Ironei de Oliveira: a sua história para a educação pública jamais será esquecida

Ironei de Oliveira: a sua história para a educação pública jamais será esquecida

De funcionário a presidente do Núcleo Sindical de Campo Mourão, uma trajetória de vida com esforço e reconhecimento!

Foto: APP-Sindicato

Hoje, na agitação e na correria, nas mudanças pela pandemia, do home office e do isolamento – apenas para alguns(as -, das incertezas e sem destino certo, como será o amanhã? Fazemos coisas sem pensar ou no impulso? Na verdade, não queremos parar. Queremos seguir e lutar pelo que acreditamos.

Ironei de Oliveira, o primeiro funcionário a ser presidente de um Núcleo Sindical da APP, tem uma história que começou na base e contou com incentivo de profissionais da educação, para ser o conhecido Nei da APP. 

Infelizmente temos que nos despedir de você fisicamente com a certeza de que a sua história não se encerra aqui e o seu legado permanece. Sempre engajado nas lutas pelos(as) servidores(as) e por uma educação pública, gratuita e de qualidade. Lutou também por melhores condições de vida das famílias de Campo Mourão, onde na última eleição, candidatou-se a vereador em 2020.

A Covid-19 não nos deixa nos despedir e tira a vida de muitas pessoas a cada instante. A APP-Sindicato e outras entidades, assim como muitos(as) especialistas, resistem e insistem em medidas mais eficazes para o “controle” de um vírus “descontrolado e variável”. Exigimos a vacina para todos(as) e o isolamento de verdade (é lockdown sério!), por isso, defendemos que escolas abertas para atividades presenciais apenas quando todos(as) estiverem vacinados(as). Ironei se contaminou trabalhando na escola.

A direção da APP-Sindicato não concorda com as medidas impostas. Afinal, pelo vírus não existe culpado(a), mas, pelo aumento dos casos e infecções, pela demora em ter a vacina e pelo sistema aplicado, existe um(a) ou vários(as) responsáveis. Reflita! É preciso urgência para combater o vírus que não dá trégua e tira vidas.

“Sinto saudade de quem não me despedi direito, das coisas que deixei passar.”

(Clarice Lispector)

Da direção da APP para você, Ironei, presente!

Hermes Silva Leão, professor e presidente da APP-Sindicato

É importante registrar o aprendizado incrível que a nossa categoria teve com o Ironei de Oliveira. Foi o primeiro agente Educacional I a conquistar o respeito, o reconhecimento e foi eleito presidente da APP Campo Mourão. Foi uma conquista inédita, considerando a quebra de barreiras e diferenças que existiam entre professores e funcionários de escola – nos tornamos todos dirigentes

Outro aspecto difícil, mas que é necessário – a denúncia da morte de Ironei, que se deve ao negacionismo do governo Ratinho Junior e de Renato Feder. Ele foi tangido a ter que trabalhar presencialmente na escola, assim como dezenas de outros funcionários, funcionários, professores e professoras, pedagogos e pedagogas, diretores e diretoras que estão se expondo ao risco do vírus e encontram, em muitos casos, a morte neste caminho do negacionismo do governo. Não deixaremos de fazer esta denúncia e a morte do Ironei não será em vão. Vamos cobrar a responsabilidade do Estado, pois é um crime.

Nádia Brixner, funcionária de escola e Secretária de Funcionários(as) da APP-Sindicato

Muito difícil se despedir (ou não se despedir) de alguém levado pela estupidez e irresponsabilidade de um governo que nega a existência da pandemia. 

Conheci o Ironei fazendo um depoimento da sua luta como pai, trabalhador e funcionário de escola, num Seminário de Funcionários(as) da App. Quanto mais o conhecia, mais a admiração crescia. 

Quantas vezes conversávamos pessoalmente nas atividades ou mesmo por telefone, quando surgiam dúvidas referente ao trabalho ou simplesmente precisávamos de um ombro amigo. 

O Nei da APP deixa um legado que inspira qualquer militante, mas, principalmente nós que somos funcionários e funcionárias de escola. Sua luta pelo reconhecimento profissional deste segmento, como educadores e educadoras, e por melhores condições de trabalho, formação e carreira foi imprescindível para chegarmos ao patamar que estamos hoje. 

Tenho certeza de que cada pessoa que passou pela vida do Ironei sentirá sua falta. A melhor homenagem a este valoroso companheiro de caminhada e amigo de vida será seguir sua trajetória de luta e esperança por um mundo mais justo e fraterno.

Mas neste momento, meu querido Ironei…. deixa eu chorar tua partida….

Logo, logo estarei de pé pra honrar tua peleia e seguir teus passos!

Vá em paz!!

Depoimentos que emocionam e retratam um pouco sobre o Ironei e a sua dedicação pela defesa da educação e dos(as) servidores(as) públicos(as):

Sérgio Martinhago, professor 

Ironei! O nosso Nei! Como ficou conhecido nos movimentos sociais, onde se tornou um valoroso dirigente de classe! Conheci o Ironei, em uma primeira reunião organizada pelo meu mandato de vereador na cidade de Campo Mourão, na década de 90. A reunião era para a organização da associação de moradores do Jardim Aeroporto e lá estava aquele jovem simples, mas cheio de ideais e sonhos por uma sociedade mais justa e igualitária para todas e todos. 

Ironei trabalhava como servente de pedreiro e no Colégio Marechal Rondon, onde eu era diretor, estava precisando de serviços de pedreiro para a construção de um muro. Assim, convidei o Ironei para o serviço. Nesse mesmo período surgiu também a oportunidade de contratação de serviços gerais para trabalhar na escola pela empresa ADEJA. Então, convidei o Ironei para participar da seleção e foi contratado pela escola. Ali surgiu uma grande amizade, um grande companheirismo em prol da luta de classe! Já como funcionário de escola, ele começou a participar dos cursos de formação da APP Sindicato e intensificou sua militância nos movimentos sociais. Também passei a incentivá-lo a completar os seus estudos, foi aprovado em um concurso público para Agente Educacional I e formou-se no curso de Pedagogia. Sendo assim, teve o reconhecimento da categoria dos Trabalhadores em Educação e se tornou o primeiro presidente funcionário de escola de NS da APP Sindicato. 

E o companheiro Nei não foi só dirigente sindical e dos movimentos sociais, construiu amizades, foi ótimo pai para as suas três filhas! Sinto um imenso orgulho de ter sido amigo e incentivador do Nei! O Nei deixa a mensagem explícita de que devemos acreditar no potencial das pessoas. Perdemos um grande companheiro, mas a sua história continuará fazendo e servindo de exemplo! Nei Presente, Presente!

Antônio Carlos Aleixo, professor da Unespar

Conheci o Nei quando ele não era Nei da APP. Era Ironei e trabalhava no Colégio Marechal Rondon fazendo consertos, auxiliando em várias tarefas a pedido do querido professor Sérgio Martinhago, que o incentivou a estudar, fazer concurso, etc.

O etc…etc….nos aproximou muito. Vivaz, antenado, querendo aprender, liderança comunitária da região do Jardim Aeroporto, começou a militar conosco nas difíceis lutas dos movimentos populares e de esquerda em Campo Mourão. Na Educação, na luta pela Terra…enfrentávamos as reformas e repressões do Governo Lerner.

Ironei foi criando o Nei, aos poucos.  Foi fazendo e se fazendo liderança ali. Depois, sempre incentivado pelo professor Sérgio, foi se deslocando mais e mais para nossas frentes no ambiente da educação formal e já era uma liderança entre os colegas de trabalho.

Nei tinha orgulho de sua origem, orgulho das filhas, orgulho de contar sua história de superação como vítima deste sistema que não se contenta apenas em tirar o sangue dos explorados. Sua capacidade de compreensão da realidade, associada aos grupos de militância da APP-Sindicato levaram-no à presidência da APP Núcleo de Campo Mourão. Sempre com o apoio da companheira de vida nos últimos anos, nunca rejeitou tomar a dianteira nos embates, na orientação, com incrível capacidade de ordenar as falas e retomar o período histórico.

Nei tinha os olhos ternos de quem está disposto sempre a ajudar. Muito maior que nós todos, vai fazer uma falta enorme. A gente nunca espera. Todo dia perdemos um pedaço de nós com a doença.  Pelo vírus não há responsáveis, mas pelo aumento das infecções, pela falta de vacina e pela política de morte que se implantou no país nestes últimos anos, há responsáveis sim. Entre os 500.000 mortos no país, conto conhecidos e amigos, e agora este companheiro que, para nós (ainda me considero um militante da APP), vai fazer muita falta…