Ratinho Junior cancela reunião marcada para negociar com servidores(as) públicos

Greve continua e novas categorias devem aderir ao movimento

Servidores(as) continuam mobilizados em todo estado - Foto: APP-Sindicato

A coordenação do Fórum das Entidades Sindicais (FES) recebeu no início da noite desta terça-feira (25) a informação de que o governador Ratinho Junior (PSD) determinou o cancelamento de uma reunião que estava marcada para esta quarta-feira com o comando da greve dos servidores(as) públicos.

O encontro estava previsto para as 11h e tinha o objetivo de resolver o impasse criado pelo próprio governo por não recompor, desde 2016, as perdas da inflação nos salários do funcionalismo. Não foi informado o motivo do cancelamento.

Para a coordenação do FES, a decisão do governador demonstra, mais uma vez, sua falta de interesse em dialogar com os servidores(as) e buscar uma solução para a greve. A expectativa é de que Ratinho Junior reveja o posicionamento.

As lideranças sindicais reiteram que o movimento continua e vai se ampliar com a adesão de mais categorias. Em Curitiba, está mantida a programação com concentração em frente ao Palácio Iguaçu, às 9h, e protesto em frente a Secretaria da Fazenda (Sefa), às 15h.

Só promessas

Em 2018, Ratinho liderou um grupo de deputados(as) na Assembleia Legislativa do Paraná para exigir da ex-governadora Cida Borghetti o pagamento da reposição salarial, a data-base. Na época, o então deputado publicou em sua rede social uma entrevista, de cerca de quatro minutos que concedeu ao vivo a um canal de TV, onde defendeu a reivindicação dos servidores(as).

Durante a campanha eleitoral, Ratinho Junior prometeu se reunir com os sindicatos em um dos primeiros atos do seu governo para garantir o pagamento da data-base. Passados seis meses de gestão, Ratinho ainda não se reuniu com os sindicatos.

No início deste ano, em outra promessa, o governo disse que teria uma proposta até o final de abril. Não cumpriu.

O governo só passou a dialogar oficialmente com os(as) trabalhadores(as) depois da manifestação que reuniu mais de 10 mil em Curitiba, no último 29 de abril. Dessa vez a promessa era apresentar uma proposta em até 30 dias.

Foram realizadas oito reuniões entre técnicos(as) e lideranças dos sindicatos para debater a pauta de reivindicações. O prazo acabou e o governo não fez nenhuma proposta, empurrando os servidores(as) para a greve.

Dois meses de salário a menos

Os(as) trabalhadores(as) reivindicam o pagamento de 4,94% referente a inflação dos últimos 12 meses, e a negociação dos atrasados. As perdas acumuladas passam de 17%. De acordo com o economista Cid Cordeiro, os servidores(as) estão deixando de receber o equivalente a dois meses de salário por ano.

Segundo os estudos orçamentários do FES, com base em relatórios oficiais divulgados pela Secretaria da Fazenda, o governo Ratinho Junior tem condições de atender a reivindicação dos(as) servidores(as) sem qualquer risco para a saúde financeira do estado.

As informações são assinadas pelo economista Cid Cordeiro. O especialista destaca que o gasto com pessoal é o menor dos últimos 10 anos. Em março deste ano, a imprensa oficial do governo do Paraná divulgou que o estado lidera o ranking nacional de saúde financeira. Em 2018, a arrecadação com impostos foi R$ 2,2 bilhões a mais do que o previsto pela Sefa.