Ratinho mente: escolas estaduais na mira da privatização têm bom desempenho no Ideb

Ratinho mente: escolas estaduais na mira da privatização têm bom desempenho no Ideb

Ao contrário do que alega o Executivo, mais da metade das escolas registraram um desempenho superior ao registrado em 2019

Apenas seis das 27 escolas estaduais colocadas à venda pelo governo Ratinho Junior apresentaram queda no Ideb 2021 na comparação com 2019, último ano de realização do Saeb pré-pandemia.

Os dados são do Inep e desmentem o discurso do governo Ratinho Junior, que tenta justificar o leilão sem precedentes com base no susposto mau desempenho no índice padronizado.

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Ao contrário do que alega o Executivo, 14 escolas – mais da metade – registraram um desempenho superior no Ideb 2021 frente a 2019 nos Anos Finais ou no Ensino Médio.

Cinco delas atingiram índices iguais ou melhores do que a média estadual, de 4,6 no Ensino Médio e 5,2 nos Anos Finais.

Mesmo considerando aquelas que apresentaram queda, a média de todas as escolas em ambas as modalidades é muito próxima dos resultados alcançados pela rede e utilizados pelo governador para propagandear o que considera a melhor educação do Brasil.

O levantamento também derruba outro argumento central do governo: a falta de capacidade de gestão da rede. Apesar da desvalorização, da pressão e do assédio, a categoria tem demonstrado desempenhar o seu trabalho com excelência mesmo nos critérios meritocráticos impostos pela Seed.

A APP tem profundas críticas a esta concepção de educação bancária, voltada a testes padronizados e não ao aprendizado e à formação crítica dos estudantes, mas fato é que o governo cai em contradição ao se valer do Ideb para fazer propaganda política ao passo em que atribui à incapacidade de gestão resultados ruins que não existem.

Terraplanismo pedagógico

Por fim, cabe lembrar: não há evidência científica que justifique repassar a gestão de escolas públicas para a gestão de atores não-estatais.

Pesquisadores analisaram artigos científicos sobre experiências de gestão escolar compartilhada com o setor privado e concluíram que o modelo não melhora os índices de desempenho e ainda aumenta a segregação social e racial.

Trata-se de terraplanismo pedagógico. A única motivação real das terceirizações é assegurar a transferência de R$ 220 milhões para o bolso de empresários(as) ainda em 2023.

A luta continua para salvar a educação que construímos ao longo de décadas de empenho e dedicação, por uma escola pública, gratuita e de qualidade para todos e todas. A escola não é do governador, nem dos amigos do governador. A escola pública é nossa!


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