Nesta segunda-feira (29), será dia de mobilização nas escolas da rede pública estadual. A direção da APP-Sindicato está convocando a categoria para debater e denunciar o programa do “Castigo Pedagógico”, como o sindicato está denominando o Programa de Acompanhamento Pedagógico lançado recentemente pela Secretaria de Estado da Educação (Seed). O objetivo é expor a política de assédio, vigilância e punição adotada pela gestão do governador Ratinho Jr. contra os(as) trabalhadores(as) da educação.
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“De programa de acompanhamento pedagógico aquilo não tem nada. Porque um programa que pode considerar que as minhas faltas justificadas possam ser motivo para abrir um protocolo de vigilância e que depois isso pode servir para virar um PAD, isso não é um processo formativo, isso não é um processo preocupado com o meu bem-estar ou o meu desenvolvimento dentro da sala de aula ou dentro da minha relação na escola. Isso é um processo que ameaça, que pune, que vigia, que causa o pavor, o terror dentro do nosso ambiente escolar”, explica a presidente da APP-Sindicato.
Para dar visibilidade à denúncia, a orientação do sindicato é que os(as) educadores(as) promovam discussões dentro das unidades escolares e confeccionem cartazes. Além das ações presenciais, a categoria deve ampliar a denúncia nas redes sociais publicando fotos e vídeos e utilizando a frase “Exigimos #pazparaensinar”. “Nós não podemos aceitar mais essa punição, mais essa violência sobre nós nas escolas. Não podemos aceitar. Não é cabível que isso possa chegar nas escolas e a gente aplique isso como se fosse uma ferramenta de avaliação pedagógica ou de melhora de formação, como está lá no texto”, explica Walkiria.
“A saída é coletiva”
Apresentado em uma transmissão ao vivo destinada às direções de escolas e equipes pedagógicas, no dia 4 de maio, o programa “Acompanhamento Pedagógico aos professores com indícios de dificuldades de docência, de natureza funcional e/ou de conduta”, alega que tem como objetivo acompanhar e desenvolver o(a) professor(a) em sua prática profissional, por meio de ações que incluem desde observação de sala de aula até intervenção na prática pedagógica, além de registros comprovando o não desenvolvimento profissional encaminhados ao Núcleo Regional de Educação para “providências legais cabíveis”.
Em nota divulgada no dia 15 de maio, a direção da APP-Sindicato critica o novo programa da Seed, destacando que a medida pretende intensificar a pressão e o assédio nas escolas paranaenses, reforçando a lógica do vigiar e punir. De acordo com a nota, o programa foi apresentado pela Seed com o objetivo de “desenvolvimento profissional do(a) professor(a), mas apresenta um roteiro padronizado para as ações de equipes pedagógicas e direções, que passam pela escola, NRE e Seed.
O Sindicato aponta que a medida cria uma formalização que se assemelha a um inquérito investigativo que precede a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), tornando-se um mecanismo de controle e punição. “Somos contra qualquer prática que se torne moeda de troca para que professores(as) tenham “paz” nas escolas. A paz obtida sob coerção não é verdadeira — vem carregada de ameaças, institucionalizando a política do medo. Trata-se da continuidade de um projeto perverso de vigilância exacerbada, sem qualquer contrapartida na valorização profissional”, reforça a nota.
>> Leia a nota: APP-Sindicato denuncia novo programa da Seed como ferramenta de “vigilância e punição”
“Temos nos colocado contrários desde que esse programa foi anunciado, há dois anos atrás, ainda na sua forma de projeto piloto implantado em Ponta Grossa. Agora está chegando em todas as escolas da rede. Já emitimos nossa posição, já discutimos com a Secretaria de Estado da Educação e estamos reafirmando a nossa contrariedade. Mas mais que isso, nós vamos buscar todos os meios legais, todos os esforços possíveis para que ele não seja implantado. Mas para isso, a gente precisa de todos e de todas vocês. Porque a saída para mais essa violência precisa ser coletiva”, afirma Walkiria.
Isso é assédio!
Nesta semana, a APP-Sindicato também iniciou uma campanha nas redes sociais com a publicação de charges criticando a iniciativa da Seed e batizando o programa com o nome de Castigo Pedagógico. A primeira ilustração mostra uma cena em que um sujeito, representando a figura do secretário da Educação, apresenta o programa para uma plateia e diz a frase: “Pessoal, notícia boa”. A segunda ilustração mostra vários professores(as) enfileirados(as) com um alvo sobre o rosto e segurando uma placa que diz “não favorável”. A mensagem da campanha denúncia que “Isso é assédio!” e “Exigimos #pazparaensinar”.
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“Este é um debate que precisa acontecer durante todo este período para que nenhum protocolo seja aberto, nenhum professor e nenhuma professora seja chamada para ser incluída neste programa. Porque este é um programa que promove o assédio, a perseguição e a punição. E não é assim que nós temos que ser tratados. Porque estamos todos os dias nessas escolas trabalhando e muito para a educação pública do Paraná dar certo. Temos que ser respeitados e queremos e vamos construir este caminho de enfrentamento à Secretaria de Estado de Educação. Porque isso é assédio e exigimos paz para ensinar”, afirma a presidenta.
Justiça Salarial Já!
A mobilização faz parte da jornada de lutas de professores(as) e funcionários(as) de escola para pressionar o governador Ratinho Jr. a cumprir as reivindicações da Campanha Salarial de 2026 e denunciar a violência salarial do atual governo do Paraná contra os(as) educadores(as).
Essa atividade cumpre a deliberação da última assembleia estadual da categoria, realizada em abril. Na ocasião, os(as) educadores(as) definiram um calendário fixo de lutas, estipulando todo dia 29 de cada mês como um momento de mobilização ativa por pontos específicos da pauta salarial.
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