A greve da educação chega a mais um dia de impasse. Após debater com deputados(as) durante o dia de ontem (1º), o Fórum das Entidades Sindicais (FES) abriu novas possibilidades de um acordo sobre a data-base: o pagamento ainda este ano do índice de 8,17% e uma proposta de reposição de perdas causadas por um possível parcelamento. Isto garantiria a manutenção do direito dos(as) servidores(as) à reposição da inflação ainda em 2015. Além disso, as entidades propuseram a suspensão das punições e processos, a retirada do Artigo 6º do texto do projeto do governo e a reabertura das negociações.
Nos debates com os sindicatos, o líder do governo na Assembleia Estadual do Paraná (Alep), o deputado Luiz Cláudio Romanelli, assumiu o compromisso de levar as conclusões do debate ao governo, o que aconteceu ainda na noite de ontem. A expectativa dos(as) servidores(as) era de uma retomada no processo do diálogo ou de apresentação de uma proposta que viesse minimamente ao encontro do desejo dos(as) grevistas. Mas não foi isso o que ocorreu. E a frustração veio com mais um ataque do governador Beto Richa, em uma entrevista coletiva dada no final da manhã de hoje (2).
Na ocasião, Richa afirmou que a proposta apresentada – com o parcelamento em 3 vezes dos 3,45% para este ano a inflação de 2015 só para janeiro de 2016 – está mantida. A frase dele foi a seguinte: “O que nós apresentamos já é o resultado do aprimoramento de propostas anteriores”. Assim, o texto que está na Alep, inclusive acabando com o Piso do Magistério no Paraná (com a manutenção do Artigo 6º). Para a direção da APP-Sindicato, o posicionamento intransigente de Beto Richa só comprova uma coisa: o governo do Estado quer que a greve dos(as) servidores(as) continue.
“Com a ação de sensibilização dos sindicatos, os deputados estaduais fizeram uma proposta de consenso. O Fórum das Entidades Sindicais, no espírito de superar o impasse, já se posicionou favorável. O nosso sindicato, que representa a maior categoria do Estado, também disse publicamente que não se recusa a debater uma proposta que demonstre, minimamente, a boa intenção de se negociar. Inclusive, informamos que poderíamos adiantar uma assembleia em vista disso, para a categoria avaliar a possibilidade de suspensão da greve. Mas o governador, que se diz publicamente um homem do diálogo, simplesmente disse não”, lamentou o presidente da APP, professor Hermes Leão. A grande questão é: por quê?
Ilusionismo? – A maior habilidade de um ilusionista é fazer com que o seu público olhe para um lado, enquanto a ação principal ocorre do outro. Nisto consistem os truques de mágica. Ao manter o foco da sociedade em uma greve que penaliza mais de um milhão de estudantes e centenas de milhares de trabalhadores(as), se fortalece a teoria: será que este governo está apostando na greve para que a população não preste atenção nas recentes denúncias de corrupção e também pedofilia? Até que ponto o governador Estado vai se deixar influenciar pelo secretário da Fazenda Mauro Ricardo Costa, que possui um passado para lá de obscuro? Neste cenário as únicas certezas são: lutamos por motivos justos e vamos, sim, mostrar à população qual a verdadeira cara deste governo.











