OMS reconhece Síndrome de Burnout como doença relacionada ao trabalho

OMS reconhece Síndrome de Burnout como doença relacionada ao trabalho

Reação à tensão emocional crônica acomete principalmente, profissionais que desenvolvem seu trabalho atendendo pessoas de forma direta, como professores(as) e funcionários(as) de escola

Pandemia aumentou a pressão nos(as) professores(as) - Foto: Pexels

A Síndrome de Burnout foi, agora em janeiro de 2022, reconhecida como uma doença relacionada ao desgaste repetitivo causado no ambiente de trabalho. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o  problema está associado a características como “exaustão, sentimentos de negativismo e sensação de falta de realização”.

Este cenário é vivenciado por muitos trabalhadores e trabalhadoras da educação ao serem expostos a anos de desvalorização profissional e ambientes tóxicos de trabalho.

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A condição entra para lista de diagnósticos ocupacionais com a vigência da nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11).

A OMS destaca que o problema é “resultante de um estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi adequadamente administrado”. Ou seja, a Síndrome de Burnout possui relação direta e única com o trabalho, não sendo diagnosticada em outros contextos de vida das pessoas.

Em relação às condições precárias de trabalho, os seus efeitos sobre o quadro de saúde e adoecimento dos(as) educadores(as) e do grande número de afastados(as) de suas funções, a APP-Sindicato defende a formação dos(as) trabalhadores(as) para sua própria proteção e desenvolvimento de uma metodologia de monitoramento das condições de trabalho e saúde.

Condições dignas de trabalho e gestão democrática das escolas são elementos fundamentais para que tenhamos saúde para educar os filhos e filhas da classe trabalhadora. É preciso repensar a organização do trabalho escolar e exigir do Estado políticas que assegurem a saúde.

Em estudos sobre condições de trabalho e saúde dos educadores(as), o ambiente de trabalho, conteúdo do trabalho, condições organizacionais, estabilidade no emprego, relações sociais no trabalho, carga de trabalho, autonomia, reconhecimento e valorização profissional, classes superlotadas, baixa remuneração, escassos recursos materiais e didáticos, excesso de carga horária, movimentos repetitivos, presença de poeira de giz, ruído, uso constante da voz, falta de participação nas políticas e planejamento institucionais, acúmulo de responsabilidades transferidas à escola como disciplinar e solucionar problemas sociais dos(as) alunos(as), bem como conflitos ocasionados pela expectativa de pais, trabalho desgastante tanto mental como físico.

São condições de saúde e de trabalho relacionadas diretamente com o aumento de fatores estressores no trabalho, que de maneira cumulativa, estão adoecendo os educadores(as) que passam a apresentar níveis elevados de fadiga, alterações do sono, transtornos depressivos, consumo de medicamentos, problemas osteomusculares. “É necessário urgentemente uma política Estadual de Atenção Integral à Saúde do Trabalhadores(as) da Administração Pública do Estado com programas de prevenção e promoção da saúde, novo modelo e melhores condições de trabalho”, salienta a secretária de Saúde e Previdência da APP, professora Tereza Lemos.

Há também casos de profissionais que desenvolvem gastrite, problemas intestinais e queda de cabelo. Também há histórico de crises de ansiedade e pânico ao ter que lidar com qualquer tarefa relacionada ao trabalho. É muito importante que os(as) profissionais da educação busquem ajuda médica com psiquiatra e psicólogo.

De acordo com uma Pesquisa do Programa de Pós-graduação em Modelos de Decisão e Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) a Síndrome de Burnout afeta principalmente professores e profissionais da enfermagem.

A pesquisa aponta também que o número de casos de professores doentes pode ter aumentado com a pandemia, devido ao teletrabalho e utilização intensa de tecnologias como computadores, smartphones e aplicativos como WhatsApp, Telegram, Zoom e Teams. Ainda segundo o levantamento, sintomas como cefaleia, dores nos ombros ou nuca, sensação de não querer começar nada novo e dificuldades sexuais foram identificados nos professores e professoras.

No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece a Síndrome de Burnout como uma doença do trabalho desde 1999.

Os sintomas iniciais mais comuns são:

  • Negatividade constante
  • Estresse diário
  • Cansaço físico e mental em excesso
  • Dificuldade para concentrar-se em tarefas diárias
  • Grande insatisfação sobre a atividade profissional
  • Alterações de humor e memória
  • Falta de energia para manter hábitos saudáveis

A APP- Sindicato há muito tempo tem se preocupado com essa questão e juntamente com a UFPR realizou um estudo que foi concluído em 2015. O estudo foi coordenado pelo Dr. Guilherme Souza Cavalcanti de Albuquerque e Paulo de Oliveira Perna e está disponível aqui

O estudo contou com a participação 1.201 professores da rede pública estadual do Paraná e analisou dados atinentes ao sofrimento mental do professor relacionado com a sua exploração no trabalho, bem como com os processos mais gerais de saúde/doença.

“O estudo também mostrou que a carga horária semanal de trabalho, o número de turmas por professor e o número de alunos por turma apresentam relação positiva para a ocorrência do sofrimento mental. O reconhecimento pela OMS, da Síndrome de Burnout como uma doença relacionada ao trabalho, corrobora definitivamente com o estudo que já havíamos feito com a UFPR.”, afirma a professora Tereza

Agora o desafio é fazer com que o governo reconheça a necessidade de melhores condições de trabalho para a categoria a fim de garantir uma educação pública de qualidade, pois com profissionais doentes é humanamente impossível se falar em educação de qualidade.

“Outro desafio é fazer com que a Perícia Médica reconheça a (CID- 11), nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde e dê aos profissionais da educação, que sofrem com essa doença, as condições de afastamento do trabalho, necessárias para o tratamento”, retrata a dirigente

A OMS destaca que o problema é “resultante de um estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi adequadamente administrado”. Portanto, os profissionais da educação que sofrem com essa doença precisam ser respeitados pelo poder público e tratados com dignidade e não serem humilhados, como muitas vezes têm sido.

Editado de: Sinte-PE  e UFPR

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