Privatização da Copel equivale a apenas um ano de lucro da empresa

Privatização da Copel equivale a apenas um ano de lucro da empresa

Mensagem do governo traz análise “estranha” da conjuntura econômica. Participe das mobilizações!

Foto: Divulgação

Se o governador do Paraná, Ratinho Junior, privatizar a Copel, vendendo suas ações, o valor arrecadado pode equivaler a apenas os dois últimos anos de lucro da empresa. É o que avaliam especialistas. A mensagem 103 enviada à Assembleia Legislativa do Paraná não traz dados técnicos, nem fundamentos que sustentam a privatização da empresa bilhões de reais. Este é o valor do lucro líquido da Copel em 2020 e 2021, em meio à pandemia. Deste valor, o Governo do Paraná ficou com um terço do valor. O montante leva em consideração as ações ordinárias, 69,7%, e preferências, 12%, que o estado possui da companhia de energia. Por outro lado, se avançar a medida, com o estado ficando com apenas 10% das ações ordinárias, o arrecadado pode chegar a valor parecido.

“Pelos meus cálculos, para Copel ficar com 10% das ações ordinárias que dão direito a voto, ela consegue vender 628.889 ações ON a 7,92 reais cada, o que significa 4,98 bilhões de reais”, diz um especialista consultado. Desde que Ratinho Junior ventilou a privatização, as ações da companhia dispararam. Em 14 de outubro, estava R$ 6,21. Em 18 de novembro, dia em que o governador afirmou que manteria o controle da Copel, a ação subiu para R$7,16, alta de 15,3%. Hoje, após fato relevante, a ação disparou para R$8,72. A alta, em um mês, atingiu 40,4%.

Mensagem estranha

Um assunto tão sério, a venda do patrimônio dos paranaenses, foi alvo de uma leitura “protocolar” na Assembleia Legislativa. A mensagem 103 traz os argumentos do governador.

“A transformação da COPEL em uma corporação tem como principal objetivo aumentar sua competitividade no setor elétrico brasileiro para beneficiar o consumidor paranaense. Este setor passa por uma profunda mudança e, apesar das transformações que vêm ocorrendo no setor, deve-se dizer que o mesmo é reconhecido pela sua maturidade e segurança regulatória e institucional, mantendo assim as condições necessárias para atração de capital privada”.

A mensagem diverge com a proposta de negócio da Copel. Recentemente, a empresa privatizou a Copel Telecom com a promessa de reinvestir o valor. O que não ocorreu. Parte expressiva do valor foi distribuído aos acionistas com o argumento de “excedente” de caixa.

A proposta de Ratinho ainda fala que “medida análoga foi realizada no muito bem-sucedido processo de capitalização das Centrais Elétricas Brasileiras — ELETROBRAS, cuja oferta para aquisição de ações  superou a quantidade ofertada, garantindo aporte bilionário para a União”.

Argumento desmentido pela realidade. O Governo Federal eleito já avalia a reversão da privatização. Nomeado para o grupo de transição de Minas e Energia do futuro governo, o engenheiro eletricista da Eletronorte e diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (Aesel) Ikaro Chaves diz que a reversão da privatização é possível por ser a empresa constitucionalmente um serviço público.

“É um serviço público de eletricidade respaldado na Constituição e de competência da União, sendo as hidrelétricas bens públicos. Isso é o que determina a Constituição. Então as condições de a gente fazer a reversão da privatização da Eletrobras são totais do ponto de vista técnico, jurídico e econômico”, disse Chaves ao Portal Vermelho.

Reação à venda

A venda de ações do povo paranaense na Copel teve reação imediata na oposição (assista aqui). Para o deputado professor Lemos, a mensagem é descabida. “A Copel é dos Paranaenses, é uma empresa pública que gera lucros ao povo do Paraná. Não deve ser privatizada. Um absurdo, um estelionato eleitoral o que o governador Ratinho Jr. está fazendo. Recebemos, com indignação, o PL que pretende entregar o controle da empresa à sanha dos mercados. Ratinho Jr. sempre disse que não venderia a Copel. Mentiu. Não podemos aceitar. Seguiremos a luta que já travamos no início dos anos 2000. A COPEL É NOSSA”, reforçou Lemos.

Já o deputado Tadeu Veneri disse que a Copel é a empresa que mais distribui dividendos. “O que me surpreende é que essa medida chega agora alegando que precisa de recursos no caixa. A Copel não precisa disso. A empresa está distribuindo recursos. Quase 1 bilhão. Quem precisa capitalizar não distribui dividendos. O que querem não é nada disso”, critica o membro da CCJ.

O deputado Requião Filho também usou a tribuna para criticar a iniciativa. “Acredito que o Ratinho deva estar fazendo um bom negócio… para alguém, mas não para o Estado do Paraná. Já sabemos que houve uma movimentação atípica na compra de ações da Copel na última semana. Alguém está enchendo os bolsos de dinheiro. Alguém sabia e ganhou muito dinheiro com essas especulações do mercado financeiro”, alertou.

Os deputados disseram que vão pedir vistas nas comissões da Casa. O PL deve passar pela CCJ e Finanças. Além disso, a votação precisa passar em dois turnos no plenário. A proposta foi apresentada em regime de urgência.

Participe das mobilizações contra a privatização. Levem cartazes e faixas (sem suporte de madeira), apitos e nariz de palhaço. O assunto deve estar em pauta nas seguintes sessões da Alep:

– 22/11 (terça-feira), às 14h30
– 23/11 (quarta-feira), às 14h30
– 24/11 (quinta-feira), às 9h 

>>Assine e compartilhe o abaixo-assinado: https://chng.it/nHc5xsKh

Live | A COPEL (CONTINUA) É NOSSA

 

Leia também: 

::Estelionato eleitoral: Ratinho Jr anuncia venda de ações e Estado perderá controle da Copel

 

Fonte: Blog Coletivo Sindical dos Empregados da Copel

MENU