MP ameaça Universidade da Integração Latino-Americana


Foto: Divulgação Unila

A política se faz presente nacional e internacionalmente em vários aspectos cotidianos. No Brasil, nem o cenário da educação passa longe dos interesses. O alvo da vez recai sobre a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), com a notícia surpresa dos últimos acontecimentos e que está tirando o sono da comunidade acadêmica.

A proposta do deputado federal Sérgio Souza (PMDB/PR), e que já foi apresentada no processo de aprovação legislativa, por meio da Medida Provisória nº 785/17, propõe a conversão da Unila em Universidade Federal do Oeste do Paraná (UFOPR), que é contraditória à própria missão desde a fundação há sete anos. Além da criação dessa Universidade, a emenda inclui a incorporação do setor Palotina, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e do campus de Toledo, à nova instituição.

A característica principal da Unila é promover a formação universitária pública e gratuita, integração cultural e desenvolvimento social e econômico. Sua vocação é “o intercâmbio acadêmico e a cooperação solidária com países integrantes do Mercosul e com os demais países da América Latina”, conforme divulgação no site da instituição.

Vale entender a fundo a conjuntura e as mudanças com a proposta do deputado, que transforma a Unila em universidade regional, e que não traz nenhum benefício como o aumento de vagas nem de investimentos. Ao contrário, os recursos só diminuirão. Diante de mais um obstáculo imposto para a educação pública, APP-Sindicato conversou com o administrador da Unila, Edson Carlos Thomas, que emitiu a sua opinião e comentou também a surpresa da maioria dos(as) envolvidos(as) na Universidade com a notícia.

“A Unila e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) têm a função de estado de relação com os demais países. A Unila com a América do Sul, Latina e Caribe e a Unilab com a África. Esse projeto é uma visão de mundo que não é de toda a categoria política. Os políticos tradicionais no Brasil não têm essa visão. É uma visão de mundo  integrar os povos e não só a relação comercial. E a missão da Unila é de integrar as pessoas através da educação”, enfatiza Edson Thomas.

Para ele, a proposta do deputado Sérgio Souza é de excluir os parágrafos que falam da missão e integração da instituição latino-americana com ênfase no Mercosul. “Assim, cria-se uma universidade regional, como já temos outras. Criaria uma situação inusitada de duas universidades – uma estadual e uma federal – com a missão de desenvolver o oeste do Paraná e que estariam competindo entre si”.

Edson Thomas destaca o cenário e projeções de economistas que alegam que em 2023 (daqui sete anos), as universidades federais terão recursos apenas para pagar a folha. “Inclusive, se as universidades federais conseguirem receitas próprias, elas não farão uso desse recurso, porque só vai diminuir o repasse que a União vai fazer às universidades. A médio prazo haverão muitas dificuldade para as federais”.

2007/2008 – O governo Federal fortaleceu a ideia de criar universidades que tenham vínculo com o sul. Primeiro criou-se a Unila e em seguida a Unilab (Ceará e na Bahia), países da lusofonia afro-brasileiro. São duas universidades temáticas que têm a vocação de ter a relação com os países. Lembrando, ainda, que a Emenda Constitucional 95 não afeta só o ensino superior e sim toda a educação, assim como a previdência e a saúde pública.

A problemática se aprofunda e se agrava na educação pública

A APP-Sindicato divulgou matérias sobre as universidades públicas do Paraná que, no final de março, tiveram a lastimável notícia de que o Governo Beto Richa (PSDB), em sua incessante busca para acabar com o ensino público superior no Paraná, cortaria a verba destinada às universidades públicas estaduais.

Do ensino básico ao superior, a luta constante pela educação acontece de quem está na base e não no poder. Os investimentos que seriam destinados para a formação dos(as) jovens de hoje – e que serão os(as) adultos(as) amanhã -, cada vez mais são suprimidos.

Confira os comunicados da Unila e da UFPR, além do abaixo-assinado disponível no (link).

Moções de apoio – Instituições nacionais e internacionais de diversas áreas estão se manifestando (Veja aqui).

Leia mais:

21 de junho de 2017 – Governo Richa retalha universidades que discordaram do seu novo programa de gestão

5 de junho de 2017 – Falta de verbas compromete o funcionamento das universidades do Paraná