Paranaenses que votaram para soltar acusado de matar Marielle têm histórico de atuação contra professores(as)

Paranaenses que votaram para soltar acusado de matar Marielle têm histórico de atuação contra professores(as)

Apesar da tentativa da ala extremista, plenário da Câmara dos Deputados manteve a prisão de Chiquinho Brazão

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Quatro parlamentares paranaenses que acumulam histórico de atuação contra a educação, professores(as), funcionários(as) de escola e demais servidores(as) públicos(as), votaram para livrar da cadeia o deputado Chiquinho Brazão (ex União-RJ), acusado de ser o mandante do assassinado da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes. 

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Apesar da tentativa da ala extremista da política nacional, na sessão da Câmara dos Deputados realizada nesta quarta-feira (10), o plenário manteve a prisão. Detido no dia 24 de março, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Brazão está encarcerado no presídio federal de Campo Grande (MS).

O PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, foi o único a orientar a bancada a votar pela soltura do parlamentar. Mas saiu derrotado por uma margem de 30 votos. Foram 227 votos pela continuidade da prisão, 129 contra e 28 abstenções.

Da bancada paranaense, 20 deputados(as) votaram para Brazão continuar preso. São eles: Aliel Machado (PSB), Carol Dartora (PT), Delegado Matheus Layola (União), Diego Garcia (Republicanos), Felipe Francischini (União), Geraldo Mendes (União), Gleisi Hoffmann (PT), Luciano Alves (PSD), Luciano Ducci (PSB), Luisa Canziani (PSD), Luiz Carlos Hauly (Podemos), Luiz Nishimori (PSD), Paulo Litro (PSD), Rodrigo Estacho (PSD), Sargento Fahur (PSD), Sergio Souza (MDB), Tadeu Veneri (PT), Toninho Wandscheer (PP), Welter (PT), Zeca Dirceu (PT).

Já Filipe Barros (PL), Giacobo (PL), Tião Medeiros (PP) e Vermelho (PL) foram contra. Beto Richa (PSDB), Marco Brasil (PP) e Reinhold Stephanes Jr (PSD) se abstiveram. Dilceu Sperafico (PP), Pedro Lupion (PP) e Padovani (União) não votaram. 

Embora cause espanto que representantes eleitos(as) pelos(as) paranaenses votem em defesa do homem apontado pela Polícia Federal como sendo o mandante do asssassinato de Marielle Franco, a trajetória desses parlamentares não surpreende. Os quatro têm atuação marcada por votos contrários à educação pública e outros temas de relevância social para grupos sociais vulneráveis.

Filipe Barros (PL) votou à favor da reforma administrativa do governo Bolsonaro, foi contra tirar o Fundeb do arcabouço fiscal, votou contra convenção antirracista, à favor da privatização de recursos do Fundeb e até pelo congelamento de salários do funcionalismo durante a pandemia.

Giacobo (PL) votou a favor da privatização de recursos do Fundeb e pelo congelamento de salários do funcionalismo durante a pandemia. 

Tião Medeiros (PP), quando era deputado estadual, votou à favor da PEC para taxar os(as) aposentados(as), pela terceirização dos(as) funcionários(as) de escola, votou favorável aos calotes na data-base (2016) e na Paranaprevidência (2018), pelo congelamento das carreiras, à favor do congelamento de salários do funcionalismo e do aumento de isenções a empresas (LDO 2022), aprovou a LDO sem previsão de data-base em 2023 e votou pela venda da Copel. Como deputado federal, também foi contra os povos indígenas e a favor do Marco Temporal.

Vermelho (PL) votou pela privatização de recursos do Fundeb, contra os povos indígenas e a favor do Marco Temporal.

Também merece atenção a posição dos(as) deputados(as) que se abstiveram. Esse voto, dado por Beto Richa (PSDB), Marco Brasil (PP) e Reinhold Stephanes Jr (PSD) poderia favorecer o preso, assim como os votos contrários, pois para confirmar a decisão do STF, eram necessários 257 votos, maioria absoluta da Câmara.

Desses três, no quesito de histórico de atuação contra os educadores e servidores públicos, Richa se destaca. Seu governo foi responsável pelo Massacre do Centro Cívico, como ficou conhecido mundialmente o episódio ocorrido no dia 29 de abril de 2015, em que a Polícia Militar usou bombas de gás, balas de borracha e violência policial para desmobilizar uma manifestação pacífica da categoria, que acontecia em frente ao prédio da Assembleia Legislativa.

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Discussão e votação de propostas. Dep. Chico Alencar (PSOL – RJ). Dep. Túlio Gadêlha (REDE – PE). Dep. Erika Hilton (PSOL – SP). Dep. Professora Luciene Cavalcante (PSOL – SP) – Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Marielle Vive!

O assassinato de Marielle e Anderson ocorreu em março de 2018, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Na época, Brazão era vereador na capital fluminense. O irmão dele, Domingos Brazão, também foi preso pelo mesmo motivo. Os dois foram citados na delação do ex-policial militar, Ronnie Lessa, acusado de executar o crime.

Segundo as investigações, os irmãos Brazão são os autores intelectuais do homicídio da vereadora. O crime teria sido motivado por um embate a respeito de um projeto de lei que regularizava terrenos dominados pela milícia. Marielle era contra o projeto apresentado na Câmara Municipal do Rio com a autoria de Brazão.

 

 

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