Pressão, retrabalho e dor de cabeça: Redação Paraná vira instrumento de assédio do governo Ratinho

Pressão, retrabalho e dor de cabeça: Redação Paraná vira instrumento de assédio do governo Ratinho

Sistema ignora a realidade das escolas, discrimina alunos(as) com pouco domínio de plataformas digitais e impõe metas inalcançáveis

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Lançada em 2021 com a promessa de facilitar o aprendizado e melhorar os índices da rede estadual, a plataforma digital Redação Paraná virou um instrumento de pressão, assédio e cobranças intermináveis nas mãos da Seed de Renato Feder e do governo Ratinho Jr.

Metas inalcançáveis, exposição pública das escolas que não atingem os resultados e estrutura não condizente com as exigências do governo tiram o sono de educadores(as) e atrapalham o processo de ensino-aprendizagem, se sobrepondo a outros conteúdos pedagógicos.

“No laboratório de informática são 12 computadores para trinta estudantes. É inviável o aluno revezar com o colega e produzir a redação sozinho no período da aula. Isso atrapalha a aprendizagem mais do que ajuda”, relata uma professora.

Assim como na plataforma Inglês Paraná, problemas técnicos se somam à falta de estrutura das escolas. “Alunos que conseguem acessar têm dificuldade de utilizá-la, pois demora a carregar, o que desestimula seu uso. Muitos não conseguem enviar o texto depois de pronto, pois fica carregando a página e não envia”, conta a educadora.

Cadeia de assédio

Ao contrário do Inglês Paraná, no entanto, há uma resolução da Seed (2857/21) que impõe a direções escolares o uso da plataforma, ameaçando com a abertura de procedimento de apuração em caso de descumprimento, previsto no artigo 11 da resolução.

“É uma intervenção direta no planejamento dos(as) professores(as), com pressão para atingir as metas de uma redação por mês e a participação de 85% dos(as) estudantes”, avalia Vanda Santana, secretária educacional da APP.

“Além disso, o governo transfere para a escola a solução de problemas estruturais, que são da sua responsabilidade, e força diretores(as) a integrarem a cadeia de pressão e assédio”, complementa.

A normatização descolada da realidade sobrecarrega toda a comunidade escolar. Professores(as) que têm seis turmas, por exemplo, somam quase 200 alunos(as). Seriam 200 redações por mês sem o suporte estrutural adequado. Com a pressão, a preocupação com a qualidade do ensino se transforma em preocupação em cumprir a meta.

Educadores(as) também criticam os fundamentos pedagógicos da plataforma. Sob o atual governo, a substituição de resultados reais por índices padronizados tornou-se rotina, mas professores(as) questionam, por exemplo, a utilidade do sistema digital para estudantes que farão o Enem, como explicita comentário abaixo, recebido pelo Sindicato via Whatsapp.

Outra professora relata limitações impostas pelo sistema quanto aos gêneros textuais.

As dificuldades são maiores com os estudantes do Ensino Fundamental. Muitos  jamais tiveram contato com computadores e sequer dominam habilidades de escrita manual, quanto mais a digitação.

“Se a gente considerar, por exemplo, um estudante que estava no terceiro ano do Fundamental em 2019. Ele passou 2020 e 2021 em aulas remotas por causa da pandemia e não teve condições de completar sua alfabetização. É como se essa criança estivesse pulando do terceiro ano para o sexto ano, portanto é uma violência obrigá-la a usar plataforma digital para escrever uma redação com o mínimo de 150 palavras”, diz a secretária educacional.

A APP teme que a imposição de metas pela Seed seja usada futuramente para definir o valor da Gratificação de Tecnologia em Ensino (GTE), uma vez que o decreto que estipulou o adicional prevê avaliações de desempenho.

A imposição das plataformas digitais revela a intenção de controle do conteúdo, da gestão escolar e da prática educativa. O Sindicato defende que a tecnologia esteja inserida no processo ensino-aprendizagem como um recurso didático, respeitando a autonomia do trabalho docente. Orientamos que direções escolares e demais educadores(as) registrem oficialmente as dificuldades de uso da plataforma e a falta de condições ofertadas pelo governo.

Também convocamos a categoria para participar da Assembleia Estadual Extraordinária, no próximo dia 9, para organizar a luta contra a escalada da plataformização e da lógica da vigilância e do controle, que permeiam toda a política educacional do atual governo.

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