O governo Ratinho Jr tem divulgado as ‘maravilhas’ do Programa de Recomposição de Aprendizagem, que estaria fazendo a diferença no desempenho dos estudantes da rede pública estadual, segundo texto publicado na Agência Estadual de Notícias. Apresentada como solução para “as lacunas de aprendizagem” dos alunos do 9° ano do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio, a iniciativa parece ter motivações mais políticas do que pedagógicas.
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O Programa, que acrescenta à grade duas aulas semanais de Português e Matemática, ministradas por dois(as) professores(as) na mesma sala, visa nitidamente melhorar o desempenho dos(as) estudantes na prova do Saeb, que compõe o Ideb, bandeira que Ratinho Jr pretende agitar numa suposta campanha eleitoral para presidente da República.
As motivações eleitorais ficam evidentes já na escolha do ano e série em que o Programa é aplicado, as mesmas do Saeb. O correto seria aplicar o reforço no sexto ano, quando os efeitos seriam mais amplos e intensos ao longo dos anos seguintes. “Se a intenção é elevar a qualidade do ensino, precisamos começar na série inicial, que é o sexto ano. Nesse ano, os alunos que chegaram do Fundamental I foram alfabetizados durante a pandemia, apresentando muita defasagem de conteúdos básicos”, diz Cláudia Gruber, secretária executiva de Comunicação da APP-Sindicato.
“Para ser mais efetivo e dar resultados a longo prazo, este acompanhamento deveria ser iniciado no sexto ano, para que as principais carências e falta de pré-requisitos fossem logo identificadas e pudessem ser trabalhadas no decorrer da formação do estudante, durante o Ensino Fundamental”, reforça Cláudia. “Quando ele chegar no Ensino Médio, teria um maior e melhor domínio da Linguagem e da Matemática, facilitando sua vida escolar nas demais disciplinas”, completa.
A escolha das disciplinas é outro indicativo dos interesses eleitorais do programa Recomposição de Aprendizagem. Português e Matemática são as matérias cobradas nos exames do Saeb. “Essas duas disciplinas são a base para todas as demais e são somente elas que têm prova do Saeb, o que indica a relação direta com as notas de proficiência”, aponta a dirigente da APP.
“Temos a dita ‘melhor educação do país’ devido à primeira posição no Ideb no ranking dos estados e essa é uma ‘conquista’ que o governo quer manter para este final de mandato. Educação é uma excelente plataforma política”, observa Cláudia Gruber.
A própria afirmação de que há avanços no aprendizado é enganosa, pois isso ainda não pode ser medido e avaliado. “Não há como mensurar eventuais avanços enquanto não tivermos dados estatísticos de aprovação dos alunos de nonos e terceiros anos nessas disciplinas. Observações pontuais e isoladas não podem validar se houve avanços”, diz Claudia.
O governo propagandeia que a presença de dois professores em sala de aula, chamada de “docência compartilhada”, aumenta a qualidade da aula, mas Claudia Gruber discorda. “Poderia elevar a qualidade se fosse bem organizada e planejada na dinâmica escolar, pois dá a possibilidade de olhares distintos sobre o mesmo indivíduo. Porém, se a ideia for apenas elevar resultados nos testes e manter as plataformas em dia, perde o sentido de ser. Até porque, com turmas superlotadas, a docência compartilhada também vai enfrentar problemas”, afirma.
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