Revogação de “Resolução da Maldade” não interfere nas finanças do Estado


Uma reunião foi convocada às pressas pelo governo do Paraná com a APP-Sindicato, nesta quinta-feira (08), no Palácio Iguaçu, em Curitiba (PR). Os(as) representantes do executivo fizeram apelo para que não haja greve.

A impressão é de que a data foi escolhida a dedo e proposital antes de iniciar as atividades da Assembleia da APP, neste sábado (11), em Maringá (PR). No entanto, o apelo foi respondido pelos(as) representantes da APP, esclarecendo que a decisão não é unitária e sim da categoria, afirmando que a pauta é de todos(as) e será decidida coletivamente. A direção do sindicato enfatizou que sempre esteve aberta a dialogar, ao contrário do governo, que tem apenas  comunicado decisões, como comprovado nas últimas reuniões impositivas, prevalecendo a intransigência governamental.

O secretário chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, voltou a afirmar que o Estado passa por dificuldades e reforçou que o governo não voltará atrás em relação às medidas da Resolução 113/2017,  dizendo que “são benéficas aos(às) servidores(as) públicos(as)”.

Mais uma vez a direção da APP apresentou cálculos que comprovaram os números reais dos cofres públicos e das suas receitas. O economista Cid Cordeiro exemplificou que hoje o cenário econômico é melhor do que o apresentado em janeiro do ano passado. “A taxa de juros caiu e provavelmente o Brasil vai crescer 1%. O cenário pessimista impossibilita o governo e causa entraves”, ressaltou Cid Cordeiro. Cordeiro também questionou porque as medidas de economia não atingem outros setores, como a redução no número de cargos comissionados, por exemplo.

Esses temas financeiros vêm sendo contestados pela APP desde a metade do ano passado, culminando com a Resolução 113/2017, que está causando tumulto e desespero da categoria abalada com tanta crueldade. Trabalhar 20 horas para sustentar uma família com o salário da educação é inadmissível e desumano. Neste contexto, a secretária Educacional da APP, professora Walkiria Olegário Mazeto, lembrou que o secretário Valdir Rossoni insiste em dizer que a mesa é de diálogo, mas, que usa o diálogo para dizer que não pode avançar. Lembrou ainda que “a classificação dos professores QPM e PSS não interferem nos recursos financeiros, assim como a maioria das nossas solicitações. Por isso, a classificação está causando distorções e os professores estão ficando doentes. É só visitar os colégios para vivenciar a realidade”, enfatizou Walkiria.

Ao final do encontro, atendendo a imprensa, a secretária de Finanças da APP, professora Marlei Fernandes, disse que não era esperado que o governo fosse recuar, e que continua com a mesma tônica falando que existe uma crise. “Em 30 anos nunca presenciamos isso no magistério e dissemos claramente que a Resolução da Maldade, como denominamos, mostra uma forma cruel de distribuição de aulas, sendo que essa distribuição não tem nenhum impacto financeiro, mas, o governo insiste. O governo fez um apelo para que não haja greve. Nós não gostamos de greve e queremos começar o ano em paz. Assim, fizemos um apelo de volta ao governo pedindo a suspensão dessa resolução para começar o ano letivo adequadamente”. Marlei Fernandes frisou que a questão da greve será pautada na Assembleia pela categoria unificada e forte, sendo que foi feito um pedido ao governo com prazo para que recue até essa sexta-feira (10) para negociar de fato, acabando com  as maldades para restabelecer um bom processo.

Participaram da reunião Marlei Fernandes de Carvalho, Walkiria Olegário Mazeto, Nádia Aparecida Brixner, Rose Mari Gomes, Mário Sergio Ferreira de Souza,  Ralph Charles Wandpap e o economista Cid Cordeiro, além dos(as) representantes do governo.