Merenda escolar durante a pandemia

Atender população, sim. Expor servidores(as) e comunidade a riscos desnecessários, jamais!

Nota da APP-Sindicato - Foto: Divulgação

Milhares de estudantes têm na alimentação escolar sua principal fonte de nutrientes. Em um Estado e país com tantas desigualdades sociais, é fundamental a solidariedade sobre esse tema. A APP-Sindicato vem, há décadas, procurando contribuir no sentido de que a alimentação escolar possa ser de boa qualidade e sirva, inclusive, como um processo educacional para a criação de hábitos saudáveis.

Defendemos o tema como uma proposta curricular, onde a educação alimentar esteja associada aos conteúdos ensinados, bem como a importância do papel das(as) servidoras(as) como educadoras(as). Sendo assim, participamos ativamente do CEAE – Conselho Estadual da Alimentação Escolar procurando, incansavelmente, ampliar esse debate e garantir a regularidade da boa alimentação escolar, fundamental para as condições de aprendizagem dos(as) estudantes.

Desde o anúncio da suspensão do calendário escolar em razão da pandemia provocada pelo COVID/19, a direção da APP procurou, ao mesmo tempo, que a categoria, bem como os(as) estudantes e familiares, pudessem permanecer o mais seguros(as) possíveis e que não houvesse desperdício de alimentos estocados nas escolas, com a garantia da continuidade do fluxo de entrega e consumo dessa produção.

Defendemos que os estoques presentes nas escolas fossem rapidamente distribuídos e que, também, com os devidos cuidados, o programa leite das crianças, que atende 110 mil famílias, não sofresse descontinuidade.

Entretanto, para a continuidade desse trabalho, considerando:

1. A real possibilidade de tempo prolongado de suspensão das aulas e dificuldades materiais que tendem a se acentuar junto a sociedade, sobretudo aos mais vulneráveis;

2. A necessidade de cuidados extremos que envolvem além da utilização de máscaras e luvas a fim de que possíveis contaminações sejam evitadas;

3. Que entidades diretamente ligadas à ação social e defesa civil estão em melhores condições de coordenação destes processos de atendimento social em tempos de calamidade pública;

4. Que a ação social junto com a Defesa Civil poderão unificar centros de distribuição que envolvam as redes municipais, estadual, igrejas, rede de comércio local, facilitando assim evitar diferentes rotas de deslocamentos humanos nas comunidades;

5. Que a entrega desses materiais precisa de adequados equipamentos de EPI – Equipamento de Proteção Individual, que não se compõe apenas de álcool gel, luvas e máscaras, e envolve um conjunto de procedimentos para os quais as entidades supracitadas estão em melhores condições de organizar.

Defendemos:
1. Que nenhum contrato e pagamento com agricultores(as) e fornecedores(as) seja interrompido;
2. Que o governo estadual realize o debate sobre o atendimento das famílias mais vulneráveis envolvendo a ação social e a defesa civil de cada município. Importante envolver, também, entidades ligadas ao tema, como o CEAE – Conselho Estadual da Alimentação Escolar; SEAB – Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, FETRAF – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar; cooperativas de agricultores;
3. Que o espaço de distribuição seja pensado no âmbito dessas entidades que têm mais acúmulo no trato das questões sociais;
4. Que os(as) trabalhadores(as) em educação (diretores/as, professores/as e funcionários/as das escolas) possam contribuir da melhor forma neste período, se somando ao chamado da ação social e defesa civil nos municípios;
5. Que o PL 189 enviado em 24 de março pelo governo Ratinho Jr., que propõe a terceirização dos Serviços Públicos seja retirado e que o governo reconheça e valorize os(as)servidores(as) públicos(as).

A direção da APP entende que este é o período em que, para além da defesa corporativa, as entidades sindicais e de representação dos(as) trabalhadores(as) podem e devem participar do amplo debate sobre as medidas que possam GARANTIR A VIDA e atenuar o sofrimento, infelizmente inevitável.

Neste momento em que todos(as) precisam assumir esta responsabilidade social, a App sindicato orienta aos(as) funcionários(as) que ainda precisam ir a escola:

1. Ir com camiseta da APP
2. NÃO realizar as tarefas sem EPIs – que são os Equipamentos de Proteção Individual (luvas, máscara, avental e calçado fechado) e ser tempre em mãos álcool gel.
3. Por conta do desrespeito do governador ao mandar o PL 189, que pretende terceirizar os funcionários e funcionárias de escola, aproveitar o momento para mobilização virtual, fazendo fotos com cartazetes e escreve uma frase como, por exemplo:
“Exigimos Respeito, não somos descartáveis”
“Respeito, Ratinho, somos educadores(as)”
“Ratinho, não somos colaboradores, somos educadores(as)”

E postar nas redes sociais com as seguintes palavras de ordem:
#RatinhoSorrateiro
#SemAgenteaEscolaPara

Que a pandemia e suas consequências sejam oportunidade de crescimento dos valores da solidariedade, partilha e compromisso social. Repudiamos qualquer manipulação política de lideranças, sejam municipais ou estaduais, ou mesmo das entidades que possam vislumbrar nessa crise a oportunidade de auferir lucro político, econômico ou de qualquer outra natureza.

Direção Estadual da APP-Sindicato.
Curitiba, PR, 25 de março de 2020.