“Os incomodados que se retirem”: Feder diz que 95% dos estudantes estão satisfeitos com aulas da Unicesumar

“Os incomodados que se retirem”: Feder diz que 95% dos estudantes estão satisfeitos com aulas da Unicesumar

Secretário da Educação ignora mobilização crescente nas escolas e defende o modelo criticado por estudantes, pais e mães

O secretário da Educação do Paraná expandiu os limites de sua atuação e agora passa vergonha em nível nacional. Matéria publicada na Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (25) mostra a incapacidade de Renato Feder de compreender o que está acontecendo nas escolas.

Ele defende a terceirização de aulas do Novo Ensino Médio, que beneficiou a Unicesumar com um contrato de R$ 38,4 milhões e revoltou os (as)estudantes, que estão se mobilizando para terem professores(as) em sala de aula. Segundo Feder, 95% dos(as) alunos(as) estão satisfeitos(as) com o modelo, já que, segundo ele, apenas 5% desistiram dos cursos desde o início do ano.

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A predileção de Renato Feder por números que ajudem a esconder a realidade já era conhecida pelos(as) paranaenses. Agora ela fica mais evidente, com uma interpretação de dados fantasiosa para favorecer os interesses dele.

Na Folha, Feder defende o modelo adotado como uma maneira de ampliar o acesso, sem se importar com a qualidade do ensino e a formação profissional dos(as) jovens, obrigados(as) a assistir seis horas seguidas de aulas pela TV. 

Na ânsia em manter o modelo que gera negócios para grandes empresas, Renato Feder se perde em argumentos sem efetividade. Se os estudantes não conseguem enxergar as aulas na TV, diz ele, algumas salas devem receber telões e caixas de som – como se uma tela maior fosse capaz de reverter o desastre pedagógico do método.

Ao lado dos argumentos de Feder, a matéria da Folha traz o posicionamento de quem realmente entende de Educação, como Fernando Cássio, professor da Universidade Federal do ABC. “Os estudantes do Paraná estão pedindo para ter professor em sala de aula. Eles estão reivindicando conhecimento, estão dizendo qual é a escola que querem. Devemos prestar atenção a isso. Menosprezar essa demanda é menosprezar a educação”, diz.

Cesar Callegari, que foi secretário de Educação Básica do Ministério da Educação e hoje preside o Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada, aponta no texto da Folha que a insatisfação e o protesto dos alunos paranaenses revelam a farsa desse modelo de ensino. 

“O que está sendo ofertado no Paraná não é nem ensino à distância e nem presencial, já que o Ead tem uma estrutura totalmente diferente. Também não é um ensino profissional, porque não está preparando esses meninos para a prática do mercado, ou seja, é um engodo, cria uma miragem de ensino”, diz.

Callegari aponta que um dos principais riscos é que o formato aumente a evasão escolar. “O aluno frustrado com a má qualidade se sente desrespeitado, enganado. Esse aluno percebe que a escola não se importa com o que ele está aprendendo e, por isso, ele fica desestimulado e abandona os estudos”, analisa. Para Feder, os(as) descontentes que lutam por uma educação de qualidade são apenas 5% e não merecem ser ouvidos.


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