Mobilizações nesta quarta-feira(29) fazem memória dos 11 anos do Massacre do Centro Cívico

Mobilizações nesta quarta-feira(29) fazem memória dos 11 anos do Massacre do Centro Cívico

Em Curitiba, ato será realizado às 9h, em frente ao Palácio Iguaçu, e nas demais regiões do estado haverá debates nas escolas sobre as condições de trabalho e salário

Ato realizado em 2025 reuniu educadores(as), em Curitiba, para fazer memória dos 10 anos do Massacre do Centro Cívico - Foto: João Paulo Nunes Vieira/APP-Sindicato

Educadores(as) da rede pública estadual realizam, nesta quarta-feira (29), mobilizações em todas as regiões do estado para fazer memória dos 11 anos do Massacre do Centro Cívico e para denunciar as violências da gestão do governador Ratinho Jr. contra a categoria. Em Curitiba, o ato terá início às 9h, em frente ao Palácio Iguaçu. Nas demais regiões do estado haverá debates nas escolas sobre as condições de trabalho e salário, reafirmando a data como um símbolo de resistência.

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“Todos os anos, no dia 29 de abril, fazemos memória do que aconteceu em 2015, para que nunca se repita. Também fazemos a denúncia de que a violência contra a educação pública do Paraná tem continuado com os governos que sucederam a gestão Beto Richa. Hoje, o salário dos professores do Paraná é o terceiro pior do país. Ou seja, em 2015 a violência foi com armas, hoje ela acontece com o assédio, retirada de direitos, precarização das condições de trabalho e com a violência salarial”, relata a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.

As atividades vão marcar os 11 anos da violência ocorrida em 29 de abril de 2015, no governo Beto Richa (PSDB), em que a Polícia Militar usou bombas de efeito moral, spray de pimenta, tiros de balas de borracha, gás lacrimogêneo e até um blindado com canhão de água para reprimir um protesto pacífico dos(as) servidores(as), contrários a votação de projetos de lei que previam a retirada de dinheiro do fundo de Previdência estadual e outras medidas polêmicas.

O movimento busca contrapor a propaganda oficial da atual gestão, que apresenta o Paraná como a “melhor educação do país”. Professores(as) e funcionários(as) de escola denunciam os impactos das políticas de Ratinho Jr, destacando o avanço das privatizações, a militarização das unidades escolares e o crescente adoecimento mental da categoria, impulsionado pelo excesso de plataformas digitais e metas abusivas. Além das condições de trabalho, a mobilização aponta também a desvalorização salarial e os danos à carreira acumulados ao longo dos últimos oito anos.

A pauta de reivindicações inclui o atendimento imediato dos itens da campanha salarial, com destaque para o pagamento da dívida da data-base e para a equiparação salarial do magistério e dos(as) Agentes II. A categoria também reivindica o fim da taxação previdenciária dos(as) aposentados(as) e a garantia de reposição salarial anual para aposentados(as) sem paridade.

A presidenta da APP-Sindicato explica é muito importante a categoria, especialmente neste dia, fazer a memória das lutas organizadas coletivamente, revisitar os avanços obtidos e ter a compreensão de que o atual governo vai passar, mas os(as) professores(as), os funcionários(as) e o sindicato é que permanecerão fazendo a defesa da escola pública.

“Queremos mostrar para este governador que, apesar dele não nos valorizar e da violência com que ele nos trata diariamente, ele vai passar e somos nós que continuamos todos os dias atendendo a população paranaense, educando e formando o presente e o futuro do nosso estado. A nossa mensagem neste dia, portanto, é de que a nossa luta tem memória e de que o nosso trabalho tem valor”, completa Walkiria.

A orientação também é para os(as) profissionais postarem a indignação nas redes sociais usando as hashtags #29deAbril #JamaisEsqueceremos #NossaLutaTemMemória #MeuTrabalhoTemValor e marcando @appsindicato que é o arroba do sindicato nas redes sociais.

:: Material para debate nas escolas: panfleto Nossa Luta tem memória. Meu Trabalho Tem Valor!
:: Fotos: 29 de abril de 2015
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Campanha Salarial 2026

Jamais esqueceremos

A hostilidade teve origem quando professores(as), funcionários(as) de escola e servidores(as) de diversas categorias protestavam em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O alvo das manifestações eram as propostas do então governador, Beto Richa, que previam aumento de impostos, alterações drásticas no regime de Previdência dos(as) servidores(as) públicos(as) e cortes em investimentos. Diante das medidas, a categoria deflagrou greve e estabeleceu um acampamento na região do Centro Cívico, em Curitiba.

Violência policial deixou mais de 200 feridos(as) – Foto: Joka Madruga

No dia da votação do chamado “pacotaço”, o governo estadual autorizou uma operação policial para impedir que os(as) manifestantes acompanhassem a sessão legislativa. A repressão resultou em um cenário de guerra em plena praça pública. Sob ordens do Executivo, a Polícia Militar utilizou cassetetes, spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os(as) trabalhadores. A ação violenta e desproporcional deixou 213 pessoas feridas, sendo 14 em estado grave, consolidando o episódio como um dos capítulos mais sombrios da história política do Paraná.

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