Posição do Brasil no Pisa reflete outra lanterna em ranking internacional: o de investimento em educação APP-Sindicato

Posição do Brasil no Pisa reflete outra lanterna em ranking internacional: o de investimento em educação

A lógica é implacável: quem investe mais em educação, incluindo na valorização dos profissionais, obtém melhores resultados

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A cada par de anos a história se repete. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) são divulgados. O Brasil vai mal e a mídia aproveita para estampar manchetes apocalípticas.

Chamadas como “7 em 10 alunos do Brasil não sabem o mínimo de matemática” podem até atrair cliques, mas não ajudam a compreender o problema. Pelo contrário, estigmatizam estudantes, abordam um grande desafio nacional sob uma ótica reducionista e alimentam críticas tresloucadas tanto a educadores(as) quanto à qualidade da escola pública.

Mas uma rápida olhada em outro ranking – o de investimento por aluno(a) na educação básica – revela que o país está exatamente onde deveria estar. Ao menos segundo a lógica. Neste, igualmente elaborado pela OCDE, o Brasil também ocupa a lanterna, amargando a 39ª posição entre os 41 países-membros da organização.

Enquanto a média internacional de investimento é da ordem de 10.949 dólares anuais por aluno(a), o Brasil desembolsa apenas 3.583 dólares. Embora uma comparação direta não seja possível pois o ranking do Pisa inclui o dobro de países, as semelhanças são muitas, como demonstra o gráfico abaixo.

Cabe notar: entre os latino-americanos, as melhores notas no Pisa correspondem ao maior investimento por estudante, caso do Chile e da Costa Rica. Já a situação da Finlândia, eternizada no imaginário paranaense pelas ambições do secretário Renato Feder, demonstra que – antes de almejar posição semelhante no ranking – o Brasil precisaria investir três vezes mais em educação. 

Pequenos desvios na comparação, caso de Argentina e Brasil, podem ser explicados por outra constatação óbvia; exames padronizados não refletem a complexidade das redes locais e as especificidades de cada população e cultura. Como frisamos também em relação ao Ideb, desempenho em índices não espelha, necessariamente, a qualidade da educação.

Mas dinheiro ajuda, tanto para investir em escolas e equipamentos, quanto para valorizar quem faz a educação acontecer: professores(as) e funcionários(as). Altos salários e formação continuada e qualificada são melhores preditores de resultados educacionais do que números em um teste estranho à realidade nacional.

Portanto, qualquer leitura séria dos resultados do Pisa deve considerar o debate que ocorre em todo o Brasil neste momento: um dos eixos da Conferência Nacional de Educação (Conae 2024) é o financiamento da educação, enquanto outro trata da valorização dos(as) profissionais. É este debate que orientará as metas nacionais para os próximos 10 anos e que pode transformar a realidade brasileira; inclusive em rankings internacionais.

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