A APP-Sindicato deu início às atividades do grupo de trabalho criado com o objetivo de propor a reestruturação da matriz curricular do Ensino Médio na rede estadual do Paraná. A iniciativa reafirma a trajetória histórica de disputa de concepção educacional do sindicato e fundamenta-se no entendimento de que a educação básica é um direito social inalienável.
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A secretária Educacional da APP-Sindicato, Cida Reis, explica que, diferente da lógica imposta pela reforma do Ensino Médio, em 2017, e suas alterações na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que fragmentam o conhecimento e submetem a escola aos interesses do mercado, o GT objetiva aprofundar o debate e propor uma matriz curricular que garanta o acesso ao conhecimento historicamente produzido, com tratamento equânime entre as disciplinas e centralidade nas humanidades como eixo da emancipação intelectual dos(as) estudantes.
Educação não é mercadoria
A justificativa do GT aponta que a atual organização escolar tem se voltado quase exclusivamente às necessidades do mercado, tratando a “massa trabalhadora” como mão de obra que não precisa pensar criticamente, mas apenas operar o sistema para assegurar o lucro do capital e do empresariado.
A primeira reunião foi realizada na última quarta-feira (25), de forma on-line. O GT, coordenado pela Secretaria Educacional da APP-Sindicato, conta com a participação de dois(duas) dirigentes por núcleo sindical e seguirá um cronograma rigoroso de sistematização. O grupo atuará em quatro fases:
- Diagnóstico dos impactos da BNCC e das recentes normativas estaduais (Deliberação 03/25 e Resolução 6.668/2025 da SEED);
- Fundamentação teórica sobre currículo emancipador;
- Elaboração da proposta de matriz curricular;
- Validação e redação final para a Conferência Estadual de Educação.
Para Cida Reis, a grade curricular é a expressão de uma concepção de educação e de organização do trabalho escolar. “O GT vai aprofundar o debate sobre concepção de ensino e construir uma proposta de matriz curricular que expresse a importância das diferentes áreas, com uma distribuição equânime dos componentes curriculares. Será um material fundamental para defendermos a escola pública que queremos, especialmente neste período de disputa de projeto de sociedade”, pontua.

Para o secretário executivo Educacional da APP-Sindicato, Vandré Alexandre da Silva, este grupo tem a responsabilidade de apresentar uma ferramenta robusta contra o esvaziamento científico e a lógica meritocrática. “A trajetória de luta do sindicato nos confere a legitimidade de construir uma proposta curricular que respeite a diversidade de saberes e garanta uma escola pública verdadeiramente democrática”, analisa Vandré.
Luta contra a precarização
Cida Reis destaca que a APP-Sindicato mantém sua postura crítica e vigilante contra a precarização imposta pela atual gestão, sendo a defesa por uma matriz que integre saberes científicos, artísticos e filosóficos; rejeite a política de meritocracia e a competição normalizada; e fortaleça as ciências humanas como eixo estruturante para a cidadania.
“A proposta formulada pelo GT será um instrumento de luta política para que educadores(as) e estudantes paranaenses tenham direito a uma escola que mobilize, resista e crie condições para a transformação social”, finaliza a dirigente.
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