Para salvar “Pensamento Computacional”, Seed sacrifica aulas de Ciências, Geografia, História e Matemática APP-Sindicato

Para salvar “Pensamento Computacional”, Seed sacrifica aulas de Ciências, Geografia, História e Matemática

Se é verdade que o cobertor da carga horária é curto, usar o pouco disponível para manter uma disciplina questionável é uma escolha ideológica.

:: Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram

As matrizes curriculares de 2024 foram disponibilizadas em dezembro pela Secretaria da Educação (Seed), confirmando temores que já circulavam na categoria, em especial a redução de aulas de disciplinas tradicionais no 8º e 9º anos, como Geografia, História, Ciências e Matemática.

Em debate com a Seed sobre o tema, a APP já havia manifestado contrariedade à intenção da pasta. A justificativa da Secretaria é a necessidade de comportar a disciplina de Arte na grade regular após dificuldades na implantação da sexta aula.

Vale lembrar que “o puxadinho” da Arte na sexta aula foi a solução encontrada pelo governo no último ano após forte reação da categoria à tentativa de eliminar a disciplina do currículo. 

Mas o verdadeiro culpado pelo novo prejuízo a estudantes e educadores(as) tem outro nome e é facilmente identificável na matriz: Pensamento Computacional.

Se é verdade que o cobertor da carga horária é curto, usar o pouco disponível para manter uma disciplina questionável, de fundamentação rasa e sem professores(as) efetivamente formados na área é uma escolha. Uma escolha ideológica.

Implantado na esteira dos debates sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio, o Pensamento Computacional atende ao projeto de transformar a escola pública em uma fábrica de mão de obra precarizada para o mercado de trabalho.

A intenção, neste caso, é preencher posições na área de tecnologia da informação com profissionais de nível médio, rebaixando os salários do setor, há muito considerados inflados por empresários e fundações responsáveis pelas recentes reformas curriculares. 

A insistência na disciplina também prejudica a organização escolar, já que a rede não dispõe de computadores em quantidade e de qualidade adequadas para dar conta de toda a demanda gerada pela intensa plataformização do processo de ensino-aprendizagem, que afeta todas as disciplinas.

A reversão deste retrocesso, mais um ataque às humanidades, ao conhecimento científico e à formação básica mais elementar, dependerá de ampla mobilização e envolvimento da categoria. Será preciso extirpar da escola pública os interesses empresariais e resgatar uma formação voltada ao interesse público, emancipadora de cidadãos conscientes, críticos e plenamente capacitados para o ensino superior e uma vida profissional digna.

:: Acesse a matriz dos Anos Finais do Ensino Fundamental
:: Acesse a matriz do Ensino Médio

MENU