Projeto que equipara misoginia ao crime de racismo tramita na Câmara após aprovação no Senado

Projeto que equipara misoginia ao crime de racismo tramita na Câmara após aprovação no Senado

De acordo com a APP-Sindicato, proposta fortalece o combate à violência estrutural ao reconhecer a misoginia como forma de discriminação e ampliar a proteção legal às mulheres

APP-Sindicato participa da mobilização pelo fim da violência contra as mulheres. Foto: Altvista / APP-Sindicato

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 896/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), que inclui a misoginia na Lei de Crimes de Preconceito (Lei 7.716/1989), equiparando-a juridicamente a crimes de racismo, religião e outras formas de discriminação. O texto foi aprovado no último dia 24 de março pelo Senado Federal e agora avança para uma etapa decisiva na Câmara, sob pressão de entidades e parlamentares para que tenha tramitação acelerada.

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram

A APP-Sindicato soma-se à mobilização pela aprovação do projeto e defende celeridade na tramitação. A entidade acompanha o movimento pela aprovação de um requerimento de urgência, articulado pela presidenta da Comissão dos Direitos das Mulheres, Erika Hilton (Psol-SP), para que o texto seja votado diretamente no Plenário da Câmara, sem passar pelas comissões temáticas, etapa que pode atrasar ou modificar o conteúdo da proposta.

Para a secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, Tatiana Nanci da Maia, a criminalização da misoginia representa um avanço importante no enfrentamento à violência de gênero, inclusive no ambiente educacional.

“A misoginia não é uma ofensa isolada. É o ódio, o desprezo e a aversão às mulheres pelo simples fato de serem mulheres. No cotidiano escolar, isso se manifesta no silenciamento de professoras e funcionárias, no assédio e em práticas que tentam desqualificar a competência feminina”, afirma a dirigente.

Legislação e enfrentamento à violência

A proposta altera a legislação vigente para incluir ataques motivados pelo ódio às mulheres no mesmo patamar jurídico de crimes de preconceito já previstos, como os de raça, cor e religião. A medida busca punir quem pratica, induz ou incita esse tipo de discriminação.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, a pena prevista é de reclusão de um a três anos, além de multa. A expectativa é que a nova legislação contribua para interromper ciclos de violência que, em muitos casos, estão na base de crimes mais graves, como o feminicídio.

Formação e consciência coletiva

Para a APP-Sindicato, o avanço legislativo também fortalece o trabalho de formação política e pedagógica junto à categoria. Tatiana destaca que compreender conceitos fundamentais é parte da luta por direitos:

Feminismo: movimento pela igualdade de direitos e condições entre mulheres e homens, baseado na justiça social e na busca por uma vida digna e segura.

Machismo: conjunto de práticas e ideias que sustentam a desigualdade de gênero e a superioridade masculina.

Misoginia: expressão de ódio, aversão ou desprezo direcionado às mulheres, que o projeto busca tipificar como crime de preconceito.

Pressão e acompanhamento

A matéria segue agora em tramitação na Câmara dos Deputados, etapa considerada decisiva para a aprovação definitiva do projeto. De acordo com informações do jornal Brasil de Fato, publicadas na última quarta-feira (08/04), o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), teria retirado o projeto da pauta após reunião com líderes partidários contrários ao debate. A APP-Sindicato afirma que continuará acompanhando o processo e pressionando pela aprovação.

“Seguiremos mobilizadas até que essa lei seja efetivada. A construção de uma educação pública de qualidade passa, necessariamente, pela garantia de um ambiente seguro, livre de preconceitos e que respeite a integridade de todas as mulheres que fazem a educação paranaense”, finaliza Tatiana Maia.

Com informações da Agência Senado, Congresso em Foco e Brasil de Fato

::Leia também:

>> APP-Sindicato participa de mobilização em Paranaguá para cobrar restauro de Instituto centenário
>> Dirigentes da APP-Sindicato participam de encontro internacional da Rede de Trabalhadoras da Educação
>> APP-Sindicato lança novos materiais com sugestões para trabalhar a temática sobre mulheres em sala de aula

MENU