Projeto que institui Política Nacional do Audiovisual nas Escolas avança na Câmara dos Deputados

Projeto que institui Política Nacional do Audiovisual nas Escolas avança na Câmara dos Deputados

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania

Estudantes usam celular para gravar curta-metragem durante projeto 'Vamos ao Cinema' — Foto: Projeto Vamos ao Cinema/ Divulgação

O projeto que institui a Política Nacional do Audiovisual nas Escolas de Ensino Médio avançou na Câmara dos Deputados. O PL 3342/23, de autoria do deputado Idilvan Alencar (PDT-CE), foi aprovado na Comissão de Cultura da Câmara e pretende instituir a produção audiovisual como reforço nas ações culturais nas escolas, com mais uma oportunidade de estudantes se expressarem artisticamente.

Entre os objetivos do projeto estão desenvolver o gosto artístico dos(as) estudantes pelas manifestações culturais, principalmente aquelas ligadas à cultura popular, promover a preservação dos patrimônios naturais, materiais e imateriais e fomentar a formação de professores(as) para atuar na preservação das manifestações culturais por meio da produção audiovisual.

A intenção é estimular os processos criativos de professores(as) e estudantes e ampliar o acesso das comunidades rurais, quilombolas, indígenas e ribeirinhas a produções audiovisuais por meio da escola.

Entre outras ações, a nova política deverá promover eventos educacionais, garantir o acesso às obras produzidas, intensificar o diálogo das escolas com a comunidade e construir museus de audiovisual.

A secretária educacional da APP, Vanda Santana, aponta que esse projeto poderá fortalecer os projetos da disciplina de Arte nas escolas, outrora amplamente atacada e deixada de lado a partir da reforma do ensino médio. 

“A Arte tem o poder de nos humanizar e de nos possibilitar observar o mundo de forma crítica e criativa. Neste contexto, a Arte enquanto componente curricular, em tempos do uso de tecnologias educacionais, ganha um papel mais significativo de efetivamente humanizar o processo de ensino e aprendizagem nas escolas, de desenvolver a criticidade diante de uma concepção reprodutivista de educação e, no processo de formação emancipador, ser um sujeito que busque as transformações necessárias em toda a sociedade, explica a secretária.

Embora entenda como positivo o projeto, a secretária aponta que, novamente um projeto que trata de mudanças na educação, não foi tratado com aqueles que convivem com a educação pública no dia a dia, ou seja, os(as) educadores(as).

“Deputados(as) sempre fazem isso, criam política para a educação sem dialogar com a educação e acabam enchendo a escola de um monte de projetos. É preciso dialogar com educadores(as) para que políticas educacionais sejam construídas a partir da realidade escolar”, complementa. 

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A arte e o poder de mudança

Fundamental no desenvolvimento de diversas formas de expressão e no senso artístico e estético dos(as) alunos(as), a disciplina de Arte tem um papel indispensável na construção de uma educação humanizadora. Embora sua importância seja reconhecida, a implantação do Novo Ensino Médio retirou espaço da disciplina.

No Paraná, o governo Ratinho Jr. tentou extinguir a matéria da base curricular dos 8º e 9º Anos no começo de 2023. Graças à ampla mobilização do movimento #FicaArtePR,  a Secretaria de Estado de Educação (Seed) manteve a disciplina de Arte nas escolas estaduais. 

Um dos exemplos mais recentes na importância do ensino de Arte na educação foi a seleção do filme “De quem são os olhos”, uma das duas obras produzidas por estudantes de escolas públicas do Paraná que foram selecionadas para a mostra do 1º Festival Internacional de Cinema e Educação (EducAção). 

“De quem são os olhos” é resultado de uma atividade extracurricular de alunos(as) do 8º e 9º ano da disciplina de Artes do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel, localizado no Caximba, bairro da periferia de Curitiba. 

De acordo com o professor de Arte e responsável pelo trabalho, Willian Bedim, o projeto foi produzido para o evento da Semana de Arte do Colégio Maria Gai, com objetivo de dar aos alunos(as) uma experiência completa de cinema.

“O objetivo era dar aos alunos uma experiência completa de cinema, e que o resultado final fosse algo “concreto”, algo que eles pudessem explorar suas capacidades, habilidades de comunicação em grupo e resolução de problemas. O que mais me sensibilizou foi quando uma aluna disse para mim depois que terminamos de gravar: “Pela primeira vez na vida sinto que fiz algo de verdade”, explica Bedim.

O professor aponta ainda que a arte é a interação do indivíduo com o mundo e dessa forma, ele aprende a ver e interpretar o espaço que vive e que um projeto como o PL 3342/23 pode fortalecer essa experiência nas salas de aula.

“O cinema, a cultura em si, não é só um mero capricho ou entretenimento. O audiovisual faz parte da formação do indivíduo, é onde ele se vê e vê aos outros. O incentivo governamental é necessário nesse ponto, fornecer o direito dos alunos da escola pública a fazer parte da comunicação e da cultura, criar e interagir com sua própria formação”, completa o professor.


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