Hora-aula em pauta: APP cobra cumprimento da lei em audiência pública

Jornada de trabalho de professores, pedagogos e readaptados é tema de audiência pública

Foto: APP-Sindicato

O conceito de jornada de trabalho dos(as) professores(as), pedagogos(as) e profissionais readaptados(as) adotado no governo Ratinho Jr. (PSD) está equivocado. Ao aumentar o tempo de permanência em sala e nas escolas, sem nenhuma contrapartida financeira, o Estado escancara dois sérios problemas: 1. faltam profissionais nas escolas públicas do Paraná e 2. apesar disso, o governo não valoriza os(as) educadores(as) que estão na ativa e sobrecarrega os(as) profissionais.

Por isso, a APP-Sindicato busca soluções para reverter a contagem de trabalho para a hora-aula, como estipula a Lei e como era praticado no Paraná. Conforme definido em assembleia, pela categoria, o Sindicato buscou na Assembleia Legislativa a realização de uma audiência pública para, mais uma vez, tratar do tema junto à base governista e à população.

“Dialogo e respeito devem ser o ponto de partida de qualquer relação. Mas na educação, temos vivido a manutenção de critérios do governo anterior que estão prejudicando o dia a dia das escolas”, expõe o presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão.

“A jornada, como está posta, estipula quatro horas por dia. O tempo da escola não é contato em hora-relógio. Na escola, temos períodos de 4h30. Agora eu pergunto: a família ou o estudante que precisar de atendimento antes ou depois da aula vai ser atendida? No modelo proposto pela Seed, não. Antes, a escola tinha autonomia para organizar de acordo com o a sua realidade e isso nos foi tirado apenas por decisão política. É algo de quem não conhece o trabalho de perto”, evidencia a pedagoga Alini Carissimi.

A audiência em si, é uma prova de que a categoria vive momentos de retrocesso, onde união para a manutenção de direitos é primordial.”Estamos tento que correr atrás de direitos conquistados. Teríamos que estar aqui discutindo melhorias e avanços na educação, em sobre como investir mais e melhor. Nosso tema de debate deveria ser sobre como poderíamos criar condições e ambientes de aprendizado tranquilos e como remunerar adequadamente os professores”, argumentou a deputada Luciana Rafagnin.

A a secretária Educacional da APP e representante do Conselho Estadual de Educação, Taís Mendes reforçou que o clima de corte de direitos e de atraso de pagamento de reajustes estipulados pela lei prejudica diretamente a comunidade escolar. “Violência não é só física. Violência é ter professor com sobrecarga e com salário defasado. Violência é não ter PDE. Violência é o professor trabalhar com medo de adoecer porque vai perder aulas ou com medo do denuncismo. Ideb se faz com conhecimento, com aprendizado, com condições de trabalho e, sobretudo com paz, paz para poder trabalhar”, comentou.

Ao final da audiência, o deputado líder do governo Hussein Bakri afirmou que compreende a urgência da categoria diante da pauta básica de revindicações. “Dialogar é muito importante. Eu cheguei ao entendimento que é possível sim reverter a medida, pois não gera prejuízo para o Estado e vou, pessoalmente, levar isso ao secretário de Educação”, afirmou o deputado.

Na segunda-feira (22) haverá uma reunião com a Casa Civil, onde a presença do secretário da Educação, Renato Feder será solicitada para tratar da jornada dos(as) profissionais de educação.

Compuseram a mesa de debates da audiência: os deputados estaduais Professor Lemos (PT), Luciana Rafagnin (PT), Tadeu Veneri (PT), Nelson Luersen (PDT) e Hussein Bakri (PSD); Moacir Gomes da Silva, representando a Seed; Silvio Fernandes Jardim, representando o secretário Ney Leprevost. Pela APP, o presidente Hermes Silva Leão, a secretária educacional, Taís Mendes, a representante do departamento de Pedagogos(as), Aline Caríssimi.

Veja mais: