Proposta do Governo Ratinho Jr para o Ensino Médio é autoritária e neoliberal

Proposta do Governo Ratinho Jr para o Ensino Médio é autoritária e neoliberal

Referencial Curricular foi elaborada sem a participação das comunidades escolares e empobrece os conteúdos educativos

O Referencial Curricular para o Ensino Médio proposto pelo Governo do Paraná é excludente e não resolverá os principais problemas dessa etapa da Educação, podendo agravar alguns deles, estimulando a evasão escolar ao fechar turmas do ensino noturno. “A proposta traz um esvaziamento e um empobrecimento do curriculum. É um cavalo de tróia para impor a ideologia neoliberal nas escolas”, analisa Cleiton Costa Denez, diretor executivo Educacional da APP-Sindicato.

A opinião de Cleiton baseia-se num estudo do Grupo Ensino Médio em Pesquisa, ligado à Universidade Estadual do Paraná (Unespar). “Pedimos esse estudo para termos uma análise profissional da proposta para o curriculum do Ensino Médio”, explica o dirigente da APP. “A conclusão é que essa proposta traz para a escola o projeto neoliberal, com a lógica de construir o ‘projeto de vida’, que levará o estudante a se tornar um empreendedor de subsistência”, completa.

Para moldar um jovem que participe do projeto de tornar-se algo vago como um “empresário de si mesmo”, o Referencial Curricular para o Ensino Médio proposto pelo Governo Ratinho Jr inibe qualquer tipo de questionamento, esvaziando os conteúdos de conhecimentos construídos histórica, social e culturalmente. O projeto é autoritário em sua concepção e construção, pois foi escrito sem a participação de professores e estudantes.

O trabalho do grupo de especialistas aponta que o Ensino Médio é um campo de disputa das políticas educacionais, onde se configuram as ações de inserção nas universidades e no mercado de trabalho. As diretrizes para essa etapa da educação  revelam o tipo de sociedade desejada pelos dirigentes. As propostas do Governo Ratinho Jr para o Referencial Curricular apontam para uma educação incompleta, inconsistente e conformista.

“O fio condutor da proposta apresentada pela Secretaria da Educação é a construção do ‘jovem empreendedor de subsistência’. Isso se concretiza com o componente curricular ‘projeto de vida”, que vai no viés de formar para a conformação e subalternidade, de aceitação da precariedade do mercado do trabalho”, registra o documento em sua apresentação.

A consequência da implantação da proposta seria a formação de um jovem conservador e conformado com uma sociedade marcada pelo desemprego estrutural, com aumento da informalidade e queda na renda do trabalho, utilizando de sua “criatividade” para garantir a subsistência imediata. A escola que essa proposta pretende criar objetiva naturalizar um contexto cada vez mais competitivo e individualizado, em detrimento da formação integral do sujeito, cuja base é o acesso ao conhecimento histórico e socialmente produzido.

Os especialistas ressaltam a ausência de participação das comunidades escolares na elaboração da proposta. Nenhuma entidade sindical ou de estudantes foi chamada a contribuir. Depois de pronta a proposta, a Secretaria criou um processo de consulta vexaminoso na Internet, em que o máximo que os interessados em participar podem fazer é preencher um formulário com sugestões.

O estudo aponta o risco de “desescolarização”, pois boa parte do Ensino Médio poderia ser feito fora da escola, em instituições privadas como as do Sistema S (Senai, Sesi e Senac). Isso isentaria o Governo de investir nas escolas para oferecer melhores condições de ensino, limitando-se a formar jovens adaptados a um contexto de trabalho precário, sem direitos sociais e democráticos.

Leia abaixo o estudo do Grupo Ensino Médio em Pesquisa, ligado à Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

 

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