Julho das Pretas promove mês de debates sobre identidade e direitos das negras

Julho das Pretas promove mês de debates sobre identidade e direitos das negras

APP-Sindicato é parceira do evento que, neste ano, homenageia Iyagunã Dalzira, mãe de santo que se tornou doutora aos 81 anos

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Durante todo o mês de julho, a APP-Sindicato participa da 11ª edição “Julho das Pretas”, evento que promove a reafirmação da identidade, história e resistência das mulheres negras em prol da igualdade de oportunidades. 

As atividades iniciam já no dia 30 de junho, com o III Seminário Pretas Acadêmicas: Pesquisadoras Pretas na Academia. O evento terá grupos de debates de diversas temáticas, entre eles a reforma do ensino médio e a juventude negra, com participação da APP, representada pela secretária de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo, Celina Wotcoski.

“Precisamos trazer para nós essa responsabilidade de falar sobre a questão afro-brasileira com nossos educadores e garantir que a lei 10.639/03 seja aplicada nas escolas, auxiliando nossos educandos a conhecer e respeitar a diversidade em nossa sociedade”, explica a secretária.

Já a abertura oficial do Julho das Pretas será realizada no dia 1º de Julho, na Vila das Torres. O evento terá início às 15h e contará com a presença da homenageada deste ano, a ialorixá (mãe de santo) Iyagunã Dalzira, além da apresentação do bloco afro Pretinhosidade.

É importante lembrar que ao longo do mês serão realizadas palestras, lançamento de livros, apresentações culturais e outras ações para fortalecer as organizações de mulheres negras, que ampliam o debate e inserem temáticas voltadas ao enfrentamento do racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais formas de opressão. 

Além das atividades, serão feitas reivindicações de ampliação de direitos, democratização de espaços de poder e decisão na sociedade, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra brasileira.

“Gostaria de deixar um convite para todas as educadores negras e não negras para participar do Julho das Pretas. Nós da APP, em parceria com todo o movimento de mulheres negras do Paraná, realizaremos diversas atividades”, finaliza Celina.

Homenageada 

Este ano, a ialorixá Iyagunã Dalzira, sacerdotisa do terreiro Ile Aseo juboogun será homenageada. 

Militante renomada do movimento negro, a sacerdotiza fez história ao defender seu mestrado na Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) aos 72 anos, com uma dissertação sobre os saberes do Candomblé na contemporaneidade. 

Já aos 81, defendeu a tese de doutorado “Professoras negras: gênero e raça, religiões de matriz africana e neopentecostais na educação pública”, na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A ialorixá também resistiu à ditadura militar e debateu sobre o racismo religioso, raça e classe com personalidades como a deputada federal Benedita da Silva e o sociólogo Betinho. 

Julho das Pretas

O Julho das Pretas remete ao dia 25 de julho, quando é comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data foi sancionada através da Lei nº 12.987/2014, que entrou em vigor no dia 02 de junho de 2014. 

Tereza foi líder e rainha do quilombo Quariterê no século XVIII. Por meio da sua liderança, resistiram à escravidão por duas décadas até que o acampamento foi arrasado por forças do Estado a mando de Luiz Pinto de Souza Coutinho, então governador da capitania do Mato Grosso. Os registros históricos apontam que parte da população foi exterminada enquanto outra aprisionada.

A homenagem à Tereza de Benguela foi inspirada no Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, marco internacional da luta e da resistência da mulher negra, criado em 25 de julho de 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana.

>> Confira a programação completa:





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