“Pior salário do Brasil”: como categoria reagiu à divulgação do Ideb

“Pior salário do Brasil”: como categoria reagiu à divulgação do Ideb

Enxurrada de comentários em post do secretário Roni Miranda cobra valorização salarial para os(as) professores(as) paranaenses

Governo comemora Ideb e educadores(as) denunciam injustiça salarial - Imagem: reprodução

O governador Ratinho Jr. (PSD) e o secretário da Educação, Roni Miranda, fizeram uma festa na internet, nesta quarta-feira (5), ao divulgar o resultado do Paraná no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025. Mas o que eles não esperavam era a reação dos(as) professores(as). No perfil do secretário, em uma rede social, uma enxurrada de comentários compara os números do Ideb com os salários recebidos pelos(as) educadores(as). “”Primeira Educação do Brasil” e o 3º pior salário nacional! Contradição, a gente vê por aqui!”, escreveu @felpajax.

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Outros(as), como a @sandracastaman, falam do ambiente de assédio e punição que a Secretaria da Educação (Seed) criou nas escolas da rede estadual, desde a posse de Ratinho Jr., para alcançar números. “Professores trabalhando praticamente só por amor, sem valorização salarial, muita sobrecarga, pressão, trabalhando doente, pois atestado e critério para classificação e perda de bonificação que deveria ser salário e não bônus. Quem está no chão de sala de aula sabe bem o quanto está difícil. Esse resultado do IDEB é fruto de muuuuuiiito trabalho e dedicação”, comentou.

Já @daihany foi além. Cobrou o pagamento da dívida da data-base, hora-atividade e autonomia. “Só falta valorizar de verdade os profissionais que realmente auxiliaram nesse trabalho… E não estamos falando de parabéns em rede social… Queremos data base em dia, 1/3 de hora atividade, turmas com número reduzido de alunos e autonomia para usar as plataformas de forma eficiente! Contraditória a primeira educação do Brasil com o terceiro pior salário”, escreveu.

“Imagine se esses professores tivessem o salário compatível com o esforço e eficiência que apresentaram!” afirmou @felipeesanto82/. “E a valorização do professor, cadê?”, perguntou @daniela_lusa, “A pior gestão de recursos humanos dos últimos tempos. Dados maquiados assim é fácil”, pontuou @rosinhaanafec. 

Comentários em post do secretário Roni Miranda criticam falta de valorização dos(as) professores(as) do Paraná – Imagem: reprodução

“Curioso chamar de “ melhor educação do Brasil” enquanto os professores seguem sendo desvalorizados… 🤡”, destacou @g_tiemy. “Ah se eu lançasse as notas reais dos meus alunos. Melhor educação do país com piores salários!”, comentou @dai__gomes. “Nada a comemorar na educação no Paraná, professores curtindo essa postagem triste demais. Adoecimento, defasagem salarial, privatização, militarização”, lamentou @mixlima12.

Propaganda x realidade

Para a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, as manifestações da categoria expressam a luta que o sindicato têm feito por valorização salarial e melhores condições de trabalho, além das denúncias de manipulação de dados e processos implementados com o único objetivo de ampliar a nota do Ideb, sem garantir aprendizado real dos(as) estudantes.

“Nós temos excelentes profissionais nas salas de aulas, mas a realidade é que o governador Ratinho Jr. e o secretário Roni Miranda pagam o terceiro pior salário do Brasil para os professores do Paraná. O governador reformou praticamente todas as carreiras dos servidores estaduais, mas a única que não recebeu esse tratamento é a do magistério. Enquanto outros servidores com mesma escolaridade recebem salário inicial de R$ 7,6 mil, o nosso é mais de 30% menor. Isso não é justo”, afirma.

Em resposta a diversos questionamentos e denúncias da categoria, o sindicato realizou, em 2024, uma live especial com o tema “A farsa do Ideb no Paraná”. De acordo com os relatos dos(as) educadores(as), notas e frequência dos(as) alunos(as) estariam sendo modificadas dentro das plataformas institucionais, pela Secretaria da Educação, com o objetivo de inflar artificialmente os resultados do Ideb.

“Não temos contrariedade a ter um instrumento de avaliação, mas consideramos que as provas que resultam na nota do Ideb, sejam elas de mensuração da aprendizagem de português e matemática ou do fluxo escolar, que leva em consideração quantos estudantes foram aprovados, abandonaram ou reprovaram, que só esses elementos são insuficientes para avaliar uma rede e dizer que uma escola ou uma rede é melhor que outra”, disse Walkiria durante a live.

Diante da gravidade das denúncias, pedidos de auditoria foram encaminhados. Em agosto do ano passado, o deputado estadual Requião Filho (PDT) pediu ao Ministério da Educação e ao Ministério Público para investigarem o caso. Os relatos mostrariam que “em alguns casos, estudantes reprovados com nota 4,0 aparecem, mais tarde, aprovados no sistema com nota 6,0”.

Outro ponto citado é a omissão de registros de frequência escolar, permitindo a aprovação automática de alunos com baixa frequência em sala de aula, estando abaixo dos 75% determinados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”. “Essas práticas, se confirmadas, desrespeitam o trabalho pedagógico e comprometem a credibilidade dos dados educacionais do Estado”, diz o parlamentar. 

 

O resultado das escolas paranaenses no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seria mais um indício de irregularidades. Conforme divulgou o portal de notícias RIC, embora a propaganda do governo do Paraná afirma que o estado tem a melhor educação do país, nenhum colégio da rede estadual aparece na lista das 50 escolas com as melhores notas no Enem 2024. O ranking foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). Ainda segundo a matéria, quem se destacou foi o estado do Ceará, região Nordeste do Brasil, com cinco instituições entre as dez melhores.

Como é calculado?

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação. Seu objetivo é medir a qualidade da educação básica no Brasil por meio de um indicador único que combina aprendizagem e rendimento escolar.

A nota do desempenho dos(as) estudantes é medida pelas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). São consideradas as médias de desempenho em Língua Portuguesa e Matemática. Já a nota do fluxo escolar corresponde à taxa de aprovação dos(as) alunos. Quanto mais estudantes aprovados(as), maior a nota neste componente. A combinação dos dois componentes gera uma nota de 0 a 10. A avaliação é aplicada em todas as escolas, públicas e privadas, do país.

Paraná

Durante coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (5), o MEC divulgou que o Ideb avançou em todas as etapas da educação básica no Brasil. No Paraná, de 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental passou de 6,7 para 7 nos anos iniciais e de 5,5 para 5,9 nos anos finais. Já o Ideb do ensino médio passou de 4,9 para 5,1. 

Na rede pública do estado, o resultado passou de 6,5 para 6,9 nos anos iniciais; de 5,4 para 5,8 nos anos finais; e de 4,7 para 5,1 no ensino médio. Com esses resultados, o Ideb do Paraná alcançou, nas três etapas avaliadas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005.

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