Plataformas do atraso | Artigo de Luiz Fernando Rodrigues

Plataformas do atraso | Artigo de Luiz Fernando Rodrigues

As tecnologias podem e devem ser utilizadas, mas como apoio pedagógico e não como único instrumento de aprendizagem. O caos se instalou nas escolas públicas do Paraná!

Mais uma semana de caos nas escolas públicas estaduais do Paraná. O governo do Estado, na tentativa deliberada de promover propaganda sobre a tal “melhor educação do país” – uma falácia sem tamanho – contratou, com certeza a um custo milionário, plataformas digitais para utilização dos alunos.

Inglês, matemática, pensamento computacional, programação, redação e até leitura (tentando substituir as bibliotecas escolares) são alguns exemplos de como o governo Ratinho Jr. vem gastando os recursos públicos.

A era digital é, sem dúvida, uma realidade para todos nós. Mecanismos de apoios pedagógicos digitais são sempre bem-vindos. Porém, o que percebemos, é uma total falta de planejamento, deliberada ou não, que coloca os professores e equipes diretivas e pedagógicas em saia justa nas escolas.

Não há equipamentos suficientes, a internet não suporta tamanho nível de acessos, os professores e funcionários não receberam capacitação para atuarem com isso. O caos se instalou nas escolas!

De outro lado, tutores constantemente pressionam professores e direções por resultados, cobrando acessos e metas. Mas o que fazer quando existe a tal plataforma e o laboratório não suporta a quantidade de estudantes? Ou quando a internet – operada pela empresa compradora da Copel Telecom -, como ocorreu essa semana, simplesmente não funciona?

Outra novidade que deve se tornar peça publicitária deste governo é a chamada por reconhecimento facial. Professores são cobrados todos os dias a realizar a chamada através de fotos. Detalhe que o equipamento utilizado tem que ser o celular do professor. Pode isso? Sem contar as falhas no sistema e na rede de internet que chegam a ocupar até mais da metade da aula.

Mais uma vez volto a frisar: as tecnologias podem e devem ser utilizadas, mas como apoio pedagógico e não como único instrumento de aprendizagem – como está exigindo a Seed.

Professores e funcionários precisam resistir. Parar de apagar incêndios, deixar de usar seus equipamentos próprios – o que está amparado na lei – e cobrar responsabilidade de quem cobra resultados.

Enquanto isso seguimos amargando 7 anos e 40% de perda salarial. De cada R$10,00 que temos direito a receber pelo nosso trabalho, R$4,00 estão sendo destinados a outros lugares. O governador, deputados, promotores, desembargadores e juízes já tiveram sua recomposição salarial. Porém nós, que estamos na ponta do serviço público, estamos aqui sendo cobrados a realizar algo que não é nossa tarefa.

Basta de propaganda enganosa. Por uma escola digital, sim, mas com estrutura e condições decentes de trabalho, afim de que possamos realmente fazer uma educação pública melhor para nossas crianças e jovens.

*Luiz Fernando Rodrigues é agente educacional II, profissional de marketing, especialista em gestão escolar e ex-secretário de comunicação da APP-Sindicato.

MENU