Milagros Mata Gil | Venezuela | APP-Sindicato

Milagros Mata Gil | Venezuela


Introdução

A República Bolivariana da Venezuela, nossa vizinha pelo estado de Roraima, também faz divisa com a Colômbia e com a Guiana, tem um território  de 916.445 km2 e foi descoberta pelos europeus em 1498, quando Cristóvão Colombo chegou à costa venezuelana mas, foi só em 1530 que os espanhóis começaram o período de colonização.

Num primeiro momento, os espanhóis não se interessaram muito pela “pequena Veneza”, cedendo inclusive a exploração da região para uma família de alemães que também ficaram pouco tempo por ali. Em 1567, Caracas foi fundada e servia como base para o sistema de encomiendas (recolhimento de tributos dos nativos). Toda a economia da colônia era baseada na agricultura (tabaco, cana-de-açúcar e cacau) e a partir disso, novos assentamentos foram surgindo. 

A primeira tentativa de independência da elite venezuelana deu-se em 1797, mas fracassou. Somente anos mais tarde, com a força de Simón Bolívar, é criada a República da Gran-Colômbia, que reunia ex-colônias espanholas como: Equador, Peru, Bolívia, Colômbia, Panamá e Venezuela. República esta que teve curta duração: 1831.  

De 1830 a 1899, o país viveu momentos de alternância entre liberais e conservadores, acompanhados de guerras civis e instabilidade econômica. De 1899 a 1958, o país foi governado por militares (os Andinos), onde se imperou o autoritarismo, a corrupção,  o cerceamento às liberdades individuais e de imprensa e, principalmente, eleições fraudulentas. 

No início dos anos 1900, no governo Gómez, descobriram-se as imensas reservas de petróleo venezuelano e, logo, na sequência, começou sua exploração, o que levou o país à prosperidade muito rapidamente, porém a desigualdade social sempre foi gritante.

De 1958 a 1998, o país alternou governos civis e militares, ora se abrindo  para a democracia, ora retrocedendo os direitos às liberdades, sempre com escândalos de corrupção, greves  e  manifestações.  

Com a eleição de Hugo Chávez, o país ganha uma nova constituição e um novo nome: República  Bolivariana da Venezuela. Durante seus 14 anos de mandato, houve altos e baixos em todos os sentidos já que sua orientação populista desagradava as classes média e alta do país. Ao ir para seu quarto mandato, em 2013, Chávez morreu de câncer e quem assumiu a presidência foi Nicolás Maduro (atual presidente). 

Maduro iniciou seu governo, em 2013, com altíssimos índices de inflação, crise econômica, escassez de produtos e anos depois, embargo dos EUA com sanções em todos os setores da economia. Maduro, em seu atual mandato, vive sérios problemas econômicos, políticos e sociais, sendo, inclusive, considerado um governo ilegítimo. A mais recente polêmica venezuelana foi o plebiscito (03/12/2023) para incorporação da região de Essequibo,  hoje pertencente à Guiana. 

O país está entre os mais urbanizados da América Latina, com cerca de 85% da população vivendo nas cidades. Caracas, a capital, é o maior centro urbano, ao lado de Maracaibo e Valência. Consideram-se mestiços mais de 65% dos venezuelanos, sendo que 88% da população se diz cristã. 

Com uma fauna e flora riquíssimas, temos um denominador em comum com o país: o ipê amarelo, árvore símbolo do país.Além disso, por sua posição geográfica, o país tem o privilégio de ser permeado pela  floresta amazônica, Cordilheira dos Andes e Mar do Caribe, o que faz dele um lugar surpreendente.

A Venezuela, apesar da crise econômica e política que vive, é um país multicultural e extremamente rico culturalmente, não deixando de ter nomes reconhecidos internacionalmente a estilista Carolina Herrera e Rafael Cadenas (Prêmio Cervantes de Literatura de 2022), porém, é Milagros Mata Gil que elegemos para homenagear nossos vizinhos venezuelanos em nossa agenda no último mês do ano. Mas, quem é essa mulher? É o que veremos a seguir: 


Sobre a escritora:

Milagros Mata Gil é romancista, contista, ensaísta, jornalista, professora de Espanhol, Latim e Literatura, além de pesquisadora de literatura venezuelana. Sua atuação destaca-se na defesa dos artistas e trabalhadores da cultura. 

Milagros é reconhecida por ser uma precursora da literatura feminina em seu país, difusora da cultura local e pelas suas lutas em favor dos direitos humanos, dos animais e da liberdade de expressão. Integrante da Academia Venezuelana da Língua Espanhola desde 2011.


Sobre suas obras:

Seus textos exploram os conflitos interiores das personagens e trazem a subjetividade para o plano ficcional, intercalando o público e o privado de forma polifônica, utilizando diferentes gêneros textuais. Seus temas compreendem a espiritualidade, a paz, a religião, a memória e a história venezuelana. Entre seus sucessos profissionais, destaca-se por ter sido autora da letra do hino do município de Heres, no estado de Bolívar, intitulado Qual cúpula em flor de renda verde (1995). Obteve condecorações marcantes como o Prêmio Internacional de Notícias – Diana México (1988). Passou por jornais como El Bolivarense e El Expreso, além de proferir palestras nos Estados Unidos, França e Espanha. 


Principais obras:

La casa en llamas (1989)

Memorias de una antigua primavera (1989)

Mata el Caracol (1991)

El pregón mercadero:relaciones entre crítica literaria y mercado editorial en América Latina (1994)

El diario íntimo de Francisca Malabar (2002) 


Fragmento de texto:

Un maestro de la ironía

[…] El discurso irónico, ya se sabe, es un discurso en clave y desfigurado que el receptor acepta con temor de equivocarse, pensando que al comentarlo puede incurrir en un error pues el autor no puede querer decir lo que dice. Es una especie de juego de espejos múltiples y distorsionantes.

Um professor da ironia

[…] O discurso irônico, já se sabe, é um discurso em código e desfigurado que o leitor aceita, mas com o medo de se equivocar, pensando que ao comentá-lo pode incorrer em erro pois o autor não pode querer dizer o que, de fato disse. É uma espécie de jogo de espelhos múltiplos e distorcidos. 

Referência: GIL. Milagros Mata. Eziongeber Álvares Arias: La feroz amargura de su humor. Círculo de Livros. Caracas, 10 de setembro de 2020.  Disponível em: http://circulodescritoresvenezuela.org/2020/09/10/leamos-a-milagros-mata-gil/ 


DICAS PARA TRABALHO EM SALA DE AULA: 

As riquezas deste país vizinho podem ser trabalhadas em várias disciplinas da Base Comum. Listamos abaixo algumas sugestões que podem enriquecer o trabalho em sala de aula.

>> História

O território venezuelano foi colonizado pelo Império Espanhol, em 1522, apesar da resistência dos povos nativos. Em 1811, tornou-se uma das primeiras colônias hispano-americana a declarar a independência. Porém, foi consolidada em 1830, quando a Venezuela deixou de ser um departamento da Grã-Colômbia.
Saiba mais: Conhecendo a Venezuela

Venezuela, conhecida como a “Pequena Veneza” da América do Sul. Nome dado em razão das palafitas sobre o Lago de Maracaibo, que se assemelhavam à cidade italiana.
Saiba mais: 20 curiosidades da Venezuela

>> Geografia

A Salto Ángel é a cachoeira, localizada na Venezuela, mais precisamente no Parque Nacional de Canaima, considerada a mais alta do mundo.
Saiba mais: Venezuela e seus dados geográficos

A cidade de Mérida conta com um dos maiores teleféricos do mundo, Mérida Mukumbarí, que liga a referida cidade ao Pico Bolívar.
Saiba mais: Teleférico de Mérida

>> Biologia / Ciências

A Venezuela possui grande biodiversidade tanto na fauna quanto na flora. A fauna é representada por espécies, como o peixe-boi, o boto-cor-de-rosa e o crocodilo-do-orinoco. Há, na Venezuela, cerca de 1.417 aves, como o íbis e o turpial. Muitas espécies são endêmicas (existem apenas naquele local).
Saiba mais: Fauna e flora da Venezuela

A flora é representada especialmente pelo ipê-amarelo. Além disso, o país possui cerca de 25.000 espécies de orquídeas. Aproximadamente, 38% das 21.000 espécies de plantas encontradas na Venezuela são endêmicas, isto é, exclusivas do território venezuelano.”
Saiba mais: Mais sobre o ipê-amarelo

>> Química

A Venezuela é o país que conta com as maiores reservas de petróleo reconhecidas entre todas as nações.

O petróleo apresenta milhares de compostos diferentes que formam uma mistura complexa; uma mistura de hidrocarbonetos.

Saiba mais: Venezuela, petróleo e outrosPetróleo: uma mistura de hidrocarbonetos

>> Educação Física

O beisebol é um esporte de destaque na Venezuela. Basquetebol, futebol, voleibol, automobilismo e boxe são esportes muito praticados também.

Os venezuelanos possuem dois esportes autóctones: o “Coleo de toros” e o “Bolas criolas”, com bastante adeptos.

Saiba mais: Liga Venezuelana de Beisebol Profissional, conheçaEsporte na Venezuela

>> Arte

A música venezuelana compreende uma variedade de ritmos e danças, tais como a salsa, o merengue, o calypso, a gaita, a parranda e o joropo. Entre os instrumentos usados nos ritmos da Venezuela estão o “cuatro”, a “harpa llanera” e as “maracas”.
Saiba mais: Arte e cultura

>> Português

A literatura venezuelana surgiu durante a vigência do neoclassicismo hispânico. 

Andrés Bello foi um nome destacado de editor de revistas com importante papel na vida cultural hispano-americana e incentivador da independência cultural da América espanhola. 

O primeiro prosador importante foi Juan Vicente González, discípulo do romantismo francês que evocou os princípios da independência do seu país numa prosa apaixonada.

Saiba mais: Literatura venezuelanaJuan Vicente González


DICAS DE FILMES

Lançado em setembro de 2023, o filme Simón abre a lista das indicações, pois surpreendeu ao passar por baixo da censura quando seu enredo é uma crítica à  ditadura da Venezuela. A obra narra a história de Simón, um estudante de engenharia e líder de um grupo de universitários que vão às ruas para protestar contra o regime ditatorial que prevalece no país. Relembra o cenário que se passou na Venezuela, em 2017,  período de intensos protestos contra Maduro que resultaram na expansão da máquina de repressão.

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DICAS DE MÚSICAS 

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IMAGENS DA VENEZUELA

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