Para entender (e temer) a Reforma da Previdência

Especialista explicou os principais pontos da PEC em debate organizado pelo NS Cianorte

Aproximadamente 60 pessoas participaram do debate e tiraram dúvidas

O debate sobre a Reforma da Previdência organizado pelo Núcleo Sindical de Cianorte da APP Sindicato reuniu aproximadamente 60 pessoas, entre professores(as), estudantes, funcionários(as) de escola e profissionais de outras áreas, no dia 15 de março, e foi transmitido ao vivo na página do Facebook da APP Cianorte. O palestrante foi o economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR), Sandro Silva, que explicou os detalhes da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 6/2019, apresentada à Câmara dos Deputados pelo Poder Executivo no dia 20 de fevereiro.

O economista falou sobre a estrutura do sistema previdenciário brasileiro e sobre a polêmica do déficit, apresentando modelos de outros países e alternativas de arrecadação que refutam o argumento do rombo na Previdência Social.

“Analisando friamente, a Reforma vem para incentivar as pessoas a não contribuírem, porque não vai mais compensar. Na nova proposta, além da idade mínima o trabalhador terá que contribuir pelo menos por 20 anos para conseguir se aposentar. E com as mudanças aprovadas na Reforma Trabalhista dificilmente um trabalhador sem qualificação vai se manter no mercado trabalhando com carteira assinada por tanto tempo. Eu avalio que a Reforma vai causar vários problemas sociais, e aí vamos depender dos governos que teremos lá na frente”.

De acordo com Silva, as regras de transição também não beneficiam os trabalhadores na ativa e a maioria terá que atingir a nova idade mínima proposta para receber 100% do benefício. A tabela de pontuação, que soma idade e tempo de contribuição, aumenta com o passar dos anos e dificulta a aposentadoria integral, principalmente para mulheres.

*Este texto faz parte da segunda edição do jornal impresso ‘Intervalo’, projeto bimestral do NS Cianorte produzido pela jornalista Mônica Chagas.