Em pesquisa com 3,8 mil educadores(as), categoria reprova gestão da Seed

Em pesquisa com 3,8 mil educadores(as), categoria reprova gestão da Seed

Além da rejeição às políticas da Seed, o levantamento indica que a estrutura precária, a pressão e a desvalorização figuram entre as principais dificuldades enfrentadas nas escolas

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Se depender da avaliação dos(as) educadores(as) da rede estadual, a gestão do secretário Renato Feder à frente da Secretaria da Educação não passa de ano.

Cerca de 3,8 mil trabalhadores(as) participaram da pesquisa de avaliação de desempenho lançada pela APP-Sindicato no dia 4 de maio, atribuindo notas de zero a dez para as políticas salariais e pedagógicas, bem como para a capacidade de diálogo da Secretaria.

A nota média foi de 0,34 (34 centésimos), com 0,28 para a questão salarial, 0,45 para a pedagógica e 0,29 para a abertura ao diálogo.

A pesquisa, com teor satírico, foi lançada como forma de contraponto à avaliação “Professor Diamante”, questionário da Seed para que alunos(as) avaliassem professores(as).

Dado o tom de sátira das perguntas, a APP não pretendia exatidão estatística na atribuição da nota, mas responder, em conjunto com a categoria, à ofensiva do Estado, que gerou muitas críticas na base.

Estrutura precária, pressão e desvalorização

Além das questões quantitativas, cerca de 1,8 mil educadores(as) responderam a uma pergunta opcional e aberta:  “Quais as maiores dificuldades enfrentadas na sua escola?”. Os resultados produziram uma amostragem valiosa dos anseios e preocupações da categoria.

70,4% dos(as) trabalhadores(as) afirmam que carências estruturais e falta de equipamentos para garantir o bom andamento do processo de ensino e aprendizagem estão entre as maiores dificuldades enfrentadas nas escolas.

Denúncias de pressão, assédio, sobrecarga e cobranças excessivas compõem a segunda categoria mais citada, presente em 41,5% das respostas.

Embora a questão formulada direcione o(a) respondente a falar sobre problemas no ambiente de trabalho, 32,1% dos(as) educadores(as) colocaram a falta de valorização profissional, ataques a direitos e a defasagem salarial entre as maiores dificuldades enfrentadas na escola. É a terceira categoria mais frequente.



As demais são a falta de funcionários(as) e as consequências da terceirização (22,5%), as políticas pedagógicas da Secretaria da Educação (Seed) (18,7%), o adoecimento e a desmotivação (16,6%), as dificuldades com alunos(as) (14,2%), as salas de aula lotadas (13,2%) e a falta de professores(as) (9,17%).

Outro dado relevante captado pela pesquisa é a grande proporção de profissionais que trabalham em mais de uma escola estadual: 44,6%, com cerca de 16% do total completando a sua carga horária em mais de duas escolas.

A informação desvela mais um fator de precarização do trabalho e da qualidade da educação pública, uma vez que a sobrecarga dos(as) educadores(as) e a necessidade de trabalhar em múltiplas escolas prejudicam o bom desenvolvimento do processo pedagógico.

“Falta”

Utilizada 829 vezes nas respostas, a palavra “falta” define o sentimento dos(as) trabalhadores(as) e conecta diversas categorias na análise qualitativa.

É comum, por exemplo, a denúncia de que faltam equipamentos e recursos como internet de qualidade para cumprir metas arbitrárias estipuladas pelo governo, denotando tanto carência estrutural quanto o peso da pressão exercida pela Seed sem que o Estado forneça as condições de trabalho adequadas.

Também é frequente a palavra falta ser utilizada para encadear diversos problemas, como na seguinte resposta: “Falta de recursos, falta de funcionários, falta de incentivo para progredir da carreira, falta de valorização e de investimento no profissional.”

Abaixo, compilamos uma nuvem de palavras que reúne os verbetes em proporção à sua proximidade e número de citações.

Metodologia

A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 12 de maio por meio de um formulário anônimo, utilizando a plataforma Google Forms. A necessidade de login por e-mail reduz a probabilidade de manipulações e múltiplas respostas do(a) mesmo(a) indivíduo(a).

Ao todo, 3.839 educadores(as) de todo o estado responderam o questionário, com ampla distribuição geográfica, sendo Curitiba responsável por cerca de 10% da participação. Destes, 1.790 responderam à pergunta qualitativa sobre as dificuldades da escola.

As respostas foram então categorizadas manualmente de acordo com os temas abordados. Cerca de 500 respostas foram descartadas por menções genéricas como “tudo é difícil”.



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