Na semana do 13 de maio, a representação negra na política será ponto de debates

Na semana do 13 de maio, a representação negra na política será ponto de debates

Na próxima quinta-feira (16), o SISMMAC sediará a segunda rodada do ciclo de debates intitulado “Sociedade e Racismo”, iniciativa promovida pelo CEPAT

Mulheres Negras Decidem/divulgação

Na próxima quinta-feira (16), o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) sediará a segunda rodada do ciclo de debates intitulado “Sociedade e Racismo”, iniciativa promovida pelo Centro de Promoção de Agentes de Transformação (CEPAT). O evento terá início às 19h, no seguinte endereço: Rua Nunes Machado, 1644 – Rebouças, Curitiba-PR.

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O encontro será realizado em uma semana simbólica para a população negra, já que no dia 13 de maio é celebrado o dia da abolição da escravatura. Embora seja um movimento importante, é preciso salientar que foi uma abolição inacabada, já que 135 anos depois, a comunidade negra ainda sofre com as desigualdades geradas a partir da escravidão.

Para este encontro, o tema será “Representação negra na política institucional: limites e avanços”, com a debatedora Santa de Souza, advogada, pedagoga e Vice-presidenta da  Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (ACNAP).

“Esse ciclo de debates é muito importante, porque a partir do momento que você traz o debate racial à tona, as pessoas que pretendem, que estão colocando seus nomes para a disputa do legislativo já vão se apropriando desse conhecimento e saberão como propor algumas questões ligadas à questão racial”, aponta a debatedora.

Sendo uma das instituições parceiras, a APP-Sindicato reforça que a participação dos(as) educadores(as) é fundamental para fortalecer o debate a partir da vivência nas escolas públicas.

“A APP se soma a CEPAT para realizar este debate que é de grande relevância para a sociedade como um todo. Esta atividade está dividida em vários encontros com temas imperdíveis. Vamos juntos debater, nos qualificar para estarmos com o conhecimento ativo para este tema que é crucial e urgente em nossa sociedade”, aponta a Secretária de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo, Celina Wotcoski.

A população negra e a política

O tema vai ao encontro do avanço de candidaturas negras no cenário político brasileiro e a necessidade da população negra em ocupar espaços de decisão e garantir  pautas que priorizem o bem estar, a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo sejam apresentadas e aprovadas.

Nas últimas eleições municipais, o aumento no número de candidatos(as) negros(as) eleitos(as) foi amplamente divulgado e comemorado. Apesar de marginal, passando de 42% para 44% das cadeiras nos legislativos municipais, o crescimento torna a democracia brasileira mais representativa para sua população.

Já nas eleições federais e estaduais de 2022, foram eleitos(as) 1599 parlamentares autodeclarados(as) negros(as), sendo 27 senadores(as), 513 deputados(as) federais e 1059 deputados(as) estaduais.

De acordo com Santa de Souza, o aumento desse índice faz parte de um projeto de campanhas que estão sendo feitas a nível nacional para garantir a maior participação de pessoas pretas e pardas no cenário político.

“Hoje cada vez mais existe um incentivo da participação e da presença negra na disputa da política. Existe um anseio, uma vontade de fazermos a luta a partir da política. Então se pensarmos que em 2022, nas eleições foram eleitos 1599 parlamentares e, a partir disso, percebemos que houve um crescimento da população negra dentro da política.  Paralelo a isso, cada vez mais que negros  ocupam este espaço no parlamento, temos uma garantia de que as nossas políticas possam ser mais discutidas”, conta Santa. 

Mas ainda há muito a avançar, em especial no que tange às mulheres negras, que compõem 28% da população – o segundo maior grupo demográfico do país – e ocupam apenas 6% dos cargos de vereança. Em 53% das cidades brasileiras, nenhuma mulher negra foi eleita para a Câmara Municipal.

A vice-presidenta da ACNAP ressalta que a população negra precisa se apropriar do debate racial para garantir que pautas importantes para a população negra sejam apresentadas.

“O que eu percebo hoje, principalmente como pedagoga, é que as pessoas têm uma resistência para discutir a questão racial, têm uma resistência para ler artigos, livros e revistas que falem sobre a questão racial. Ai o que acontece é uma negação. No momento que as pessoas não querem se apropriar disso, elas também estão dizendo que não existe racismo, ou seja, querem continuar alienadas”, aponta Souza.

A pedagoga reforça ainda que o avanço da extrema direita deixou explícito o movimento de atacar pautas importantes para a comunidade negra e há  pessoas que querem opor o avanço do debate racial, por isso a mobilização da população negra precisa ser forte para contrapor essa opressão.

“Neste contraponto, a gente vai trazendo várias questões dentro do tribunal de justiça e na legislação, pois precisamos mudar isto. Mudamos recentemente, mas ainda não é o suficiente. Vamos trazendo cada vez mais esse debate para dentro da educação e principalmente para dentro das empresas, garantindo cotas e também buscar aumentar para mais de 20% a participação de negros nos espaços de poder”, completa a pedagoga.

Conheça a debatedora

Maria de Lourdes Santa de Sousa é graduada em Direito e Pedagogia e pesquisadora sobre a representatividade das mulheres negras no sistema de Justiça. Atualmente, é vice-presidente da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (ACNAP) e consultora da Comissão de Estudos sobre violência de gênero, da Comissão da Igualdade Racial e da Comissão da Mulher Advogada da OAB/PR.

Conheça o CEPAT

Fundado em 1990, o atual Centro de Promoção de Agentes de Transformação de Curitiba nasceu como Centro de Pesquisa e Apoio aos(às) Trabalhadores(as) (CEPAT), a partir de um trabalho conjunto entre jesuítas e leigos especialmente ligados à Pastoral Operária, que naquele momento buscavam desenvolver ações voltadas para uma melhor compreensão quanto às transformações que ocorriam no mundo do trabalho.

Através do início da parceria com o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), em 2007, o centro impulsionou as ações e a abrangência, contribuindo, também, com o trabalho do IHU, por meio de artigos, traduções e atualização das notícias do dia.

Atualmente, o CEPAT desenvolve duas frentes de trabalho: o Programa de Assessoramento e Defesa e Garantia de Direitos e o Programa de Espiritualidade.


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