Representante da APP-Sindicato no Colégio Gelvira Correa Pacheco, localizado na região norte de Curitiba, a professora Beatris Matejec é referência em sua unidade para tratar sobre as lutas sindicais. Entendendo a importância desta representação para fortalecer a luta coletiva, a educadora relata que o processo de criação da Comissão Sindical Escolar no local de trabalho é simples e recomenda que os(as) educadores(as) de todos os estabelecimentos de ensino também se organizem.
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“Comissões e atividades sindicais são momentos para discussão e tomada de decisões. É importante também, para entender como funciona a organização sindical e o seu papel na participação da instituição. São os representantes que repassam para os colegas as decisões coletivas. Assim, os professores ficam atualizados dos acontecimentos”, explica a professora.

Com o início do novo ano letivo, os(as) educadores(as) têm a oportunidade de construir uma organização de trabalhadores(as) em cada local de trabalho, com a criação da Comissão Sindical Escolar, um espaço fundamental para garantir o contato da categoria com o sindicato.
A formalização desse processo ocorre de maneira democrática e transparente (veja o passo a passo no final da matéria). A composição deve contemplar, no mínimo, um(a) docente e um(a) funcionário(a) de escola, garantindo que todos os segmentos que compõem o quadro escolar tenham suas vozes e necessidades devidamente representadas.

Essa organização institucionalizada amplia a capacidade de luta local, unificando os(as) educadores(as) para enfrentar modelos de gestão que adoecem os(as) profissionais e garantindo a defesa da dignidade dos(as) trabalhadores(as) e da qualidade da escola pública.
O secretário Executivo Educacional da APP-Sindicato, Vandré Benedito da Silva, aponta que a Comissão Sindical Escolar é fundamental para garantir a união de educadores(as) e que as demandas dos trabalhadores(as) cheguem até o sindicato.
“O representante da escola é o alicerce. É ele quem está lá, sente os problemas de perto e une os colegas. Quando reconhecemos o papel de cada um desses representantes, estamos fortalecendo a nossa organização a partir da APP-Sindicato”, explica.
“E essa unidade funciona como um grande guarda-chuva de proteção. Quando vem um ataque contra nossos direitos, quem segura esse “guarda-chuva” somos nós mesmos, organizados. Ninguém deve ficar desprotegido na chuva. A nossa força coletiva está em cada escola, é o que defende nossos direitos de verdade”, completa o dirigente.
A professora Beatris reforça que apenas a união dos(as) trabalhadores(as) é capaz de barrar retrocessos que afetam não só educadores(as), mas estudantes e toda a comunidade escolar. “Só a união de toda a categoria, poderá nos ajudar na luta contra governos que odeiam a educação”, completa.
União contra a precarização das condições de trabalho
A Comissão Sindical Escolar representa a base fundamental da organização dos(as) trabalhadores(as) da educação, se consolidando como o principal instrumento de resistência e articulação dentro do ambiente escolar.
Historicamente, a organização por local de trabalho é o que permite à classe trabalhadora transformar o espaço onde produz a cultura escolar em um território de escuta, participação e fortalecimento coletivo.

Diante dos diversos ataques do governo Ratinho Jr. e da gestão do secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, que visam o sucateamento da escola pública e a precarização das condições de trabalho, a Comissão Sindical Educacional assume um papel ainda mais vital, funcionando como um núcleo de base que une docentes e funcionários(as) em defesa da educação pública e de seus direitos.
A comissão atua como uma ponte direta entre a base e as instâncias diretivas sindicais, como a APP-Sindicato, facilitando o fluxo de informações, a identificação de demandas específicas e o combate a práticas como o assédio moral e institucional.
Para sua constituição, é indispensável que o coletivo de cada escola se reúna, preferencialmente durante os dias pedagógicos, para debater a importância dessa organização e eleger seus representantes.
Confira o passo a passo para eleger a Comissão Sindical Escolar
- COMPOSIÇÃO DA COMISSÃO SINDICAL ESCOLAR
Número mínimo de membros: 2 (dois) – um(a) professor(a) e um(a)funcionário(a)
Critério: Estar sindicalizado e representar todas as categorias presentes no quadro escolar (ex.: professores(as), pedagogos(as), administrativos(as), operacionais).
- ETAPAS DE ORGANIZAÇÃO E REGISTRO
PASSO 1: REALIZAR A ELEIÇÃO/REUNIÃO
- Convocar os(as) trabalhadores(as) da escola para assembleia ou processo eleitoral.
2. Eleger os(as) membros(as) da comissão, respeitando a composição mínima.
3. Redigir a ata da eleição/reunião (baixe aqui o modelo da ata), contendo:
3.1 Data, local e hora
3.2 Nomes dos participantes
3.3 Nomes dos eleitos e suas funções na escola
3.4 Assinaturas dos presentes
PASSO 2: ENCAMINHAMENTO DA ATA
– Enviar a ata (física ou digital) por uma das formas abaixo:
– Opção A: núcleo sindical da APP-Sindicato da sua região.
– Opção B: e-mail organizaçã[email protected]
PASSO 3: OFICIALIZAR NO SISTEMA “MINHA SINDICALIZAÇÃO”
– Acessar o Sistema Minha Sindicalização
– Clicar no botão “+ Mais”.
– Selecionar a opção “Repres. Sindical da escola”.
– Cadastrar os dados dos(as) representantes eleitos(as).
PASSO 4: GARANTIR A CONCOMITÂNCIA
– O envio da ata (Passo 2) e o cadastro on-line (Passo 3) devem ocorrer simultaneamente. Ambos são obrigatórios para a completa oficialização.













