Uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pretende mapear, de forma inédita, as reais condições laborais e psicológicas de professores(as) contratados(as) através do Programa Parceiro da Escola para atuar em escolas da rede estadual de ensino do Paraná. Professores(as) que atuam nessas unidades podem contribuir para o estudo respondendo a um formulário até 30 de junho.
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O questionário é composto por 26 questões abertas e de múltipla escolha, e leva cerca de 10 minutos para ser preenchido. Em uma segunda etapa, o estudo contará com entrevistas presenciais em profundidade com seis professores(as) contratados via CLT. A pesquisa é totalmente anônima, sem qualquer divulgação de nomes ou dados identificáveis.
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Idealizada pela socióloga e mestranda Gabriella Rangel Castro, a pesquisa teve sua gênese em 2025, originalmente desenhada para analisar as formas de representação sindical e a rotina dos professores(as) temporários(as), contratados(as) via processo seletivo simplificado (PSS), no Paraná. Contudo, a linha de investigação sofreu uma guinada metodológica quando a própria pesquisadora passou a lecionar Sociologia sob o regime da CLT em uma das unidades do programa Parceiro da Escola, em Curitiba.
“Foi justamente durante a experiência profissional nesse ambiente escolar que foi possível estabelecer contato frequente com outros docentes que passaram a trabalhar sob o regime celetista. Surgiram diversas dúvidas e questionamentos sobre o funcionamento dessa nova forma de contratação e as mudanças nas condições de trabalho”, relata Gabriella Castro.
Um dos maiores méritos do estudo é tentar unificar conceitualmente as fraturas criadas pelas diferentes formas de contratação dentro de uma mesma escola. Hoje, convivem no mesmo ambiente professores(as) do Quadro Próprio do Magistério (QPM), temporários do PSS e celetistas da rede parceira. Embora dividam os mesmos corredores, as assimetrias salariais, de direitos e de estabilidade geram fragmentações profundas.
No caso da privatização escolar, ainda se sabe muito pouco sobre a real destinação de recursos públicos, os novos mecanismos de cobrança gerencial e o impacto subjetivo na vida do professor. A compilação rigorosa dessas informações é a única ferramenta capaz de responder a perguntas cruciais que rondam as salas dos professores: Este modelo é mais compensatório que o PSS? Como esses docentes atuam no dia a dia? Há pressões excessivas por metas ou existe maior sensação de estabilidade profissional?
O diagnóstico produzido na UFPR servirá, no futuro, como uma base comparativa essencial não apenas para o Paraná, mas para diversos outros estados da federação que já discutem a implementação de modelos de gestão privada em suas redes públicas. Compreender o cenário paranaense hoje significa antecipar os rumos da educação pública brasileira de amanhã.
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