Mulheres paranaenses têm o menor rendimento médio entre as trabalhadoras da região Sul do Brasil APP-Sindicato

Mulheres paranaenses têm o menor rendimento médio entre as trabalhadoras da região Sul do Brasil

Paraná “supera” demais estados da região também em informalidade no trabalho, aponta o Boletim Especial 8 de Março de 2024 – Dia Internacional da Mulher

As mulheres paranaenses têm o menor rendimento médio da região Sul. É o que revela a pesquisa Mulheres no Mercado de Trabalho: Desafios e Desigualdades, divulgada no Boletim Especial 8 de Março de 2024 – Dia Internacional da Mulher – DIEESE.

A pesquisa feita do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos mostra que O Paraná “supera” os demais estados da região também em informalidade das mulheres no mercado de trabalho e em falta de contribuição previdenciária.

O Boletim registra que o rendimento médio das mulheres no Paraná é de R$ 2.654,00, ante R$ 2.756,00 no Rio Grande do Sul e R$ 2.841,00 em Santa Catarina.

No quesito informalidade no trabalho, o Paraná também está na frente, só que ao contrário. Aqui, 30% das mulheres que trabalham estão na informalidade, o que prejudica a renda, dificulta a aposentadoria e acaba com outros direitos. No Rio Grande do Sul a taxa é 30,9% e em Santa Catarina, 26,9%(SC).

Com a informalidade, cresce também falta de contribuição previdenciária, outro quesito em que o Paraná se destaca negativamente na região Sul. No estado de Ratinho Jr, a taxa é de 28,4%, maior que no Rio Grande do Sul (27,9%) e em Santa Catarina (22,1%).

O objetivo do Boletim é acompanhar a inserção das mulheres no mercado de trabalho entre os quartos trimestres de 2022 e de 2023, por meio dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar Contínua (PnadC), feita pelo IBGE.

O estudo do Dieese mostra que houve avanços, mas as desigualdades entre homens e mulheres no trabalho se mantém. Com mais horas dedicadas aos afazeres domésticos, as mulheres, além de serem maioria entre os desocupados, enfrentam dificuldades de crescimento profissional e de chegar aos cargos de direção e gerência.

“A persistente informalidade do mercado de trabalho, com um número cada vez maior de trabalhadoras por conta própria, assalariadas sem carteira e trabalhadoras domésticas sem direitos, abriga enorme contingente de mulheres negras e não negras em subocupações, com poucas horas de trabalho e rendimentos baixos, sem acesso à proteção da lei”, diz o estudo. 

Desprotegidas

A pesquisa aponta que o grupo de trabalhadoras que recebem até R$ 1.256,00 é composto majoritariamente por mulheres negras, sem proteção legal no trabalho. O Dieese sugere que deveriam ser desenvolvidas, com urgência, políticas públicas para esse grupo social.

“Entre as quase 8,9 milhões de brasileiras que se inserem como conta própria no mercado de trabalho, apenas parte tem acesso a benefícios e direitos legais, garantidos pela abertura de MEI e do Simples, enquanto outras milhões lutam para trabalhar e manter a família, vivenciando situações muito precárias de ocupação e renda, sem qualquer proteção legal ou perspectiva de aposentadoria”, constata o estudo.

A melhora da economia após a eleição de Lula possibilitou avanços, como a aprovação da lei da igualdade salarial entre homens e mulheres, mas as desigualdades persistem.

“Em 2023, a lei da igualdade salarial buscou criar parâmetros para enfrentar a falta de isonomia de salário entre homens e mulheres. O ambiente democrático, pós-eleição de 2022, propiciou condições para o avanço da negociação coletiva, não apenas elevando os salários, mas também possibilitando a discussão das cláusulas de igualdade de gênero”, conclui o Boletim.

Ocupação aumentou

O crescimento da economia no ano passado chegou a 3% e foi positivo para o emprego, de maneira geral, que caiu de 7,9%, no para 7,4%, com a saída de 490 mil pessoas do contingente de desempregados. O número de ocupados, no geral, aumentou em 1,615 milhão e o rendimento médio cresceu 3,23% no período.

A taxa de desocupação das mulheres diminuiu de 9,8% para 9,2% entre os quartos trimestres de 2022 e 2023, o que correspondeu à saída de 271 mil trabalhadoras do contingente de desocupados. A taxa de desocupação dos homens passou de 6,5% para 6%, com mais 219 mil empregados.

Mesmo com os avanços de 2023, no quarto trimestre de 2023 as mulheres eram maioria entre os desocupados (54,3%), totalizando 2,865 milhões – 35,5% delas eram negras. Entre essas, a taxa de desocupação era de 11,1%, ante 7% entre as não negras.

No quarto trimestre de 2023, 66,286 milhões pessoas estavam fora da força de trabalho e, dessas, 42,839 milhões eram mulheres, o que corresponde a 64,6% do total.

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