III Seminário de Pedagogos(as) da APP realizado virtualmente

Trabalho pedagógico consciente e a defesa da escola pública emancipadora e libertadora

Foto: Divulgação

Bem-vindos(as) ao III Seminário Estadual de Pedagogos(as) da APP-Sindicato! Setembro fechou o mês aquecido com o debate do trabalho escolar na pandemia, das dificuldades enfrentadas em um momento de excepcionalidade e suas reflexões. Marlei Fernandes, vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Aline Caríssimi, coordenadora do Departamento Estadual de Pedagogos(as) do Sindicato, apresentaram e fizeram as intervenções do evento, que trouxe o educador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Gaudêncio Frigotto.

Participaram também pelo Sindicato, o presidente Hermes Leão, que disse do desafio de realizarem seminário virtual à altura dos desafios colocados pela gestão da Secretaria da Educação, que não dialoga com a formação dos(as) estudantes; a secretária Educacional, Taís Mendes, enfatiza o “basta de assédio nas escolas”; e o secretário de Assuntos Jurídicos, Mario Sergio de Souza, que é coordenador nacional do Departamento de Especialistas (DESPE) da CNTE, reforça que “estamos em uma batalha de trincheira”.

Gaudêncio Frigotto enfatizou a APP-Sindicato como referência de sindicalismo orgânico, com uma história de batalhas pela educação pública, gratuita, laica, universal e de qualidade. Também por batalhas memoráveis pela redemocratização do país. “Convite da APP é uma convocação para mim – não resisto!”.

“A defesa da vida também está em pauta. Realmente uma luta invisível, de trincheira, mas, passará. Todos estamos inseguros por pressões e produtivismo. É momento de estar juntos, dialogar, ponderar e buscar o caminho mais viável – dentro do dissenso buscar consenso”, disse Frigotto, que elencou quatro tópicos que direcionaram as explanações.

1) Por que aula presencial antes da vacina ou de um código de segurança similar?

Em síntese, a vida é um valor absoluto. O vírus mata e está em cadeia, como mostram os estudos. A pandemia deveria ensinar que não é possível seguir com esse sistema produtivo destrutivo do meio ambiente que produz muita desigualdade. “A pandemia é a resposta biológica do planeta”, como disse o físico Fritjof Capra. É uma lição para nós!

2) O que propor para minimizar o aumento da desigualdade na educação (ainda mais on-line)?

Não podemos ser contra a tecnologia, mas, o grande problema é o uso social e utilizada para o lucro e para manipular. Vejam o documentário “O dilema das mídias”, que mostra um mundo dividido e manipulado. Educação por meio remoto não é a mesma coisa de educação a distância. Tem-se uma política de exclusão brutal com a educação digital. Muitas famílias brasileiras não possuem internet, outros possuem celulares só pré-pagos, enfim, existem muitos limites do remoto, além do próprio argumento pedagógico. O honesto seria dizer que o ano de 2020 não pode ser contado como um ano que produziu, mas também que o mais importante é estar vivo e repensar o ano de 2020 para reorganização em 21 e 22.

3) Qual pode ser a herança perversa do ensino remoto pós-pandemia?

Uma questão dramática é que os regimes autoritários estão definindo o destino. O trabalho remoto é controlado e exerce uma pressão brutal com o risco da sobrecarga.

4) Qual o foco da luta como educador e cidadão para um outro Brasil possível?

A APP-Sindicato tem uma unidade interna e agenda de defesa da escola pública. Temos que ajudar os colegas a vencer os medos. Estimulem os profissionais da educação a não ficar isolados. A quantidade na democracia é um elemento de qualidade – Sindicalize-se! Temos que refletir o nosso trabalho no contexto da pandemia e a luta que temos daqui para a frente.

 

“Hoje vamos dar um pontapé inicial na nossa carta sobre o trabalho dos(as) pedagogos(as) e das dificuldades que estão enfrentando no momento da pandemia, de excepcionalidade. O momento nos intriga e nos coloca em xeque. Está difícil para desenvolver todo o trabalho”, Aline Carissimi.

“É um desafio fazer o seminário de forma virtual, sendo queo ideal para as avaliações seria presencialmente. Fazer um seminário à altura dos desafios que estão colocados pela gestão da Secretaria da Educação, voltada para o estado mínimo, neoliberalismo e para uma pedagogia que não dialoga com a formação dos nossos estudantes”, Hermes Leão.

 É um momento desafiador, mas já tivemos outros e passamos por eles.Não podemos perder o foco é na qualidade e na defesa da educação pública para todos. Temos que defender a condição de que a escola não é uma empresa. Os trabalhadores – professores, funcionários e pedagogos – não são operários e os alunos não são clientes. Temos que trabalhar por resultados pedagógicos e conscientes, que dialoguem com o processo de ensino e aprendizagem. Basta de assédio nas escolas”, Taís Mendes.

Momento histórico de retrocesso total da educação. A escola é um ponto que ajuda a formar a sociedade está sendo atacada absurdamente. Estamos em uma batalha de trincheira.É um momento de resistência, pois sabemos o que queremos. Defender a escola pública enquanto educação cidadã e libertadora”, Mario Sergio.