Professores(as) e funcionários(as) são contra retorno de aulas presenciais em plena pandemia

APP-Sindicato denuncia falta de estrutura nas escolas, mantém deliberação de “greve em defesa da vida” e questiona retorno faltando poucos dias para o fim do ano letivo

Escolas não têm condições para retorno das aulas presenciais - Foto: APP-Sindicato

As escolas da rede pública estadual do Paraná não têm condições para o retorno das aulas presenciais neste momento, devido a pandemia do novo coronavírus. O alerta é da direção da APP-Sindicato, diante do anúncio do governo Ratinho Junior, nesta quinta-feira (8), de retomada das atividades nas salas de aula a partir do próximo dia 19, em algumas regiões do estado. A notícia foi divulgada no início da noite no telejornal Boa Noite Paraná.

“Faltam apenas 49 dias letivos para o encerramento do calendário escolar deste ano. Qual a necessidade de provocar aglomerações nas escolas agora, quando ainda temos centenas de pessoas morrendo todos os dias, pois a transmissão do vírus ainda não foi controlada?”, questiona o presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Silva Leão.

Hermes avisa que, caso o governo continue com essa posição, a entidade mantém a deliberação da categoria, aprovada em assembleia, de realizar “greve em defesa da vida”, contra o retorno das aulas nas escolas neste ano. Para o dirigente, a decisão do Executivo contraria a vontade da população paranaense e vai aumentar a exposição das pessoas ao risco de serem infectadas.

“Não temos ambiente para retorno das aulas presenciais neste período, tanto pelas condições sanitárias, quanto pela falta de estrutura adequada das escolas, para retomada das atividades com segurança para os professores, funcionários, estudantes e suas famílias”, acrescentou.

“Boa parte dos prédios das nossas escolas não tem ventilação adequada e as portas das salas de aula saem para corredores estreitos. Então nós temos todas as situações, neste momento, para o não retorno das aulas presenciais”, comenta a secretária de Finanças da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto.

Segundo ela, outro agravante é o cenário atual com altas temperaturas e crise hídrica em várias regiões do estado. Ela avalia que tudo isso torna ainda mais difícil a aplicação das medidas de prevenção ao novo coronavírus, que requer higienização frequente de ambientes, utensílios, além do distanciamento social.

Para a dirigente, o melhor a se fazer é concluir o ano letivo com o ensino remoto, que está sendo aplicado desde o início da pandemia, apesar das contrariedades da entidade sindical sobre esse modelo.

Walkiria explica que a proposta do sindicato inclui a necessidade do governo promover um amplo diálogo com a comunidade escolar para decidir sobre o retorno presencial no próximo ano “e de como podemos fazer um debate pedagógico do aproveitamento deste período e da reorganização do ano de 2021”.