Inglês Paraná: intérpretes de Libras denunciam discriminação de alunos(as) da educação especial

Inglês Paraná: intérpretes de Libras denunciam discriminação de alunos(as) da educação especial

Estudantes surdos e surdocegos são obrigados a acessar, mas não aprendem nada porque não têm acesso pleno aos recursos da plataforma 

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O descaso do governador Ratinho Jr com a educação especial é bem conhecido da população paranaense. Depois da falta de exames adaptados na Prova Paraná, do corte da hora-atividade e da falta de profissionais de apoio nas escolas, agora estudantes surdos e surdocegos(as) estão sendo excluídos com a imposição do uso da plataforma Inglês Paraná. 

A Secretaria da Educação cobra que os(as) alunos(as) acessem a plataforma uma vez por semana, mas as atividades não são adaptadas. Os vídeos não têm tradução em Libras e alguns exercícios exigem a gravação de áudios em inglês por parte dos(as) estudantes, gerando frustração e situações absurdas.

“Há uma incompatibilidade da plataforma com os estudantes surdos e surdocegos da rede”, aponta Eliane Braga, professora intérprete de Libras. “Conversando com outros intérpretes do Paraná, percebi que os alunos surdos têm feito áudios de qualquer jeito, até com gritos sem sentido. E a plataforma dá como concluída a atividade”, relata.

A Inglês Paraná custou R$ 13 milhões aos cofres públicos e integra um projeto de mercantilização e plataformização da escola pública no Paraná, que enriquece a iniciativa privada, empobrece o ensino-aprendizagem e transforma o projeto pedagógico em números e metas fantasiosos.

A adoção da plataforma deveria ser opcional, mas a Seed e os NREs cobram a utilização e constrangem escolas a adotarem o programa, o que viola a autonomia pedagógica e a gestão democrática, além de gerar ainda mais transtornos para professores(as) já  sobrecarregados(as).

A farsa educacional a que são submetidos os estudantes se reforça pois o governo não reconhece a existência do problema. “Uma professora questionou essa situação e a coordenadora de Inglês do Núcleo Regional de Educação respondeu que é minha obrigação mediar isso. É um absurdo, pois o intérprete não tem obrigação de saber Inglês”, afirma Eliane.

“Ela chuta tudo”

A intérprete conta que tem uma aluna surda que acessa a plataforma toda semana, sem aprender nada. “Ela nem sabe o que está se passando no vídeo que precisa assistir para responder depois, pois eu não tenho capacidade para interpretar em Inglês. Ela vai clicando até ficar verde. Ficou verde ela passa para a fase seguinte. Ela chuta tudo, é uma enganação. É uma mentira essa plataforma”, diz.

Os(as) profissionais intérpretes e guia-intérpretes de Libras, que acompanham alunos(as) surdos(as) e surdocegos(as), de acordo com a Lei 12.319/2010, fazem a tradução do Português para a Libras e vice-versa. Eles(as) não são aptos(as) a traduzirem do Inglês para Português ou do Inglês para Libras. Além disso, o intérprete de Libras não exerce a função de regência de turmas.

As demandas dos profissionais da educação especial foram tema de reunião entre a APP e a Seed realizada em maio. A APP cobrou uma solução para os problemas com a Prova Paraná, que não garantiu acessibilidade para estudantes com deficiências. O teste longo, com muitas opções de respostas, ilustrações sem leitores(as), fontes pequenas, gerou indignação entre pais, alunos(as) e professores(as). 

Outro ponto discutido foi a burocratização e exigências excessivas com o preenchimento de relatórios, o que tem sobrecarregado os(as) professores(as) e a equipe pedagógica das escolas.

 

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