Mulheres negras na educação: representatividade importa!

Mulheres negras na educação: representatividade importa!

A luta por uma sociedade mais igualitária depende da valorização das nossas meninas e mulheres negras

Falar de maneira incessante sobre as desigualdades é uma das formas de trazer preconceitos à tona e, assim, pensar nas políticas públicas e nas ações individuais a fim de minimizar o racismo e o sexismo. Quantas mulheres e meninas negras estão hoje ao seu redor?

Uma olhada rápida pelas salas de aulas mostra que a população negra vai, gradativamente, deixando de ocupar assentos à medida em que as séries avançam. No Brasil, 96% das crianças negras frequentam a educação básica (taxa muito semelhante à população branca na mesma faixa etária, que é de 96,5%). Mas é na universidade que acontece a grande virada: apenas 18% dos(as) negros(as) frequentam a universidade, entre os(as) brancos(as) o índice sobre para quase 37%.

É estatístico: gênero e raça são duas réguas medidoras que ao longo da história servem para hierarquizar condições materiais e imateriais. “Nascer mulher e negra no Brasil é, por si só, um ato de resistência. Não temos outra opção a não ser lutar pelo respeito e pela sobrevivência”, reflexiona a secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, professora e pedagoga Margleyse Adriana dos Santos

Em um país majoritariamente negro, é de um simbolismo cruel que as professoras negras não ultrapassem a 3% do corpo docente do país, conforme publicado no último Censo. Uma das formas de combater a sub-representatividade é evidenciar a importância  dos movimentos das mulheres negras ao longo da história.

“Ser mulher negra e professora em um país como o Brasil implica em um redimensionamento desses dois papéis, desmontando todos os estereótipos e estigmas historicamente colocados. Requer ver-se a si mesma como negra e profissional. E ver-se a si mesma como negra envolve reconhecer-se enquanto sujeito negro, possuindo um papel político na construção de uma prática pedagógica que desvele o racismo presente no ambiente escolar e aponte alternativas de mudança no trabalho que a escola vem realizando”, enfatiza a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, professora Nilma Lino Gomes em seu artigo Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo publicado em 2003.

A Lei 10.639/03 é uma dessas ferramentas alternativas. Ela  obriga as escolas de ensino fundamental e médio a ensinarem sobre história e cultura afro-brasileira. Portanto, uma dessas conquistas que permite fazer da escola um espaço onde as meninas e mulheres negras sejam enaltecidas pelo seu protagonismo intelecto-cultural. “A gente precisa tratar a cultura afro com o mesmo respeito e apreciação que lidamos com as culturas européias e asiáticas. A pele preta é simbolismo de uma trajetória rica em conhecimento e cultura. Se passarmos a ensinar nas escolas que negros e negras foram grandes astrônomos, escritores, agricultores, músicos, mas que isso não chegou até nós de forma massiva pelo silenciamento da cultura afro, nós teremos sim grandes avanços sobre o preconceito”, direciona Margleyse. 

Por isso, a APP-Sindicato tem secretarias específicas para tratar das questões de gênero e raça. A luta por políticas públicas e educacionais que possibilitem que educadores(as) conheçam e tratem sobre a prática diária da promoção da igualdade é uma bandeira permanente do Sindicato. “Há espaço para que nossas professoras e funcionárias negras ocupem os espaços de debate e liderança também no Sindicato. Nós também somos exemplo para as nossas meninas negras nas escolas. Essa é uma luta geracional”, salienta Margleyse. Informe-se no seu Núcleo Sindical sobre as atividades do Sindicato nessa luta por uma sociedade mais justa, humana e igualitária.


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