Professora Lirani Franco é indicada para o prêmio Diploma Mulher-Cidadã

Neste ano, 26 concorrem ao prêmio que é concedido pela Câmara dos Deputados

Professora Lirani Maria Franco - Foto: Brunno Covello

Em reconhecimento à atuação em defesa da educação pública e sua luta pelos direitos das mulheres, a professora Lirani Maria Franco foi indicada para receber in memorian o Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós 2019.

Neste ano, 26 candidatas foram indicadas para premiação. A homenagem é concedida pela Câmara dos Deputados às mulheres que tenham contribuído para o pleno exercício da cidadania e para a defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero no Brasil.

No dia 11 de setembro, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher vai escolher as cinco mulheres a serem homenageadas na edição deste ano. A entrega do prêmio será no dia 17 de outubro em sessão solene da Câmara dos Deputados.

Professora Lirani faleceu em fevereiro deste ano. Ela foi secretária estadual da Mulher Trabalhadora e dos Direitos da LGBTI da APP-Sindicato, diretora nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e integrante da coordenação estadual do movimento Marcha Mundial das Mulheres.

A indicação foi apresentada pelo deputado federal Toninho Wandscheer (Pros), ex-prefeito de Fazenda Rio Grande (PR) na mesma época em que a professora Lirani exerceu mandato de vereadora naquele município. “A professora Lirani merece o prêmio por ter cumprido sua missão de maneira exemplar, deixando escrita sua história na educação paranaense”, justifica o parlamentar.

Companheira pra sempre

Em março deste o auditório da sede estadual da APP-Sindicato passou a ser denominado com o nome da professora Lirani. A homenagem incluiu uma cerimônia especial para inaugurar um grande painel com a imagem da professora.

Biografia da Professora Lirani Maria Franco

A professora Lirani Maria Franco nasceu em Fazenda Rio Grande, no dia 12 de fevereiro de 1963. Era casada, mãe, professora aposentada com mais de 30 anos de carreira e exercia a função de dirigente sindical, compondo a diretoria estadual da APP-Sindicato, à frente da Secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI.

Apesar de toda sua coragem diante de todos os desafios impostos pela vida, ela não resistiu a uma hemorragia no cérebro, decorrente de um procedimento cirúrgico, e veio a falecer às 13h50 do dia 26 de fevereiro de 2019, em Curitiba.

Formou-se em Matemática pela PUC, onde recebeu o prêmio de Mérito Acadêmico pelo melhor desempenho no curso. Fez curso de Ciências Contábeis na FAE, especialização na UFPR e UNICENTRO. Formou-se em Política pelo Núcleo de Educação Popular 13 de Maio. Participou do Programa de Desenvolvimento Educacional do Governo do Estado (PDE/SEED).

Deu aulas no Colégio Estadual Jorge Andriguetto, Colégio Estadual Décio Dossi, onde também foi diretora (89-90) e vice-diretora (93), ambos de Mandirituba, no Colégio Estadual Joaquim de Oliveira Franco, em Mandirituba, e no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba.

Convencida de que uma educação de qualidade faz a diferença na vida das pessoas e comprometida com a luta em defesa da educação pública gratuita e de qualidade para todos(as), professora Lirani atuou na direção nacional da CNTE, foi dirigente no Núcleo Sindical Curitiba Metropolitana Sul e atuava pela terceira vez na direção estadual da APP-Sindicato.

Fora das salas de aula, professora Lirani também deixou grandes exemplos de cidadania e um legado de sua atuação em defesa de uma sociedade justa e fraterna para todos(as). Foi vereadora em Fazenda Rio Grande em dois mandatos (legislaturas 2001/2004 e 2009/2012).

No legislativo municipal destacou-se por sua inteligência, força e coragem. Em seu segundo mandato, fez parte da mesa diretora e das comissões de Constituição e Justiça e Educação, Tecnologia e Meio Ambiente.

Educadora popular, estava até então titular no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, representando a APP-Sindicato. Feminista, dedicou-se a organização das mulheres, do movimento Marcha Mundial das Mulheres, tendo atuado na na coordenação estadual do movimento.

Em sua despedida deste mundo, deixa um esposo, uma filha adolescente e um número incontável de amizades que construiu ao longo de seus breves 56 anos de vida.

Carlota de Queirós

Carlota Pereira de Queirós (1892-1982), que dá nome ao prêmio, nasceu na cidade de São Paulo. Médica, escritora e pedagoga, foi a primeira mulher brasileira a votar e ser eleita deputada federal. Entre 1934 e 1935, participou dos trabalhos na Assembleia Nacional Constituinte.

Foi eleita para a Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo em 1934. Durante o mandato, dedicou-se a ações educacionais que contemplassem melhor o tratamento às mulheres e às crianças. Ocupou o cargo até 1937, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso.