Produção especial da APP-Sindicato divulga práticas antirracistas para as escolas

Produção especial da APP-Sindicato divulga práticas antirracistas para as escolas

Conteúdo exclusivo está disponível gratuitamente no YouTube e foi produzido com a participação de educadores(as) que atuam na rede estadual de ensino do Paraná

Produção especial da APP-Sindicato divulga práticas antirracistas para as escolas - Foto: Gelinton Cruz / APP-Sindicato

A sua escola é antirracista? Essa foi a pergunta que pautou a produção especial da APP-Sindicato para as celebrações do Mês da Consciência Negra deste ano. Transmitido ao vivo nas redes sociais, o conteúdo reuniu profissionais da educação com atuação na rede estadual de ensino. Além de trazer informações sobre a temática, os(as) especialistas ofereceram dicas e exemplos de como tornar a sala de aula um espaço de enfrentamento e superação do racismo, como propõe a Lei 10.639, que determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana.

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“Nosso estado possui a maior população negra do sul do Brasil e, como diz Ângela Davis, numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. Então, nossa intenção é de que cada professor, cada funcionário, possa assistir essa live e levar para dentro da sua escola essas perguntas, essas explanações. Que seja um instrumento para que todas as nossas escolas sejam antirracistas”, explica a secretária secretária de Promoção de Igualdade Racial e Combate ao Racismo da APP-Sindicato, Celina Wotcoski. Todo o conteúdo pode ser acessado gratuitamente no YouTube da APP-Sindicato.

 

Poesia e geografia

Os versos do poema “De qual lado você luta?”, da poetisa negra, Mel Duarte, abriram a live, declamados pela funcionária da APP-Sindicato, Nicole de Oliveira. A apresentação foi realizada pelas dirigenstes Celina, Margleyse dos Santos, secretária de Administração e Patrimônio, em colaboração com a funcionária do sindicato, Odara Moreira, que mediou as colaborações enviadas ao vivo pela audiência.

Debatendo diversos temas em torno do racismo estrutural, a professora de Geografia do Colégio Estadual Ivo Leão, Cléo Santana, trouxe a perspectiva do ensino da capoeira como instrumento antirracista. A convidada, mestre em capoeira reafirmou a importância de trabalhar a teoria e a prática em sala de aula.

“Nossos livros são amontoados de ausências, acredito que de forma proposital, e compete a mim como professora de geografia trabalhar de uma forma diferente para que os nossos alunos, bem como toda a equipe da escola, para mostrar uma outra realidade, para que eles tenham contato com o mundo racista, com esse mundo tão preconceituoso que está presente em todo o nosso dia a dia”, comentou Cléo.

Racismo estrutural e pertencimento

A produção recebeu também o professor Jester Furtado, autor do livro antirracista “Joaquim, Negra Sim”. A obra que perpassa entre os estereótipos de um menino negro e a solidão de uma coleguinha negra, aborda o racismo estrutural vivido em sala de aula através do ideal de pertencimento.

“Joaquim, Negra Sim, surge justamente do meu anseio enquanto homem preto, enquanto professor, e, percebendo esse aluno negro em sala de aula [..] se deparando com o racismo estrutural e com essas falsas verdades que vão sendo colocadas para o jovem negro. Então o livro quer dialogar justamente sobre essa questão, fazendo com que esses(as) jovens negros(as) não se excluam”, relatou o autor.

Já a professora Tânia Pacifico, doutoranda em Educação na linha de Diversidade, Diferença e Desigualdade Social em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), reforçou a importância de trabalhar a temática étnico-racial desde a primeira infância. 

“Desde a infância a criança começa a entender o seu pertencimento étnico-racial, a se valorizar e gostar de quem é. O empoderamento tem que começar desde a infância. Então é importante que saibamos dos nossos descendentes escravizados, mas que saibamos também que vieram reis e rainhas, e que as crianças também entendam isso, para que se sintam importantes e se sintam valorizados, e aprendam a amar o seu cabelo. Não aceitar, mas amar a sua pele, para que possam ser pessoas atuantes na nossa sociedade com orgulho de quem somos”, afirmou a pesquisadora.

Dicas e orientações

O evento especial contou ainda com a participação do professor e secretário de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT-PR), Luiz Carlos dos Santos, da advogada Solange Freitas, da presidenta da APP-Sindicato, Walkíria Mazeto. Contou também com dicas (links no final da matéria), apresentadas pelo jornalista João Paulo Vieira, de materiais produzidos pela APP-Sindicato para auxiliar os(as) educadores(as) na aplicação da lei 10.639, que determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana. 

:: Confira abaixo materiais para conhecer, aplicar e transformar sua aula e sua escola em instrumento antirracista

>> Por uma educação antirracista: conteúdos para trabalhar em sala de aula

>> 20 de Novembro em Revista: APP lança publicação especial sobre consciência negra e antirracismo

>> APP-Sindicato distribui nova versão de cartilha antirracista para levar tema ao cotidiano escolar

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