Para se eleger, Ratinho Junior assinou projeto com 2,76% de data-base

Agora governador, Ratinho adota postura autoritária, aumenta privilégios do setor empresarial e nega direito dos(as) servidores(as)

Ratinho usou sofrimento dos(as) servidores(as) para se eleger

Quando se apresentou à população paranaense como candidato ao cargo de governador do estado, Ratinho Junior (PSD), então deputado estadual, criticou duramente a ex-governadora Cida Borghetti que em 2018 enviou projeto de lei com apenas 1% de data-base. Ratinho, liderou a sua bancada na Assembleia Legislativa (PSD) e assinou uma emenda corrigindo para 2,76% o percentual da reposição salarial dos(as) servidores(as) públicos(as).

Agora, governador, ele mudou radicalmente o discurso e as práticas. Ao mesmo tempo que aumenta a concessão de isenção de impostos para o setor empresarial, mais de R$ 10,5 bilhões só neste ano, adota posturas autoritárias no relacionamento com o funcionalismo, se nega a cumprir as leis e as promessas que fez.

Em maio de 2018 Ratinho também concedeu entrevista ao vivo no canal de TV de seu pai e usou o sofrimento dos(as) servidores(as) para se projetar politicamente. “Já houve um sacrifício muito grande dos servidores públicos nesses últimos dois três anos. Tem que ter haver agora um avanço para que, no mínimo, a data-base, que é a inflação dos últimos 12 meses, próximo de 3%, possa ser discutida com os servidores”, disse Ratinho.

As declarações aconteceram enquanto eram exibidas imagens dos servidores protestando em frente a Assembleia Legislativa pela da-base. Foram cerca de cinco minutos de entrevista e Ratinho ainda destacou o seu empenho para obrigar o governo a pagar “no mínimo” a inflação acumulada em 12 meses.

Em outra aparição pública, já oficialmente como candidato, em uma sabatina Ratinho voltou a prometer o pagamento da data-base e garantiu que faria isso em um dos primeiros atos do seu governo, quando se reuniria com as lideranças dos servidores para negociar. Contrariando o discurso, até o momento nada cumpriu.

Vontade política

Como comprovado pelos estudos orçamentários do Fórum das Entidades Sindicais (FES), o governo reúne todas as condições fiscais, legais e orçamentárias para atender a reivindicação dos(as) servidores(as) e que não há riscos para as contas públicas.

Além disso, a ex-governadora, Cida Borghetti, declarou recentemente ter deixado previsão de 4,2% a mais de recursos que seriam destinados para o cumprimento da lei que determina a recomposição das perdas da inflação nos salários do funcionalismo em 2019.

Ratinho ocupou cargo de secretário de Estado no governo Beto Richa – a quem prometeu “fidelidade canina” – e sempre teve acesso privilegiado a situação das contas públicas do Paraná. A posição atual do governador, no entanto, é questão somente de (falta de) vontade política.