Piora na saúde mental dos(as) educadores(as) requer mais proteção para as mulheres

Piora na saúde mental dos(as) educadores(as) requer mais proteção para as mulheres

Do total dos(as) educadores(as) atendidos(as) em aplicativo criado pela Seed, 80% são do sexo feminino e 84% possuem diagnóstico de ansiedade

Foto: Mizuno K / Pexels

Pandemia, falta de valorização, imposição de metas abusivas e cobranças permanentes sobre o uso de plataformas nas escolas têm afetado as condições de trabalho dos(as) profissionais da educação básica. A situação tem agravado a saúde mental da categoria que, na rede estadual do Paraná, é composta por cerca de 80% de mulheres.

Para a secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, Tais Adams, é preciso pensar políticas públicas que promovam a qualidade de vida e os direitos das mulheres, também no ambiente de trabalho. Ela problematiza, por exemplo, as duplas e triplas jornadas de trabalho vivenciadas pelas educadoras, que são marcadas pela defasagem salarial e desvalorização profissional.

“A crescente pressão pedagógica e meritocrática, sem ter as condições de trabalho e tecnológicas adequadas nas escolas públicas nos adoecem mentalmente. Somos diagnosticadas com síndrome de Burnout,  depressão, ansiedade, lesão por esforço repetitivo, entre outros”, menciona Tais.

As informações apontadas pela dirigente são evidenciadas também em estudos sobre o tema. De acordo com a pesquisa Saúde Mental dos Educadores 2022, o número de trabalhadores(as) da educação que consideram sua saúde mental “ruim” ou “muito ruim” aumentou de 13,7%, em 2021, para 21,5% no ano passado. Segundo o levantamento, a região sul lidera o ranking onde esses(as) profissionais afirmaram que a sua saúde mental é ruim ou muito ruim.

Outro apontamento da dirigente é de que o SAS não possui atendimento psicológico e não comporta as demandas de atendimento, com o agravante das perícias médicas considerarem boa parte das educadoras aptas para retorno ao trabalho, mesmo sem ter condições de retornar. 

52,7% fazem tratamento por aplicativo de telessaúde

Uma alternativa implantada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) para auxiliar nas consequências da pandemia e na saúde mental dos(as) servidores(as) da educação é o aplicativo de telessaúde Bem Cuidar. Criado em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a ferramenta oferece atendimento psicológico e psiquiátrico online aos(às) educadores(as).

Segundo a Seed, até o momento já foram mais de 12 mil agendamentos psicológicos e 180 consultas psiquiátricas. Destes agendamentos, 80% são do sexo feminino. Entre os(as) atendidos(as), 84% possuem diagnóstico de ansiedade e 52,7% já fazem tratamento farmacológico ou não farmacológico. 

A psicóloga e doutora em psicologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Valéria de Araújo Elias, que atende pelo aplicativo,  destaca que o trabalho segue o mesmo rigor de um atendimento clínico particular. “Atualmente não há limites de consultas o que é um avanço na oferta de um tratamento que prima pela qualidade e eficiência”.

Luta das mulheres

Tais Adams ressalta também a importância de debater o assunto com toda a sociedade e lembra que a luta das mulheres levou a criação do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, comemorado no dia 28 de maio. A data foi definida no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde, ocorrido em 1984, na Holanda. 

“Nós da APP lutamos por  melhores condições de trabalho, valorização profissional, investimentos no SAS e uma perícia médica mais humanizada”, pontua Tais.

O dia 28 de maio também é o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, comemoração estabelecida no quinto Encontro Internacional da Mulher e da Saúde, que aconteceu em São José, capital da Costa Rica, no ano de 1987.

Dados mapeados pelo Observatório Obstétrico Brasileiro apontam que em 2021 a razão de mortalidade materna foi de 107,53 para cada 100 mil nascidos vivos. Em 2019, ano anterior à pandemia, era de 55,31.

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