Por que gritamos Fora Bolsonaro?

Por que gritamos Fora Bolsonaro?

Por Maria Consuelo Correia*

Foto: Divulgação Internet

As mobilizações que tomaram conta do país nesse dia 29 de maio desejam alterar o cenário extremamente grave vivido pelo povo brasileiro, sentido no cotidiano de milhões de famílias, que clamam socorro, dignidade e o direito à vida. Mas por que defendemos o fim do desgoverno Bolsonaro?

Primeiramente, gritamos #ForaBolsonaro porque defendemos a vida!

Não apenas por negligência, mas principalmente por ações deliberadas, o desgoverno Bolsonaro é responsável pelo crescimento mensal e assustador do número de mortos por covid-19.

Enquanto o mundo verifica queda de 14% em casos de covid-19, o Brasil vai no sentido contrário, com a transmissão rompendo o teto em todas as regiões e com aumento do índice médio de contágio, indicando avanço da aceleração da doença.

Bolsonaro recusou dezenas de negociações para compra de vacina desde agosto do ano passado. Não satisfeito, cortou em março deste ano 72% da verba destinada à manutenção de UTIs.

O governo Bolsonaro, ao longo da pandemia, operou uma estratégia institucional deliberada de disseminação do vírus pelo país com o intuito de atingir a tão propagada “imunidade de rebanho”. Ações relevantes de enfrentamento, que deveriam ter sido lideradas pelo governo federal, foram negadas, desconsideradas e/ou sabotadas pelo presidente Jair Bolsonaro. A ausência de coordenação nacional entre as esferas de governo, testes armazenados sem uso, recursos financeiros retidos e minimização do potencial letal da doença são alguns exemplos.

O desfinanciamento do SUS provocado por Bolsonaro alcança 60 bilhões em 2021, segundo a Carta da Frente pela Vida ao Congresso Nacional, segundo a qual, “sem orçamento suficiente, o SUS não poderá cumprir seu papel de cuidar e salvar vidas”.

Em segundo lugar, gritamos #ForaBolsonaro porque defendemos os empregos, os direitos e as condições de viver

Num quadro de aumento assustador de desemprego e de famílias passando fome, a prioridade de Bolsonaro continua sendo a redução de direitos e da renda do povo.

O auxílio emergencial de R$ 600 foi pago a mais de 68 milhões de brasileiros em 2020, após grande pressão das centrais sindicais e parlamentares da oposição no Congresso Nacional. Hoje são R$ 250, em média. Em 2021, esse número, segundo o Dieese, baixou para 38,6 milhões de pessoas. Ou seja, com as novas regras impostas pelo governo federal, quase 30 milhões estão sob risco de passar fome, em insegurança alimentar.

Estudo publicado em abril pela BBC mostra que, com o valor menor do auxílio emergencial este ano, o Brasil deve somar 62 milhões de pessoas vivendo na pobreza e 19,3 milhões na extrema pobreza. São consideradas pobres as pessoas que vivem com renda mensal per capita inferior a R$ 469/mês, conforme critério do Banco Mundial. Os extremamente pobres são aqueles que vivem com menos de R$ 162 mensais.

Essa postura cruel do governo Bolsonaro ocorre no pior momento da pandemia: sem controle, sem vacina, sem política nacional efetiva, sob o aumento da crise econômica e social, do desemprego, da informalidade, dos preços dos alimentos, das contas públicas e do gás de cozinha.

Em terceiro lugar, gritamos #ForaBolsonaro porque defendemos os serviços públicos e o patrimônio público

A PEC 32, da também criminosa reforma administrativa, dá carta branca para o governo federal dominar inteiramente a máquina estatal, continuar oprimindo centenas de milhares de servidores/as públicos/as e acabar com os serviços sociais (a exemplo do SUS).

Diante de um cenário que produz nuvens carregadas contra direitos históricos, o Governo Bolsonaro ainda ataca em outra frente: o processo selvagem de privatização de instituições como a Eletrobras, os Correios, CBTU, Dataprev, Casa da Moeda, dentre outras, patrimônios do povo brasileiro.

É este o cenário extremamente grave vivido no país! E que pede a união de todas as forças para a reversão deste quadro.

Os movimentos da área da educação, como os Sindicatos e os estudantes, protagonizaram a derrota de Bolsonaro na votação do novo Fundeb. Agora, precisamos retomar essa energia para derrubar esse governo, garantindo o impeachment de Bolsonaro, única forma de barrar, hoje, o crescimento avassalador de mortes, desemprego, retirada de direitos, redução do patrimônio público, fome e miséria.

É por isso que gritamos #ForaBolsonaro!

 

 

*Maria Consuelo Correia é presidenta do Sinteal. É professora da rede municipal desde 1988 e professora aposentada da rede estadual.