentro da assembleia para buscar apoio dos deputados. Queríamos a aprovação de uma lei que garantisse um piso de três salários mínimos, além de melhorias nas condições de trabalho. Na nossa história, nenhuma conquista veio de graça”, conta a professora. “É uma ferida difícil de ser apagada, o nosso âmago foi ferido. Fomos às ruas muito alegres, cantávamos. Eu estava no carro de som. Quando chegamos o susto e a decepção foram imensos”, rememora a professora ao contar que lembra desse dia com pesar.

O dia 30 de agosto de 1988 deixou seqüelas físicas, psicológicas e históricas. A brutalidade do ataque da polícia contra os(as) manifestantes serviu de bandeira para o Sindicato: 30 de agosto, o dia que educação nunca irá esquecer; a data é mote de luta e nomeia também um dos principais veículos de comunicação da APP, o jornal 30 de agosto, que leva à categoria e comunidade escolar as notícias e respostas sobre a pauta.

Sobre a data a professora Isolde faz uma reflexão. “Como sempre, o governo tentou culpar a polícia e a categoria. Para ele, nós não vimos nenhuma punição jurídica, mas houve uma punição política, tanto que o Álvaro tentou se reeleger governador duas vezes e não conseguiu”, avalia ao atestar que uma das maiores ferramentas de mudança para uma sociedade é a consciência sobre os fatos históricos.

O 30 de agosto se repetirá com grande passeata da categoria pela 27ª vez este ano. No sábado, dia 29 de agosto, professores(as), funcionários(as), alunos(as) e comunidade sairão às ruas de Curitiba em tradicional marcha na defesa da educação pública e para repudiar a violência. Às 8h da manhã a categoria fará uma assembleia, na Praça Santos Andrade, no Centro da capital paranaense, em seguida, todos e todas marcharão até a o Centro Cívico para dizer: violência nunca mais.

A assembleia e a marcha acontecerão no dia 29, exatamente quatro meses após o massacre ter se repetido como tragédia. Por isso, este ano, a violência de Álvaro será relembrada, mas também a truculência do governador Beto Richa, que usou sua polícia armada e seu despreparo administrativo para atacar a categoria. Em 88 foram dezenas de feridos, em 2015, centenas. A história se repetiu como tragédia.  “Sabe por que eu sou aposentada e continuo militando? Porque eu acredito em um mundo mais justo. O que aconteceu este ano foi muito pior que 88, a gente não pode parar”, conta a professora Maria Adelaide ao sintetizar os ideais da luta da APP-Sindicato.

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